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Eu estive lá

Paraty, no Rio de Janeiro, encanta principalmente pela história

Leitora conta como a jornada histórica de Paraty a deixou tão charmosa

04/03/2014 | 17h33
Paraty, no Rio de Janeiro, encanta principalmente pela história arquivo pessoal/Arquivo Pessoal
Para Maria Helena, Paraty é um paraíso na Terra Foto: arquivo pessoal / Arquivo Pessoal

Paraty excede os limites de qualquer elogio. Chega-se por mar, com sua tela montanhosa e verde selvático de fundo. Compreendo com rapidez a frase que o navegante Américo Vespúcio pronunciou quando pisou as praias da baía: "Oh! Deus! Se haveria um paraíso na terra, não estaria longe daqui". O marinheiro caiu seduzido por uma baía demasiado bonita para ser real: praias de areia branca, água azul-turquesa, vegetação exuberante, cascatas, lagos, uma atmosfera doce que se pega ao corpo como uma segunda pele.

A história de Paraty é uma inverossímil sucessão de jogos de espelhos e casualidades. A igreja de Nossa Senhora dos Remédios, por exemplo, foi construída graças a um tesouro pirata encontrado em Trindade, uma praia nos arredores. E outro paradoxo: a incomunicação de Paraty foi a chave de seu esplendor. Seu quase inacessível porto se converteu no principal ponto de saída do ouro que a Coroa Portuguesa trazia desde Minas Gerais. O denominado Caminho do Ouro, de grandes paralelepípedos cravados entre a Mata Atlântica, transcorre a escassos quilômetros de Paraty.

Pouco depois de construir-se o Caminho do Ouro, começava a crônica de um paraíso anunciado. Nascia a Paraty legendária, a cidade mais cobiçada pelos corsários do trópico, a capital do ouro, dos maçons, do tráfico de escravos, a cidade do café e de uma aguardente de renome, a Paraty que se enfeitou de fina arquitetura com detalhes maçônicos (relevos nas fachadas das casas) durante a bonança do ouro, até o século 18, a mesma que séculos depois atraiu artistas e boêmios de todo o planeta.

Caminhar pela cidade requer um equilíbrio especial: suas ruas estão asfaltadas com os célebres pés-de-moleque, paralelepípedos irregulares que cobrem o local desde a dominação portuguesa. Cada detalhe confirma a designação de Paraty como Patrimônio da Humanidade — não é nenhum capricho.

Tudo emana uma estranha harmonia atemporal. Casas brancas de janelas azuis e telhas vermelhas. Praças como a da Matriz, semeada de verde, de interminável paz. Igrejas como a de Santa Rita, plantada frente a um mar azul, verde e transparente ao mesmo tempo. O oceano é tão límpido nesta baía que os índios pensavam que somente de banhar-se em sua águas os enfermos se curavam de tudo. Para confirmar sua atmosfera aquática, basta dizer que Paraty, em língua tupi, significa "pez de rio", o "viveiro de peixes".

Continuando a imaginar, fecho os olhos, saturados de areia branca, e vejo Marcello Mastroiani caminhando entre os pés-de-moleque do paraíso. Ocorreu na película Gabriela, adaptação do livro de Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela, que rodou em Paraty.

*Maria Helena Dias Rocha, de São Luiz Gonzaga, é professora aposentada

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