Economia

Encare a crise

Como evitar a armadilha das taxas altas dos fundos de investimentos

Cobranças podem fazer com que o rendimento final seja menor do que a inflação ou do que os ganhos na poupança

Erik Farina

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Uma das aplicações mais oferecidas por bancos e corretoras, os fundos de renda fixa têm potencial para multiplicar o dinheiro, mas também para drená-lo impiedosamente com altas taxas de administração.

Simulações de ZH (veja abaixo) com fundos DI (um dos tipos mais comuns, que perseguem a rentabilidade da taxa Selic, hoje em 14,25%) mostram que aqueles com taxas acima de 2% dificilmente conseguem um rendimento final que supere a inflação, e os acima de 3% podem dar resultados menores do que a caderneta de poupança.

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As taxas são comissões pagas ao administrador pelo trabalho de garimpar e investir em títulos ou ações. Em geral, são fixas – um percentual ao ano sobre o valor aplicado. Ou seja, se alguém tem R$ 10 mil em um fundo com encargo de 2%, terá de pagar pelo menos R$ 200. Outro tipo de cobrança é por performance, calculada sobre uma valorização acima de determinada meta, como a inflação, por exemplo. É mais comum em fundos mais agressivos.

O aclamado investidor americano Warren Buffett afirmou recentemente que a lição de investimento mais importante do mundo era ter cuidado com as taxas, muitas vezes omitidas pelos fundos e que "consomem capital loucamente". Se o assunto preocupa o bilionário, imagine o que sobra para o pequeno investidor. Um levantamento da consultoria de investimentos Empiricus mostra que taxas exageradas tiram R$ 2,8 bilhões do bolso de investidores todos os anos.

– Muitas vezes, quem está investindo olha apenas para a rentabilidade prometida, mas não para a taxa de administração. Calcular os custos é fundamental para não perder dinheiro – afirma o educador financeiro Jó Adriano da Cruz.

O risco é que essa cobrança seja tão alta que faça o rendimento líquido (aquele que efetivamente vai para o bolso do investidor, descontado as taxas e o Imposto de Renda) ser mais baixo do que a inflação ou do que outras aplicações, como CDBs, títulos do tesouro direto ou a caderneta de poupança.

– É preciso comparar os fundos com outros tipos de aplicações, não se deixando levar pela oferta do gerente, que, muitas vezes, quer vender o produto que é mais rentável para o banco – alerta Jó.

Conforme a Anbima, entidade que regula os fundos, as taxas podem variar por conta das características do produto ou pelo perfil das instituições. "A taxa não é o único elemento que o investidor deve considerar ao escolher um fundo. A decisão deve considerar também aspectos como a solidez da instituição financeira, o objetivo de investimento, a rentabilidade, as necessidades de liquidez e o perfil de risco do investidor", diz a Anbima em nota.


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