No Exterior

Compras às cegas: qual dólar você paga no cartão de crédito?

Diferença entre a taxa de câmbio cobrada pelos bancos para os gastos no Exterior e a cotação comercial do Banco Central chega a até 5,43%

23/07/2014 | 05h02
Compras às cegas: qual dólar você paga no cartão de crédito? Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A taxa usada pelos bancos para converter em reais os gastos em moeda estrangeira no cartão de crédito descolam — para cima, é claro — dos monitorados pelo Banco Central (BC). Pesquisa realizada pela associação de consumidores Proteste, em parceria com o economista Samy Dana, mostra que o câmbio na fatura pode ser até 5,43% superior ao dólar comercial divulgado pelo BC.

A instituição calcula diariamente um valor de acordo com o preço médio do dólar em negócios entre os bancos, mas, como o valor é flutuante, cada banco pode definir uma taxa ao consumidor.

No caso em que a diferença é mais elástica, alguém que tenha gasto US$ 1 mil no cartão em uma viagem internacional, pagará R$ 2.210 no vencimento se a fatura usar a cotação idêntica à taxa do BC. Mas, pelo câmbio do banco, pagará R$ 2.330 – uma diferença de R$ 120.

— Cada banco cobra o que acha que deve, mas a fórmula desse cálculo não é realizada com transparência — afirma o economista Samy Dana.

Conforme o Banco Central, não há regulamentação que oriente a conversão, mas os bancos são obrigados e informar, no contrato, as formas de cálculo para as despesas em moeda estrangeira. O risco em fazer uma compra em dólar e desconhecer o valor que efetivamente será pago é agravado porque a conversão ocorre apenas no pagamento da fatura — e não no momento do gasto, alerta a Proteste.

Tabela1


Entidade pede valor da moeda no dia do gasto

Ou seja, se alguém gastar US$ 500 em compras nas férias com o dólar a R$ 2,22, terá que pagar R$ 40 a mais se a moeda estiver R$ 2,30 na volta — sem levar em conta a diferença do câmbio do banco para o do BC.

— Seria importante que a conversão para reais pudesse ser feita no dia da compra, para que a pessoa soubesse exatamente o quanto terá de pagar — afirma a diretora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci.

Como evitar fatura mais cara

— Procure fazer os pagamentos mais altos, como entradas de museus, hotéis e passagens, ainda no Brasil, pagando em reais.

— Escolha diferentes formas de pagamento, usando também cartões pré-pagos e dinheiro em espécie.

— Informe-se com o banco sobre o método para fazer a conversão, de forma a estar preparado para a fatura que irá receber.

— Pesquise no site febraban-star.org.br as taxas de câmbio cobradas por cada banco e opte pela que mais se aproxime do dólar comercial.

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