Encare a crise

Ao comprar imóvel, guarde dinheiro para as taxas e os impostos

Em Porto Alegre, ITBI é de 3% sobre o valor da nova casa, e deve-se colocar na conta também despesas com documentos e tabelionato

05/02/2017 - 21h25min | Atualizada em 05/02/2017 - 21h25min
Ao comprar imóvel, guarde dinheiro para as taxas e os impostos Gabriel Renner / Arte/ZH/Arte/ZH
Foto: Gabriel Renner / Arte/ZH / Arte/ZH  

A compra de uma casa nova envolve mais dinheiro do que o valor dado como entrada ou a parcela a assumir com o financiamento. Corretores costumam sugerir que compradores reservem de 5% a 8% do valor do imóvel para gastos extras, como taxas de registro em cartório, imposto de transferência, pagamento pela vistoria e os custos de mudança. 

Em Porto Alegre, paga-se 3% sobre a avaliação da casa ou apartamento como Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), ainda durante os procedimentos de registro, antes da mudança. O valor varia conforme cada município, e a quitação dessa taxa é fundamental para que o imóvel passe para o nome do novo proprietário.

– O pagamento deste imposto deve ser feito antes da lavratura da escritura, e o tabelião tem o dever de conferir o pagamento da guia emitida pela prefeitura do município – afirma Danilo Alceu Kunzler, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção RS.

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Os emolumentos (valores pelos serviços prestados pelos tabelionatos de notas e registros de imóveis) são fixados por lei estadual. São iguais para todo o Rio Grande do Sul, independentemente do tamanho da cidade e do número de habitantes, mas variam conforme o valor da casa ou do apartamento. Os imóveis mais baratos se enquadram em faixas mais baixas. 

Os gastos com documentos, tabelionato e taxa de registro podem passar de R$ 2 mil. Muita gente não sabe, mas a legislação determina um desconto de 50% no custo de registro e na escritura para quem estiver comprando o primeiro imóvel pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Embora seja lei, é importante pedir o desconto no cartório para evitar perder a vantagem. O principal custo junto ao banco durante o pedido de financiamento está na vistoria do imóvel, que varia conforme cada instituição financeira – na Caixa, custa R$ 2,2 mil. 

O planejamento para a mudança não para por aí. O comprador precisa estar atento aos custos no novo lar, como condomínio mensal e IPTU, cobrado anualmente. Imóveis maiores e em bairros valorizados pagam mais imposto; unidades em condomínios mais antigos e com menor número de unidades tendem a ter custo de condomínio mais alto, em razão das constantes obras e manutenção. 

– O condomínio pode demandar reformas ou chamadas extras a ponto de comprometer o orçamento da família – alerta Marcelo Bettio, diretor da Alphaplan Inteligência em Pesquisas, empresa que organiza o Índice de Expectativa do Mercado Imobiliário (IEMI).

OS GASTOS COM A CASA NOVA

Documentos, taxas e registros

- Faça um orçamento de quanto deverá ser necessário gastar com registros, certidões, fotocópias, ITBI, vistorias etc. E reserve este valor.

- Na Capital, o ITBI é de 3% sobre o valor do imóvel. Ou seja, R$ 6 mil em uma casa de R$ 200 mil.

- As certidões negativas de ônus e os selos do Tribunal de Justiça saem em torno de R$ 150.

- O custo de tabelionato varia conforme a faixa de valor do imóvel: para um imóvel de R$ 200 mil, esse gasto seria de R$ 1.025.

- Há a taxa de registro, que também muda conforme o valor do imóvel: para uma unidade de R$ 200 mil, custaria R$ 981.

- A legislação determina um desconto de 50% nos custos de cartório e registro para quem estiver comprando o primeiro imóvel pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O mutuário preenche uma declaração e pede o desconto no ato do registro.

Financiamento

- Prepare-se para arcar com a taxa de vistoria de imóvel, cobrada pelos bancos para avaliar o estado de conservação e a segurança da construção. O preço varia.

- Ao contratar um financiamento imobiliário, a lei determina que se adquira dois seguros: Morte e Invalidez Permanente e Danos Físicos dos Imóveis. Mas é comum que os bancos ofereçam outros seguros embutidos no financiamento, como elétrico ou contra roubo ou furto. Cabe ao cliente aceitar ou não. 

- Todos os adicionais incidem sobre cada parcela e formam o chamado Custo Efetivo Total (CET). Observe o peso dessas taxas, não só dos juros.

- Fique atento às exigências do banco para liberar o financiamento. Muitos oferecem um juro mais baixo para clientes, mas isso pode sair caro, com tarifas altas para cartões de crédito, seguros ou cheque especial. 

Condomínio e IPTU

- Informe-se com o antigo proprietário ou vizinhos sobre o custo de IPTU e condomínio, para verificar se caberá no seu orçamento.

- Verifique o número de unidades do novo empreendimento: os gastos nas chamadas extras são divididos entre os condôminos. 

- Quanto mais alta a idade do condomínio, maiores os gastos com manutenção e reformas.-Observe o tamanho das áreas do condomínio, como jardins, salões de festas, piscinas, web space e playground. Todos sofrem com desgaste e manutenções periódicas. 

- Alguns empreendimentos já vêm com selo de eficiência energética e tecnologias de reaproveitamento de água. Essas medidas são importante para redução de custos.

Fontes: Alphaplan Inteligência em Pesquisas, Associação de Defesa do Consumidor Proteste, Colégio Notarial do Brasil - Seção do Rio Grande do Sul e Caixa Econômica Federal.

 
 
 
 
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