Números do Ideb

Angela Chagas: "Além de vivermos crise na segurança, vivemos uma crise na educação"

Editora de Educação da Rádio Gaúcha comenta os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), divulgados nesta quinta-feira

Por: Angela Chagas
08/09/2016 - 19h55min

Quando o Ministério da Educação criou o Ideb, em 2007, foram traçadas metas para que o país chegasse em 2022, ano do bicentenário da Independência, com mesma qualidade educacional dos países ricos. Mas os dados da principal avaliação da educação básica mostram que o Rio Grande do Sul está longe de avançar. 

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O grande problema está no Ensino Médio. Os alunos saem do 3º ano sem saber noções básicas de matemática e português. Isso quando chegam a concluir essa etapa do ensino. Dados do Censo Escolar mostram que são mais de 170 mil crianças fora da escola no Estado.

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Que condições têm de entrar no mercado de trabalho jovens que sequer sabem fazer contas simples? Ou que não conseguem escrever algumas linhas concatenadas durante uma seleção de emprego?

Os desafios são imensos, principalmente na rede estadual. O Ensino Médio politécnico, implementado a partir de 2012 para promover uma mudança estrutural na forma de ensinar para os jovens, ainda não trouxe os resultados esperados. Mas a resposta para o desastre não está somente no modelo pedagógico. São vários os fatores, a começar pelos salários baixos dos educadores, e ainda por cima parcelados. O problema passa também pela estrutura precária das escolas estaduais, pela falta de formação continuada aos professores.

Recentemente foi montado um plano para reverter a crise na segurança pública. Policiais foram nomeados, concursos foram autorizados, a Força Nacional começou a atuar. Já passou da hora de montar um gabinete de crise pela educação também. Planejar um Ensino Médio com carga horária maior, com professores qualificados para cada disciplina, com escolas equipadas de laboratórios e espaços para atividade física.

A violência que vivenciamos na rua tem relação direta com a educação, ou falta dela, no nosso caso. Um levantamento do Diário Gaúcho mostrou na semana passada que cada vez mais adolescentes estão envolvidos em latrocínios em Porto Alegre. São jovens que estão fora da escola. Vamos trazê-los de volta?

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