Mobilidade

76% dos jovens querem ter o próprio negócio

Principal meta de vida de dois em cada três brasileiros entre 25 e 35 anos é deixar de ter um chefe, de acordo com estudo

06/02/2017 - 09h00min | Atualizada em 06/02/2017 - 12h46min
76% dos jovens querem ter o próprio negócio Raquel Heidrich/Agencia RBS
Novas gerações não têm atração por passar dias sentados em um escritório. Buscam equilíbrio entre trabalho e vida pessoal Foto: Raquel Heidrich / Agencia RBS  

Claudia Chiquitelli
Especial

Setenta e seis por cento dos jovens brasileiros sonham em ter seu próprio negócio. A principal meta de vida de dois em cada três brasileiros entre 25 e 35 anos é deixar de ter um chefe. Os dados são da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e reforçam os resultados de crescimento da Freelancer.com, plataforma do setor e de crowdsourcing (colaboração coletiva). Em 2016, a empresa aumentou em 115% o número de usuários brasileiros.

Os bons resultados ocorrem após a aquisição da brasileira Prolancer e da espanhola Nubelo, passando de 2282.544 usuários cadastrados em dezembro de 2015 para 612.554 em dezembro de 2016 no país. A Freelancer observa que a tecnologia vem mudando a forma como as pessoas se relacionam, inclusive no trabalho, por conta da mobilidade. 

Esse fato leva as novas gerações a não ter atração por passar os dias sentados em um escritório. Eles buscam equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Para a plataforma de empregos, o talento é gerido como uma moeda internacional, na qual os funcionários são capazes de escolher quando, onde e com quem colaborar independentemente de barreiras geográficas.

Quinto lugar 

Estudo desenvolvido pela americana Expert Market sobre os países com empreendedores "mais determinados" coloca o Brasil em 5º lugar. De acordo com o Portal do Empreendedor — MEI , existem 6.162.245 microempreendedores no país. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que, em 2015, o número de profissionais autônomos aumentou 10,5% nos últimos quatro anos. Em número total, são 4,3 milhões de profissionais atuando por conta própria. Esse dado representa 19,3% da população ocupada.

Os trabalhadores que atuam no mercado dessa maneira contam que o atuar como autônomo tem os ajudado a gerenciar as finanças e a encontrar equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida. Esse é o caso de Manoel Araújo, que trabalhava como consultor na área de TI e hoje oferece seus serviços em uma plataforma on-line que, de acordo com ele, é a melhor oportunidade para prestadores de serviços e empresas, e consegue ter uma renda certa.

— É possível estimar uma renda fixa por mês com o serviço do Freelancer.com, pois essa ferramenta na web viabiliza de forma mais rápida a aquisição de novos jobs —  afirma.

Matheus Castilho, formado em cinema, se inscreveu na plataforma há menos de um ano, depois de ter perdido um de seus empregos fixos em decorrência da crise, para complementar a renda. Ele conta que os projetos realizados — trabalha como editor de vídeos — pelo site representam hoje 40% da sua renda. Castilho explica que a principal exigência das empresas de outros países ao contratar trabalhos de brasileiros é a comunicação em inglês. Muitas companhias costumam, inclusive, solicitar inglês fluente na descrição do projeto publicado. 

— Acredito que aproximadamente 40% dos clientes pedem uma conversa por skype em um segundo momento, principalmente as empresas ou projetos grandes. Nessa etapa, é fundamental se sair bem. Superado o inglês, o próximo grande desafio é mostrar para eles que podemos ser bons, independente de sermos de um país de terceiro mundo ou não. Muitos têm esse preconceito, então é necessário nos esforçarmos em dobrado, mostrando trabalhos relevantes e com qualidade para convencê-los de que temos capacidade técnica para executar o trabalho que eles estão oferecendo da melhor forma possível — orienta Castilho.

Dicas para disponibilizar trabalho na plataforma

Cadastro — Para quem pretende atuar como freelancer, é possível se cadastrar de maneira gratuita no Freelancer.com. Uma vez ativada a conta, o interessado pode construir um perfil, com informações sobre as atividades que realiza e expor seu portfólio. É importante incluir informações relevantes para chamar maior atenção dos empregadores e, assim poder ter acesso e visualizar as ofertas de projetos que são postadas diariamente no site. O profissional pode se candidatar livremente para tudo o que quiser.

Habilidade — É importante escolher uma área de habilidade, um nicho de competência e ir agregando valor para receber mais e melhores propostas de trabalho e aumentar o seu preço. 

Valores — O trabalho mais difícil de ganhar será sempre o primeiro, como em qualquer profissão. A vantagem de usar plataformas digitais é que ninguém irá estabelecer o preço do trabalho, exceto o profissional. E aqui entram em jogo as variáveis de mercado, é claro, mas principalmente a qualidade, prazos de entrega e histórico. Ou seja, quanto mais trabalhos realizados anteriormente em tempo hábil, mais chances de conquistar os projetos, podendo assim garantir um maior lucro. A sugestão é não querer ser o mais caro logo no início, mas colocar um preço decente e competitivo, ganhar boa reputação e depois ir aumentando o valor gradativamente, sempre de olho também na concorrência.

Brasil e exterior — Os freelancers cadastrados tem acesso a jobs para o mundo todo, inclusive o Brasil. Atualmente o site conta com mais de 50 mil empresas brasileiras cadastradas que publicam projetos na plataforma.

Fonte: diretor internacional do Freelancer.com, Sebastián Siseles


 






 
 
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