Inovação na gestão

Facebook da firma é a novidade nas empresas brasileiras

Organizações investem em sites de relacionamento corporativos para integrar os funcionários e melhorar os resultados

22/03/2014 | 11h01
Facebook da firma é a novidade nas empresas brasileiras Félix Zucco/Agencia RBS
Laura já comemora os resultados de integração conquistados com a adoção da ferramenta na empresa onde trabalha Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Ferramenta comum nos escritórios americanos, as redes sociais corporativas começam a ganhar espaço nas empresas brasileiras. Alinhado ao ideal de horizontalidade, com poucos níveis hierárquicos, e à redução de burocracia perseguidos pelos gestores, essas ferramentas — que funcionam como Facebook, mas são restritas a funcionários de uma mesma companhia — prometem aumentar a colaboração entre as equipes e derrubar gastos com comunicação.

— São complementares à intranet, que tem cunho mais institucional. As redes sociais permitem que colaboradores encontrem colegas envolvidos em projetos semelhantes, formem grupos de trabalho e troquem experiências com funcionários de outras unidades — explica Laura Denker, gerente de marketing do Grupo Processor, que utiliza uma ferramenta desse tipo desde o ano passado, o Yammer.

A adesão é voluntária, e atrai cerca de 200 dos 350 funcionários da Processor nas oito unidades em diferentes Estados. Há também participação dos integrantes de equipes que atuam no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos e na Argentina.

— É uma forma de ampliar a disseminação do conhecimento na organização, o que é muito importante em uma empresa de tecnologia com várias unidades — completa Laura.

Integração e maior compartilhamento de conhecimento também era o que buscava a Resource IT Solutions ao investir em uma rede social corporativa. O +Social foi criado há dois anos e já tem adesão de 70% dos funcionários. No portal, cada funcionário pode criar um perfil onde tem a chance de informar cursos, especializações, participação em eventos e outras informações que julgar interessantes para colegas e gestores. Outra funcionalidade é um blog com conteúdo gerado pelo próprio usuário.

— Nossos colaboradores recebem muitas informações diariamente, de diferentes fontes. Nesse cenário, o modelo tradicional não atrai mais, por isso precisamos ser criativos para passar conhecimento e engajar as pessoas — diz a diretora de capital humano e marketing da Resource IT Solutions, Fabiana Batistela.

Os resultados já são saudados pelos gestores da empresa. Fabiana diz que há maior integração e compartilhamento. Além disso, os funcionários espalhados pelas unidades no país — inclusive Porto Alegre — se conhecem melhor e tem acesso às políticas organizacionais de maneira fácil e ágil.

— Além disso, é um poderoso banco de talentos para a empresa— acrescenta.

Interação ajuda gestores a conhecer suas equipes

No Brasil, a onda das redes corporativas é recente e começou envolvendo grandes empresas de serviços ou com muitos vendedores espalhados, sob o desafio de agilizar a troca de ideias e eliminar gastos com telefone. Mas aos poucos começa a seduzir também indústrias e pequenos escritórios da área de serviços, como advocacia e contabilidade.

— Muitas empresas abrem também a participação para fornecedores, parceiros e clientes mais próximos, na tentativa de aproximar seus públicos — explica André Ribas, diretor da SocialBase, desenvolvedora de redes corporativas que prevê multiplicar por cinco sua base de clientes em 2014.

Outro chamariz às companhias é a geração de informações para o setor de recursos humanos. As redes sociais permitem que as companhias saibam quem é o funcionário mais influente, quem propõe grupos de trabalho e quem prefere trabalhar sozinho. Às chefias, pode apontar o grau de engajamento de empregados que se envolverem em mais de um projeto.

Apesar das promessas de ganho de produtividade, o uso de redes sociais corporativas não é para todas organizações, avalia Daniel Bittencourt, diretor de comunicação e redes sociais da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Estado (ABRH-RS). Deve estar combinada com uma política de gestão de pessoas propensa à participação dos funcionários e liberdade para desenvolver projetos.

— Algumas companhias enxergam outras usando as redes sociais corporativas e querem copiar, mesmo quando não tem a ver com seu modelo de gestão ou pouco acrescentem ao negócio. E então tomam a decisão errada — alerta Bittencourt.

Como funciona

É uma rede social semelhante ao Facebook, mas restrita aos colaboradores de uma empresa. Usuários acrescentam contatos, formam grupos, fazem reuniões online e atualizam o status com projetos nos quais estejam envolvidos.

Algumas empresas permitem participação também de fornecedores e parceiros. Empresas especializadas desenvolvem as redes, além de cuidar da hospedagem e compilar relatórios de uso. A organização que contrata pode personalizar o layout, e tem custo mensal entre R$ 1 e R$ 5 por usuário.

Para não fazer feio

Não publique fotos que pouco colaborem para sue reputação profissional.

Evite publicar críticas à empresa ou aos colegas e de abordar assuntos que não tenham relação com trabalho.

Seja cauteloso na conversa com os colegas, pois o administrador da rede pode ter acesso ao conteúdo dos bate-papos.

Lembre-se que a rede é somente para uso profissional e não serve para marcar festas e, menos ainda, passar cantadas.

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