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Gastronomia

Em Londres, pode-se alinhar os prazeres do teatro e da boa comida

Na última década, uma dezena de restaurantes interessantes abriu nos arredores do West End

28/02/2014 | 03h10
Em Londres, pode-se alinhar os prazeres do teatro e da boa comida Luke Tchalenko/NYTNS
O Social Eating House tem uma atmosfera de casa noturna, além do serviço rápido Foto: Luke Tchalenko / NYTNS

Comer em um bom restaurante leva tempo, e o tempo é precioso antes ou depois do teatro. Ou você está comendo cedo, na pressa de ver as cortinas se abrirem, ou já está tarde e você está pronto para ir para a cama. Em ambos os casos, um excelente jantar de duas horas é improvável.

Isso pode explicar por que, tradicionalmente, os melhores restaurantes não costumam ficar lotados em bairros de teatros, e por que os restaurantes encontrados nessas regiões preferem priorizar a eficiência acima de qualquer outra coisa. No entanto, em Londres, pelo menos, esse não é mais o caso. Na última década, mais de uma dezena de restaurantes interessantes abriu no coração — ou a apenas algumas quadras — do West End. Alguns vieram e se foram, e eu escrevi sobre alguns outros (mais notavelmente o Quo Vadis, que segue em modo de espera). Hoje, porém, com a oferta abundante a região merece uma boa pesquisa.

Estes não são estabelecimentos que vivem e morrem com as peças. Eles são simplesmente bons restaurantes que abriram portas perto de teatros, aos quais eles às vezes fazem um aceno — como um cardápio para antes da peça. Isso os torna atraentes para quem não deseja abrir mão de uma noite de gastronomia só porque há uma boa atração no calendário.

Um lembrete: reserve sua mesa com antecedência. Bastante antecedência, se possível. A maioria destes restaurantes é extremamente popular, e o horário nobre é logo antes do teatro.

Social Eating House

O Social Eating House, de Jason Atherton, é o mais ambicioso do grupo, o que não é uma surpresa. Discípulo de Gordon Ramsay, ele também comanda o Jason Atherton's, um restaurante em Mayfair que combina elegância com uma comida espetacularmente gratificante — de uma forma que poucos conseguem.

Ele é interessante, incomum e divertido, talvez melhor para depois do teatro —, pois a comida é tão sedutora que fica difícil sair de lá em menos de duas horas. O serviço é rápido e a atmosfera vai além do casual, como uma casa noturna: as paredes nuas, o teto espelhado e pouca mobília.

E a comida, nada refinada, é profunda, sombria, complexa e repleta de sabor. Se há algumas coisas bobas — é difícil imaginar alguma comida que fique mais saborosa quando servida em vidros do que em tigelas ou potes pequenos —, elas podem ser relegadas a uma tentativa de ser diferente.

Social Eating House, 58 Poland St.; socialeatinghouse.com. Jantar para dois sem as bebidas, cerca de 70 libras (US$110, com a libra a US$1,60).

Green Man & French Horn, Terroirs

O Green Man & French Horn, inaugurado há 18 meses, e o Terroirs, que existe desde 2008, são parecidos o bastante para uma avaliação conjunta. Eles pertencem ao mesmo dono e ambos são, eu imagino, o que se poderia chamar de "wine bars" (bares de vinho), ou, me perdoe, "gastro pubs" (pubs gastronômicos). O que significa dizer que eles vendem uma comida decente ou melhor, e muitos bons vinhos por taça.

O que vi foi uma comida francesa rústica e bem preparada, servida com vinhos de bom preço e qualidade. Dizer que a comida é direta seria o eufemismo do ano: rabanete com ovas de bacalhau defumadas; escargot, raiz de salsinha e cogumelos; mariscos com alecrim e limão siciliano; crepe de trigo sarraceno com queijo e presunto. Tudo muito agradável.

O Green Man trabalha com preço fixo do meio-dia às 19h: um prato, 10 libras; dois, 14,50 libras; três, 16,50 libras; e bons vinhos por 4 libras a taça. Você não encontrará melhor negócio para uma culinária tão boa.

Green Man & French Horn, 54 St. Martins Lane; greenmanfrenchhorn.co. Terroirs, 5 William IV St.; terroirswinebar.com.

Brasserie Chavot

O Brasserie Chavot possui uma estrela Michelin, mas não se incomode com isso. O serviço é lento, mas inofensivo e pode ser acelerado; o salão parece bastante requintado.

O chef é Eric Chavot. Após trabalhar com os devidamente venerados Pierre Koffman e Raymond Blanc, ele recebeu merecidas duas estrelas Michelin no Capital Hotel, em Knightsbridge. Depois disso, muitos esperavam que Chavot fosse em busca de estrelas. Em vez disso, ele decidiu permanecer silenciosamente clássico e executar a familiar culinária francesa muito, muito bem. Isso é um presente: um chef comprovadamente grande refreando suas ambições e explorando um pequeno paladar em profundidade. Você poderia — bem, pelo menos eu poderia — alegremente comer aqui todos os dias.

Com todos os restaurantes por aí apostando na chamada comida de bistrô, aqui está alguém que não faz filé com fritas, mas sim verdadeiros pratos locais favoritos — e os faz de forma magnífica. Não é uma proposta barata, mas é algo muito legal de se ver.

Brasserie Chavot, 41 Conduit St., brasseriechavot.com. Um jantar para dois, sem as bebidas, lhe custará pelo menos 65 libras, e isso com dois pratos. Pense em 95 libras em uma conta de bar, e você não ficará tão chocado.

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