Dinâmicas corporativas

Atividades lúdicas trazem lições para equipes de profissionais

Treinamento em situações pouco usuais, como velejar pelo Guaíba, não significa só sair da rotina. Pode ajudar a superar desafios

Por: Maria Amélia Vargas
26/10/2013 - 13h01min
Atividades lúdicas trazem lições para equipes de profissionais Bruno Alencastro/Agencia RBS
Grupo do departamento de marketing do Colégio Farroupilha participou de desafio em um veleiro Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

 Um barco não navega por conta própria. Alguém precisa ligar o motor, outro içar a vela, enquanto determinada pessoa cuida do leme. Para velejar, é preciso estabelecer funções específicas para cada membro da tripulação sob pena de naufragar caso o vento mude de direção ou uma tempestade pegue a todos de surpresa. Assim como ocorre em uma empresa, as habilidades individuais percebidas no dia a dia ficam ainda mais evidentes na hora do aperto.

 

 

Com a proposta de identificar pontos fortes e desenvolver capacidades, as dinâmicas de grupo ultrapassaram as paredes dos escritórios e ganharam novos formatos. Atividades como guiar uma embarcação, seguir uma receita até o prato ficar pronto ou encontrar um tesouro escondido na floresta servem como metáforas da vida corporativa que podem render aprendizados para o time dentro da organização.

A vivência em um veleiro, por exemplo, reúne todos os elementos capazes de despertar o espírito de equipe, facilitar a comunicação e promover mudanças significativas no grupo. Pensando nisso, os sócios Cássio Lutz e Roberto Machado criaram um programa realizado nas águas do Guaíba.

— Nós entregamos um manual de instruções para as pessoas assim que elas entram no barco. Lançado o desafio, procuramos não interferir mais. Apesar de ficarmos a bordo, deixamos que eles próprios tomem as decisões para que naveguem por conta própria. Assim, eles ficam à vontade para definir as tarefas de cada um e agir naturalmente — conta Lutz, sócio-proprietário da Prime Sail.

Quando o grupo de nove profissionais do departamento de marketing do Colégio Farroupilha foi desafiado a velejar, as reações se dividiram. Houve quem teve medo, quem ficou curioso e quem se sentiu empolgado com a missão. Também se viu casos de quem sentiu tudo isso ao mesmo tempo. Mesmo assim, partiram na aventura pelo Guaíba em uma sexta-feira ensolarada. Líder da equipe, Tiago Schmitz não era principiante. O gerente de marketing já tinha participado de outra atividade como essa em outros grupos. Mas era a primeira vez que ia com o time do qual é gestor:

— Cada situação é única. E em cada uma delas eu aprendi lições diferentes. Tomada de decisões, inovação e proatividade são atitudes tomadas em situações vividas no barco que também aparecem no dia a dia do trabalho.

 

Um cardápio para jogos corporativos

Da mesma forma que atividades realizadas em um veleiro, uma simples aula de culinária pode trazer importantes lições corporativas. Essa é a proposta do programa Harmonize, realizado pela Versadas, de Curitiba. Com cardápio previamente estabelecido e ingredientes providenciados, o objetivo é fazer com que a equipe elabore o prato principal do jantar na cozinha completa que comporta um grupo de até 30 pessoas.

— Ao preparar uma refeição, o grupo precisa de um líder que supervisione tudo, de alguém criativo para dar personalidade à receita, de alguém para organizar a mesa, e assim por diante. Da mesma forma, no ambiente profissional esses personagens também são necessários — salienta Luciane Ramm, sócia-proprietária da empresa.

Na Fazenda Quinta da Estância, há possibilidades para um mínimo de 12 pessoas e até 500 integrantes. A partir de um leque de opções com mais de cem atividades, as dinâmicas e os jogos corporativos são estabelecidos de acordo com o objetivo da empresa para aquele determinado time.

— Realizamos trabalhos bem diferentes. A Teia da Vida, por exemplo, desafia o grupo a transpor um emaranhado de cordas. Tem também a Trilha Orientada, em que damos um mapa e uma bússola e propomos que localizem pontos e realizem missões. Isso exige organização, planejamento, estratégia. Tal qual ocorre no dia a dia de qualquer empresa — destaca Lucas Goelzer, diretor-executivo da Quinta da Estância.

Apenas realizar as tarefas, no entanto, não garante o sucesso da dinâmica. De acordo com a psicóloga Gabriela Zambrano Ávila Jost, pós-graduada em Administração de Recursos Humanos, as vivências devem ser conduzidas por um profissional habilitado e com objetivos previamente combinados:

— A atividade por si só pode promover a integração e fazer as pessoas se conhecerem melhor. Mas, depois da dinâmica, todos devem se reunir, comentar como foi o trabalho e de que forma isso pode ajudar no desempenho desses profissionais. É de fundamental importância ter esse momento de processar as informações.

 
 
 
 
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