Não há o que não haja

Mercado pet se especializa para atender às necessidades e aos luxos dos bichinhos de estimação

12/05/2015 - 12h30min
Mercado pet se especializa para atender às necessidades e aos luxos dos bichinhos de estimação Marcelo Oliveira/Agencia RBS
Para entreter o gato Nero, Aline contratou um serviço de design especializado para pets Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS  

Ofurô para relaxar, coleiras de cristal para ostentar, salão de festas para comemorar, motel para acasalar… não há o que não exista para agradar um bichinho de estimação. A franca expansão do setor (que confere ao Brasil o título de segunda economia pet do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos) é fruto de uma mudança da relação entre pessoas e animais domésticos — os últimos, cada vez mais humanizados. E o resultado é uma oferta de produtos e serviços tão especializados que chegam a suscitar a pergunta: tudo é mesmo necessário ou há exageros?

— Tem animais que são transportados em carrinhos de bebê, quando, na verdade, deveriam estar correndo, se movimentando, se mexendo, brincando  — pondera o especialista em varejo pet André Prazeres, porta-voz da Comissão de Animais de Companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Comac/Sindan).

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Demasias como essa, no entanto, representam menos de 1% do total de serviços oferecidos para pets, de acordo com estimativas dos especialistas. Em geral, destacam-se as regalias que são tão úteis para bichos como são para os homens: planos de saúde, nutrição diferenciada, creche. 

— Não existe mais aquela ideia de que os animais de estimação ficam do lado de fora da casa. Hoje, eles são entendidos como membros da família e, portanto, tratados como tal — afirma o empresário Rodrigo Albuquerque, sócio-diretor da Petland, uma rede de franquias de petshops.

Assim, se os pais levam os filhos à escola, dão um último cheirinho antes de eles entrarem na sala e entregam à professora a mochila que contém mudas de roupa, por que não fazer isso com seus pets? Na PetCreche, é assim que acontece. Tem até aquela velha dicotomia entre a turma do fundão (os mais bagunceiros) e os CDFs, que prestam atenção em cada atividade proposta. Só que os alunos são vira-latas, labradores, yorkshires e outros cães, de todos os portes e raças.

— É como se fosse uma escolinha infantil — diz a dona da PetCreche, a jornalista Rafaela Graziottin.





O lugar é especializado em lazer e recreação de cachorros, uma alternativa para quem passa o dia fora e fica angustiado em deixar o animal de estimação sozinho no pátio ou trancado no apartamento. Na escolinha, eles convivem entre si e se divertem — o propósito é justamente estimular os instintos naturais que possam ter sido perdidos na domesticação.

Nesta comparação entre crianças e pets, também não é de se estranhar se alguém queira instalar brinquedos e peças lúdicas na casa, para que o bichinho possa se entreter. No caso da psicóloga Aline Peixoto, dona de um gato chamado Nero (não é à toa que se comporta como imperador), fazer isso foi uma recomendação médica:

— O veterinário avaliou meu apartamento, constatou que o Nero estava muito terrestre e recomendou que eu impusesse desafios a ele.

Ela contratou, então, o serviço do Se Essa Casa Fosse Minha, empresa que projeta e executa peças de design exclusivamente para pets. Nas paredes, sucedem-se prateleiras, caminhas, pontes e arranhadores que permitem a Nero se exercitar, sem atrapalhar o conforto da dona da casa. O trio Douglas Alves, Aline Klein (designers de produto) e Alex Barcelos (projetista) cria elementos em madeira que satisfazem, ao mesmo tempo, cliente e animal de estimação, com o cuidado de não poluir visualmente  o ambiente.

— Elaboramos peças que formem um circuito, mas em harmonia com o estilo da casa e da dona. A Aline é clean, então optamos por uma cor mais neutra, como o cinza, e não por peças supercoloridas como temos na nossa casa — conta Alex, revelando a origem da ideia: ele e a namorada, que já tinham um cachorro, adotaram um gato, e o atrito entre os dois bichos tornou obrigatória alguma intervenção.

Algumas semanas depois, a solução caseira virou profissão. Quatro clientes aguardam na fila de espera por um projeto personalizado, cuja base é a sustentabilidade: a maioria dos produtos é feita de tábuas de madeira garimpadas em depósitos ou que sobraram de algum outro serviço — o que torna a execução mais barata para o consumidor. De acordo com eles, os conjuntos de peças desenvolvidos até então variaram entre R$ 700 e R$ 1 mil, dependendo da mão de obra, do tamanho do ambiente, dos materiais e da complexidade de cada projeto.

— Quando eu estava pesquisando no mercado, apenas um bom arranhador custava quase R$ 600 — diz a dona de Nero, que hoje já observa mudanças no comportamento "destruidor" do gato: ele está mais calmo e menos arredio.

Números do mercado pet

— Existem 33.480 petshops no Brasil, das quais 5% fazem parte de grandes redes
— O mercado pet cresceu quase 10% ano passado, em relação a 2013, com receita estimada de US$ 98 bilhões
— O Brasil é o segundo colocado no ranking (perde apenas para os EUA), com 8% do mercado mundial.
— O segmento de serviços representa 15% do mercado pet brasileiro
— O total da cadeia produtiva do mercado pet em 2014 foi estimado em R$ 20,2 bilhões
— No Brasil, há 640 canis, 358 gatis e mais de 6,5 mil criadouros de aves, répteis e outros animais, ultrapassando 480 mil empresas ligadas à criação de animais.
— No Brasil, o gasto médio mensal com animais de estimação é de R$ 315 para cães de grande porte, R$ 133 para cães de pequeno porte, R$ 84 para gatos, R$ 25 para roedores, R$ 18 para peixes e R$ 15 para aves.

(Fonte: Instituto Pet Brasil)

 
 
 
 
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