Gestão de carreira

Inspire-se na Alemanha e atinja seus objetivos profissionais em cinco passos

Mestre em administração compartilha ensinamentos inspirados no país vencedor da Copa que é um exemplo de estratégia e planejamento

15/07/2014 | 07h02
Inspire-se na Alemanha e atinja seus objetivos profissionais em cinco passos Marcello Casal Jr./Agência Brasil
As práticas empreendidas por um time vencedor como a seleção da Alemanha na Copa também funcionam para empresas ou profissionais liberais Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
O futebol exibido durante a Copa do Mundo no Brasil provou que não apenas é um assunto sério, como, cada vez mais, é fruto de um complexo trabalho de longo prazo. Prova disso é a seleção alemã, que atingiu o êxito em virtude de um competente exercício de gestão embasado em fundamentos que podem ser aplicados tal e qual ao mercado de trabalho.

Assim como o futebol, a carreira profissional precisa de um modelo de gerenciamento. Quem garante é Airton Cicchetto, mestre em administração, consultor e palestrante empresarial. O especialista formatou um padrão lógico empresarial baseado em cinco passos que se aplicam desde empresas – sejam elas micro ou macro – até trabalhadores que queriam gerenciar as suas atividades da forma mais profissional possível.

– A Alemanha deu show de gestão, integrando talento e competência dentro e fora de campo. Executivos, gestores de negócios e empresários brasileiros, de todo e qualquer segmento, deveriam refletir e buscar lições sobre o que viram nas delegações, em especial na da Alemanha – diz.

Para Cicchetto, somente uma gestão eficaz da carreira pode potencializar o talento e a competência nas atividades profissionais:

– A competência se origina pelo monitoramento e estudo do adversário e definição de um padrão de jogo dinâmico que se alterna entre defesa e ataque. Este é o processo e, assim como nas empresas, a capacidade de cumpri-lo requer um trabalho eficiente de orientação técnica, competência individual e trabalho em equipe. Juntas, compõem as condições sine-qua-non para chegar à vitória – explica.

Confira abaixo os cinco fundamentos listados por Cicchetto:

 

1. Metas: a Alemanha definiu claramente sua meta, fez seu planejamento estratégico, traçou e cumpriu planos de ações para viabilizar a conquista do campeonato.

– É importante que todas as empresas tenham metas, que, nada mais são do que os ideais da empresa. Tais metas estão sempre alinhadas com a visão da empresa, em respeito aonde ela quer chegar. Todas as empresas têm praticamente o mesmo objetivo: satisfazer seu público de interesse e se perpetuar, claro. Já a meta é diferente: cada uma tem a sua.

 

2. Metodologia: o time alemão desenvolveu um trabalho de longo prazo com a mesma equipe e o mesmo técnico. O resultado é que todos se conhecem, entendem um ao outro, conhecem as regras e processos de dentro e fora de campo e cumprem seu papel. Tudo conforme previamente definido no padrão de jogo, isto é, no seu sólido processo.

– É o conjunto de práticas que a empresa acorda para regularizar as suas atividades, sejam elas fabris e operacionais ou administrativas, pois até mesmo as atividades de escritório precisam de metodologia.

E quando o assunto é profissional liberal? Para Cicchetto, a metodologia é ainda mais importante:

– Para cada procedimento a ser executado, o profissional tem de ter um método de realizá-lo. Quanto mais os métodos estiverem enraizados, mais sólida é a empresa, mais ela anda sozinha, menos intervenção superior exige e, por consequência, há uma ocorrência menor de erros e deslizes – pondera.

 

3. Excelência: todos, sem exceção, atletas e componentes da delegação alemã, tinham muito claras quais as expectativas do país e buscaram se diferenciar pela excelência para atingi-las. Trabalharam em conjunto e lutaram individualmente para cumprir sua tarefa, certos de que assim estariam contribuindo para fortalecer a equipe, cumprir o padrão definido para a partida e superar os adversários.

– A excelência só é obtida pela maximização da eficácia e da eficiência. A eficácia é você fazer a coisa certa com foco no resultado. Já a eficiência é executar isso ao que você se propôs de maneira bem feita, com foco no processo. Qual o sintoma de uma empresa sem excelência? Fragilidade, excesso de reclamações do público e de seus serviços prestados – ensina.

 

4. Monitoramento: com ajuda da tecnologia, surpreendeu a todos o nível de desempenho alemão. Sua grande diferenciação foi melhor utilizar as informações para estudar seus adversários, analisar forças e fraquezas, analisar também as próprias forças e fraquezas, identificar de onde viriam as ameaças e onde estariam as melhores oportunidades de jogo.

– É o que eu chamo de selfie da empresa. É quando a organização ou o profissional se mede, se avalia, se conhece e se compara com os demais. Por exemplo, quando se acredita que uma empresa está progredindo bem, é importante saber em comparação a quem. Por isso é tão importante ter uma linha comparativa para se monitorar e ter uma clara visão de si próprio.

 

5. Ambiente interno: esse foi o ponto alto da equipe alemã. Nas entrevistas e declarações do técnico e de seus jogadores após os jogos, todos se referiram ao trabalho da equipe, enalteceram o conjunto em relação aos valores individuais, demonstrando ser uma equipe unida e participativa.

– É a força motora de uma empresa quando o ambiente é bom, ou o obstáculo quando ele é ruim. Um ambiente interno saudável só é obtido com a participação de todos, dos mais diferentes níveis, com o alinhamento geral e a consciência das metas.

No caso do profissional liberal, o ambiente interno é ele próprio e por isso é tão importante cuidar de si:

– Se o trabalhador está mal, o negócio vai mal. Se dormiu pouco ou teve um sono de má qualidade, tudo se refletirá no desempenho ao longo do dia. Porém, quando ele está seguro e vive um momento positivo, ele transmite essa energia e o negócio também acaba propagando esse sentimento – conclui.

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