Encare a crise

Segurança x risco: quando vale a pena empreender

Com planejamento e muita dedicação ao próprio negócio dá para conseguir bons resultados mesmo em tempos de economia oscilante

14/09/2015 - 04h04min
Segurança x risco: quando vale a pena empreender Gabriel Renner/Arte ZH
Foto: Gabriel Renner / Arte ZH  

Largar tudo para abrir um negócio é uma ousadia impensável para muitos, mas há quem tenha apetite para se arriscar mesmo em épocas tormentosas. Após voltar de um intercâmbio em 2014, Cássio Mensch deparou com uma encruzilhada: aceitar um emprego promissor em uma indústria de bebidas ou associar-se a um grupo de amigos que recém abrira uma empresa.

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– Sempre quis empreender, mas ao mesmo tempo poderia ter a segurança de um emprego em uma grande empresa. Foi uma decisão difícil. Mas pensei que talvez fosse o momento de assumir um risco maior, principalmente por ainda não ter o peso de contas mensais com casa ou família – diz Mensch, 22 anos, estudante de Relações Internacionais.

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Cássio Mensch (à direita), decidiu associar-se a uma nova empresa - Foto: Adriana Franciosi

Decidiu se juntar aos sócios e formar a Plug Carregadores – que desenvolve dispositivos para preencher a bateria de smartphones nas mesas de bares e restaurantes. Os outros colegas também abdicaram de propostas para encarar o desafio. A economia fraca, que já se anunciava no ano passado, não assustou os jovens.


– Na crise, sempre há oportunidade para quem fizer algo diferente – lembra Mensch.

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Nos primeiros meses, a empresa fechou contrato com uma operadora de telefonia para patrocinar os dispositivos. Um franqueado já manifestou interesse em expandir o negócio a outras cidades. Não é apenas a audácia que está por trás da boa arrancada da Plug. Um planejamento maduro serviu de guarda-chuva para os jovens atravessarem a crise. O primeiro acerto foi pensar em um produto inovador, sem concorrente no mercado.

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A sociedade ocorreu entre pessoas com perfis diferentes: dois engenheiros com conhecimento técnico para pensar o produto, um designer para tornar o dispositivo mais bonito e prático, e dois com perfil de venda. É o que recomenda a cartilha do bom empreendedor: que haja cabeças diferentes para lidar com os vários desafios da companhia.

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Além disso, a empresa largou sem dívidas. Dois sócios criaram um sistema de entrega de pães a domicilio em seu condomínio para arrecadar fundos para o projeto. Durante oito meses, acordavam às 5h para entregar os pães antes de ir para seus estágios. Familiares ajudaram a bancar o resto.

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– Em chinês, o ideograma da crise é formado pelos símbolos de perigo e oportunidade. É uma mensagem a quem quer empreender. Com planejamento e estudo de mercado, é possível mesmo em circunstâncias adversas – afirma Jairo Tetelbom Seligmann, professor da Faculdade Senac Porto Alegre.

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Cuidados ao abrir um negócio em tempos de crise

— O tempo de retorno do investimento será mais longo. Portanto, procure ter uma segunda fonte de renda para os primeiros meses da existência do negócio. 

— Evite dívidas que possam se multiplicar muito em tempos de juro alto. Principalmente em dólares.

— A crise é marcada por certa saturação no mercado de consumo. Pense em produtos inovadores e úteis.  

— Inicie com uma estratégia clara e um planejamento que preveja os desafios mais próximos. Esse trabalho pode ser feito com ajuda de órgãos como Sebrae e Senac.

Veja todas as já publicadas no calendário abaixo:

O repórter Erik Farina produzirá as matérias da série Encare a Crise.


 
 
 
 
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