Trânsito

Veja como o "drogômetro" testa a presença de drogas no corpo do motorista

Aparelho pode detectar, em cinco minutos, substâncias ilícitas ingeridas pelo condutor do veículo a partir de uma amostra de saliva

Por: Fernanda Grabauska
10/10/2015 - 04h01min | Atualizada em 10/10/2015 - 11h32min
Veja como o "drogômetro" testa a presença de drogas no corpo do motorista Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Correção: Dirigir veículos sob influência de "substância psicoativa que determine dependência" é um crime que está previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, e não no 305, como informado nesta reportagem das 4h às 11h20min. O texto foi corrigido.

Mortes causadas pela perigosa interação entre álcool e volante são uma constante no noticiário. Mas outra interação perigosa — aquela feita entre drogas ilícitas e a condução de veículos — não pode ser comprovada e debatida pela dificuldade que há em verificá-la em blitze. No entanto, isso pode mudar.

Um dispositivo similar a uma maquineta de cartão de crédito, apelidado de "drogômetro", está sendo testado para futuramente ser posto em prática na fiscalização de quem dirige veículos sob influência de "substância psicoativa que determine dependência", crime previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

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O salivômetro, nome oficial do aparelho, funciona de modo parecido a um teste de gravidez ou de HIV, de acordo com a doutoranda em Biomedicina da UFRGS Juliana Scherer, que participa de pesquisa sobre o equipamento. O aparelho detecta as substâncias ilícitas presentes no corpo do motorista com base em uma amostra de saliva. A coleta é feita por meio de uma espécie de canudo, que depois é inserido na máquina. Dentro do dispositivo, há um cartucho onde se enfileiram seis tirinhas de papel (daí a semelhança com um teste de gravidez). E é ali que a saliva, em contato com os reagentes, é analisada, no que é chamado de screening — um método mais preciso do que o teste de cabelo, que armazena substâncias por até seis meses, e menos arriscado que o de sangue, que precisa de um profissional especializado para a coleta.

Em cerca de cinco minutos, o display da máquina já mostra os resultados do teste. Um impressor de boletos também gera um comprovante em papel para o usuário.

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O aparelho, da empresa britânica Alere, especializada em exames rápidos para diagnóstico, testa a saliva para cocaína, THC, benzodiazepínicos, opioides, anfetaminas e metanfetaminas. Mas, segundo Juliana, é possível testar a presença de outros tipos de substâncias — a escolha destas foi feita com base em estudos sobre o que é consumido no país:

— Priorizamos o screening para cocaína porque o Brasil é um país com alto uso dessa droga.

Embora pareça uma realidade já palpável, o salivômetro ainda está em fase de testes no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas (CPAD):

— Com 30 pacientes dependentes químicos, tivemos zero erro de leitura após refazer o teste em laboratório. Em dezembro, devemos lançar o resultado de um estudo mais completo, feito com 200 pacientes — diz Juliana.

A próxima etapa é testar junto aos órgãos de fiscalização do trânsito, algo que ainda não tem data para ocorrer.

— Estamos elaborando um projeto-piloto junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e com o Detran-RS para organizar blitze no estilo Balada Segura, só que para testar esse aparelho. A PRF está supermobilizada — comemora Juliana.

Soluções serão discutidas em conferência

A apresentação do salivômetro ocorre na 21ª Conferência do Conselho Internacional sobre Álcool, Drogas e Segurança no Trânsito, que tem lançamento na próxima quinta-feira, em Porto Alegre. O evento será em 2016, entre os dias 16 e 19 de outubro, no Wish Serrano Resort & Convention, em Gramado. Nas atividades, promovidas em parceria do CPAD com o International Council on Alcohol, Drugs and Traffic Safety, serão discutidos os números alarmantes do trânsito brasileiro — que mata 116 pessoas por dia — e possíveis soluções serão debatidas.

No material que apresenta o congresso — que terá cientistas e autoridades públicas e internacionais —, é possível saber o teor das discussões: ônibus montados especialmente para testes de álcool e drogas em motoristas, estradas iluminadas com tinta fluorescente e painéis solares, além de chaves-bafômetro (que impedem que o carro seja ligado caso o motorista esteja embriagado).

Esta última invenção deve ser comercializada já em 2016 e, conectada a um smartphone, manda mensagens para contatos de emergência ou chama um táxi por meio de um aplicativo.

 






 
 
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