Ensino gaúcho

93% dos alunos de 1º ano do Ensino Médio de escolas públicas estão abaixo do nível adequado em matemática

Dados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (Saers) de 2016, que não era realizado havia seis anos, foram divulgados nesta quarta-feira (21) em Porto Alegre

Por: Guilherme Justino
21/06/2017 - 15h35min | Atualizada em 21/06/2017 - 22h26min
93% dos alunos de 1º ano do Ensino Médio de escolas públicas estão abaixo do nível adequado em matemática Guilherme Justino/Agencia RBS
Secretário de Educação Ronald Krummenauer apresentou os dados sobre o Saers nesta quarta-feira (21) em Porto Alegre Foto: Guilherme Justino / Agencia RBS  

Uma avaliação realizada pela própria Secretaria Estadual da Educação (Seduc) pinta um quadro preocupante sobre a situação do ensino público no Rio Grande do Sul: 93% dos estudantes do 1º ano do Ensino Médio estão abaixo do nível esperado para sua escolaridade em matemática.

Os números são do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (Saers), apresentado nesta quarta-feira (21) pelo governo em Porto Alegre. Realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a avaliação consiste em provas destinadas a aferir a aptidão dos alunos com leitura, escrita e números.

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E quanto a estes últimos, em especial, as notícias não são boas. A falta de conhecimento adequado em matemática é o padrão: no 6º ano do Ensino Fundamental, chega a 73% o total de estudantes incapazes de demonstrar o conhecimento em matemática esperado para a idade. Em português, o total é de 57% e, em ambas as disciplinas, não passam de 5% os alunos com habilidades consideradas avançadas para sua série.

— Não há satisfação em relação a esses resultados. Em matemática, o que estamos mostrando é constrangedor — considera o secretário estadual da Educação, Ronald Krummenauer.

O alento está nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Chega a 62,5% o total de alunos dentro do padrão adequado em matemática — número inclusive maior do que o de estudantes que demonstraram aptidão dentro ou acima do esperado em português, que somam 61,7%. A questão é que, como mostram os números apresentados pela Seduc, os índices vão caindo conforme avançam os anos escolares.

Uma análise da evolução desses números fica comprometida por conta da inconstância da avaliação. Criadas por decreto em 2007, no governo de Yeda Crusius (2007-2010), as provas do Saers deixaram de ser aplicadas na gestão de Tarso Genro (2011-2014). Assim, os últimos resultados disponíveis foram apresentados há seis anos. A ideia do governo, agora, é manter o exame, promovendo sua realização a cada dois anos. A próxima edição está prevista para o final de 2018.

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Realizado entre os dias 7 e 13 de dezembro do ano passado em todas as escolas estaduais — e também em algumas particulares e federais, que puderam participar para conferir os próprios resultados, mas não estão incluídas nos dados apresentados pela secretaria —, o Saers foi aplicado a 151.952 estudantes. O edital de abertura do exame previa a participação de 249.322 estudantes da rede estadual.

— Como as provas só foram aplicadas em dezembro, muitos alunos já estavam em férias — explica Cecilia Furst, diretora de planejamento da Seduc.

A demora, além do longo hiato desde a última realização do exame, é explicada porque a primeira empresa escolhida para realizar o Saers foi desclassificada em outubro por não atender todas as exigências do edital. O custo para a realização das provas saltou de R$ 3,2 milhões para R$ 5,5 milhões — pagos, segundo a Seduc, a partir de financiamento do Estado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird).

Diante dos resultados, a secretaria pretende agir. Junto com o balanço do Saers, foram apresentadas propostas como a capacitação de professores, com realização de cursos online, a construção de planos de intervenção nas escolas e o monitoramento dessas ações por parte da pasta. Boas práticas também deverão ser apresentadas como referência.

— Apesar de os resultados estarem aquém do esperado, o que não é uma grande surpresa, a novidade é o que vamos fazer com esses números — afirmou o secretário Krummenauer.

Para ele, a explicação para números piores nos anos finais da Educação Básica está não só na qualidade do ensino, mas também em questões sociais.

— Conforme as crianças vão envelhecendo, outros fatores também vão entrando em jogo. Tem a menina que engravida, o adolescente que se envolve com drogas. A evasão também é grande.

Divulgados pela secretaria à imprensa, os dados estarão disponíveis para as escolas a partir de amanhã. Cada instituição terá acesso aos dados individuais de cada aluno que participou da prova. A ideia é que diretoria e professores aproveitem essas informações para reforçar os pontos positivos e corrigir os problemas enquanto ainda há tempo, já que a avaliação é feita em meio à formação estudantil, e não apenas nos anos finais.

* Zero Hora

 
 
 
 
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