Doutor do riso

Patch Adams: "Nunca é tarde para uma revolução de amor"

Médico que inspirou filme falou com voluntários e visitou pacientes no Hospital São Lucas

13/12/2012 - 13h44min
Patch Adams: "Nunca é tarde para uma revolução de amor" Fernando Gomes/Agencia RBS
Médico evita a imprensa, mas mantém irreverência com a equipe do hospital Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS  
A história do médico que usa roupas de palhaço e faz brincadeiras com pacientes em hospitais fez sucesso no cinema com o filme Patch Adams — O amor é contagioso, estrelado por Robin Williams, em 1998, e inspirou iniciativas semelhantes pelo mundo todo. Uma delas foi conhecida pelo verdadeiro Patch Adams, em Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira.

O médico norte-americano de 67 anos falou com voluntários que seguem a receita de incluir alegria e brincadeira no cotidiano de hospitais de Porto Alegre e visitou pacientes do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) com a ONG Doutorzinhos.

— A história do Doutorzinhos se divide em antes e depois da visita do Patch Adams. Ele aceitou nosso convite porque reconhece nosso trabalho, sabe que nós também temos a missão de levar amor e carinho aos hospitais — diz o fundador da ONG, Maurício Bagarollo.

Apesar da visibilidade que o filme deu à sua história, o verdadeiro Patch Adams não tem muita paciência com as câmeras. Desde que chegou à Capital, tem evitado a imprensa. Concordou em conceder uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, mas era visível a mudança de humor entre a conversa com a mídia e o papo com os voluntários.

— Tudo o que eu faço é para acabar com a violência e a injustiça, mas o que a mídia quer é o médico palhaço — disse ele, que não permitiu que jornalistas acompanhassem sua visita pelo hospital.

Confira galeria de fotos de Patch Adams em Porto Alegre


VÍDEO: Patch Adams visita o Hospital São Lucas




Em 1972, Patch fundou o Instituto Gesundheit, em West Virginia, uma das regiões mais pobres dos Estados Unidos. O instituto presta assistência gratuita aos pacientes — Patch viaja pelo mundo fazendo palestras para ganhar dinheiro e poder fazer medicina sem cobrar por isso. Visita, também, áreas críticas em situação de guerra, pobreza e epidemia, tornando-se um ativista pela paz mundial.

— Nunca é tarde para uma revolução de amor — defendeu.

O segredo para isso, aconselhou, é se espelhar nas mães, como ele se espelha na dele para ser um homem bom:

— Para criar um sistema baseado na compaixão e na generosidade basta olhar o modo como qualquer mãe trata seus filhos.

Para Patch, o amor é uma inteligência, não um sentimento, e deveria ser ensinado na escola, como se ensina matemática. Enquanto a mídia, o capitalismo e as guerras atrapalham esses planos, Patch se esforça para fazer chegar a mensagem de alegria para aqueles que lutam pela vida no mundo de desigualdades que ele tenta remendar.

A última programação de Patch Adams em Porto Alegre será uma palestra, às 14h, no teatro do prédio 40 da PUCRS, com o tema "Vivendo uma vida de alegria".


"Esta árvore representa a Amazônia. Protejam a Amazônia como suas vidas", disse Patch ao plantar uma árvore no pátio do hospital. Foto: Fernando Gomes
 
 
 
 
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