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Mosaico mexicano

Capital do México e seus arredores oferecem ao visitante cultura, diversão, história e religiosidade

Visto para brasileiros é emitido na hora, via internet, e tem validade de 6 meses

31/07/2012 | 08h06
Capital do México e seus arredores oferecem ao visitante cultura, diversão, história e religiosidade Lúcio Charão/Agencia RBS
A Plaza de la Constituición é cercada pela Catedral Metropolitana e pelo Palácio Nacional, além de ser a terceira maior do mundo Foto: Lúcio Charão / Agencia RBS

Entre passado e futuro, a história do México é escrita em diferentes cores e dialetos. A sua trajetória é marcada por belas paisagens, danças e músicas folclóricas, antropologia e misticismo. Dominado há séculos pelos espanhóis, o povo mexicano - mestiço de brancos hispânicos e índios - não sucumbiu à colonização e se tornou independente em 1836. É nesse mosaico cultural que também se tece a história da capital do país, a Cidade do México, que tem 17 milhões de habitantes.

Rodeada por uma exuberante vegetação e construções de concreto, a capital é árida. Do alto de seus 2.240 metros acima do nível do mar, a escassez de ar não é um empecilho, nem mesmo para quem não está habituado a enfrentar altitudes.

A EFERVESCÊNCIA DO CATOLICISMO

Devotos de joelhos cumprindo promessas. Pessoas de todos os cantos do mundo. É assim o cenário encontrado por quem passa pelo complexo religioso de Guadalupe. A Basílica, principal atrativo do local que reúne quase 10 igrejas católicas, foi construída há 35 anos. Em formato de círculo, pode abrigar 10 missas ao mesmo tempo: uma no templo principal e outras nove em capelas com som independente situadas no segundo andar. Com 89% da população nacional declarada católica, a efervescência dessa religião também é vista à frente da imponente Basílica, onde uma estátua de bronze do papa João Paulo II impera rodeada por igrejas e fiéis. Ainda nesse complexo religioso, o que não faltam são imagens de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira do México, homenageada em 12 de dezembro.

MISTO DE CORES E DANÇAS

O rufar dos tambores na apresentação do Balé Folclórico da Cidade do México é impressionante. A beleza da variedade de cores mesclada à vastidão de ritmos que soam dos instrumentos deixa qualquer espectador boquiaberto. Índios, baterias, chocalhos, lenços, inúmeras trocas de roupa, sombreros, sapateadores, entre outros adereços protagonizam uma viagem pela história do México. A maestria dos músicos e dançarinos com instrumentos como violões, acordeões, baterias, cavaquinhos e violinos é digna de uma nova visita à apresentação de pouco mais de uma hora. O turista não imagina que a estrutura revitalizada do prédio do Palácio Nacional de Bellas Artes – com mais de 150 anos de existência – foi, um dia, um abrigo para tratamento de doentes. 

TERCEIRA MAIOR PRAÇA DO MUNDO

Um mar de gente se acotovela no pulsante coração da Cidade de México. No centro dessa multidão, uma imponente bandeira com 35 metros tremula com o sopro do vento. Ao redor, a Catedral Metropolitana, os prédios do Palácio Nacional, onde o presidente Felipe Calderón despacha diariamente, e a sede do governo, onde 12 ministros trabalham. Trata- se da Plaza de la Constituición, a terceira maior de convívio público do mundo, com 150 mil metros quadrados. A vasta estrutura de concreto, quase sempre abarrotada de turistas e ávidos vendedores ambulantes, perde em tamanho apenas para a Praça Vermelha, em Moscou ( Rússia), e a Praça da Paz Celest ia l, em Pequim ( China).

TRÂNSITO DA METRÓPOLE EXIGE MUITA PACIÊNCIA

Um passeio ao longo dos 14 quilômetros da Avenida Paseo de La Reforma – que corta a cidade de leste a oeste – proporciona uma viagem aos 4 mil anos de história mexicana: um misto de cores, artes, danças, antropologia, misticismo e música. Esse tour por uma das principais vias da Cidade do México – há, ainda, a Avenida Insurgentes, que tem 33 quilômetros e cruza o município de norte a sul –, onde se avistam cocares e sombreros, permite também que o visitante experimente pimentas de diferentes sabores e vislumbre estátuas que falam por si só. Porém, metrópole de trânsito caótico, uma das maiores capitais da América Latina pede paciência ao turista, respondendo a ele que a calma vale a pena. Caso a volta pelo exótico território do Distrito Federal seja de metrô, a recomendação pode ser, mais uma vez, tranquilidade. Os 180 quilômetros de túneis que cortam a capital são o meio de transporte mais importante e barato. Cerca de 6 milhões de pessoas se espremem diariamente utilizando o subterrâneo da Cidade do México para chegar a diferentes regiões do município.

DE OLHO NO BRASIL

Donos do 14 º Produto Interno Bruto ( PIB) do mundo, os mexicanos têm no turismo sua terceira fonte de renda. Em 2010, o país recebeu 22,4 milhões de turistas, que injetaram US$ 11,8 milhões. A previsão do governo é otimista sobre o crescimento do PIB, e com planos que colocam os brasileiros no topo da lista de pretensões. – Não somos apenas sol e praia. Queremos mostrar ao mundo o mosaico que é o México. Temos cultura, diversão, história. Em 2008, tivemos 76,5 mil turistas brasileiros. Para 2018, a projeção é de 553 mil pessoas – garante o diretor do Conselho Nacional de Promoção Turística, Elijio Serna Najera.

MUSEU NACIONAL DOLORES OLMEDO


Foto: Lúcio Charão/ Agência RBS

Dono de um rico acervo de arte popular, arte pré- hispânica, pinturas de Angelina Beloff, Diego Rivera e Frida Kahlo, o Museu Nacional Dolores Olmedo é um destino quase imperdível. Situado em uma área distante 25 quilômetros da Cidade do México, já no bairro de La Noria, a mansão que até 2002 era o endereço da socialite Dolores Olmedo é repleta de cachorros, pavões, áreas verdes, palcos e uma centena de salas de exposição. Ostentando 150 obras de Rivera e 26 de Frida, as coleções de pinturas a óleo e a casa que as abriga estão avaliadas em US$ 450 milhões. Retratos da violência, como assassinatos, abortos e sangue, e exposições de teor mais brando, como autorretratos de Frida, além de fatos do cotidiano antigo do México, compõem o museu. Dolores Olmedo, ou Dona Lola, tinha 20 anos quando conheceu Rivera, então com 42 anos, amigo de sua mãe. O pintor ficou tão encantado com a jovem que imediatamente pediu licença à amiga para que a filha posasse para ele. Ali nasceu uma relação amorosa que duraria quase 30 anos, até a morte de Rivera, aos 71 anos.

OS MURAIS DE DIEGO RIVERA

Um dos ícones das artes plásticas do México, Diego Rivera ( 1886- 1957), que pintou mais de 3 mil quadros, tem uma exposição permanente no Palácio Nacional. São mais de 10 murais do pintor, emoldurados nas paredes do histórico prédio erguido em 1551. Boa parte dos 4 mil metros quadrados de obras de Rivera, distribuídas no palácio intitulado como A Epopeia do Povo Mexicano, revisitam o país em várias épocas, que vão desde os confrontos entre índios e espanhóis, a poligamia, o alcoolismo e as belezas naturais, entre elas, as pirâmides de Teotihuacán. Os homens da Polícia Federal, espalhados por todo o prédio do palácio, restringem uma série de objetos na entrada ( que é gratuita), como óculos escuros, canetas e lápis e flashes na hora de fotografar.

O MÉXICO VISTO PELO PASSADO

Composto por cinco grandes salas, o Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, funciona de terça a domingo. O belíssimo prédio, desenhado pelo arquiteto mexicano Pedro Ramires Vasquez, que projetou, entre outras obras, o Estádio Azteca e a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, reúne milhares de anos da mística história mexicana. Culto à água, ao fogo, ao vento, aos dragões e às serpentes. Esculturas sem cabeça, monumentos esotéricos, personagens que teriam vida após a morte e civilizações que até hoje deixam lacunas sobre seu modo de viver se apresentam por meio de cerâmicas e máscaras no museu, que propicia uma verdadeira viagem no tempo. Há, ainda, um belo lago artificial com carpas e tartarugas em meio às salas.

CENTRO HISTÓRICO

A Rua Madero, onde há o calçadão do Centro Histórico da Cidade do México, é um misto de cores, cheiros, limpeza, tecnologia e antiguidade. O convite aos turistas fica por conta das lojas que vendem desde produtos artesanais e suvenires até grifes com artigos que passam da casa dos US$ 10 mil. Há, ainda, fartas opções de gastronomia mexicana à disposição em diferentes restaurantes.

UMA VOLTA DE TURISBUS

Que tal um city tour com um vento no rosto? O turisbus – ônibus de dois andares, cuja parte superior é aberta – opera 365 dias por ano. O tour oficial, guiado em seis línguas, é uma boa forma de conhecer boa parte da capital mexicana em poucas horas.

BEM- VINDO A TEOTIHUACÁN

O mistério envolto na vida mexicana é posto à prova em Teotihuacán, a 42 quilômetros da Cidade do México. Em meio a pelo menos 20 pirâmides, o visitante depara com o local que foi o centro econômico mexicano pré- hispânico por mais de 1,1 mil anos. A comunidade teve 180 mil habitantes que acreditavam piamente no significado da origem do nome Teotihuacán: cidade onde homens se convertem em deuses. O apogeu dessa era foi 50 anos após sua fundação, em 450 a. C. Já o término da existência desse povo, que vivia da caça e da pesca para sobreviver, foi em 1100 d. C. As pirâmides da Lua, com 40 metros de altura, e a do Sol, com 63 metros e 365 degraus, são os principais atrativos. Aos turistas, recomenda- se que, no dia da visita, usem protetor solar e estejam descansados, uma vez que o ar rarefeito da latitude deixa uma sensação de cansaço incomum.

O PAÍS EM NÚMEROS

:: 113,7 milhões de habitantes

:: 14 ª economia mundial

:: Mais de 5 mil quilômetros de praias às margens dos oceanos Atlântico e Pacífico

:: 62 etnias

:: 57 aeroportos internacionais

:: 28 aeroportos nacionais

:: Destino número 1 de chegada de cruzeiros

:: 623 mil leitos de hotel

:: 40 sítios arqueológicos espalhados pelos 32 estados do território

:: 174 áreas naturais protegidas

 
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