Quatro patas

Mercado para pets tem serviços que vão de resort até ceia de Natal

Produtos e serviços para animais de estimação não veem a crise econômica com os mesmos olhos de outros setores

Por: Camila Kosachenco
21/11/2015 - 11h05min
Mercado para pets tem serviços que vão de resort até ceia de Natal Omar Freitas/Agencia RBS
Spa Resort oferece cinco pátios, ar-condicionado e espelho d'água para os peludos Foto: Omar Freitas / Agencia RBS  

Esqueça as coleiras repletas de pedrarias ou as camas pomposas para os animais de estimação. A moda, agora, é resort para hospedar os amigos peludos, serviço de bufê para festas e até marmita gourmet. Com previsão de fechar 2015 com um faturamento de R$ 17,9 bilhões, 7,4% a mais do que no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o mercado de produtos e serviços para pets não vê a crise econômica com os mesmos olhos dos outros setores.

— Se esse mercado for sentir algo, é no ano que vem, quando tenho a impressão que crise pesada vai refletir nas classes mais altas— especula o vice-presidente da Unidade de Comércio e Serviço do Instituto Pet Brasil, Nelo Marraccini Neto.

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As cifras bilionárias garantem ao Brasil a terceira posição no ranking dos maiores mercados pet do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos e do Reino Unido. E não é para menos, por aqui, somam-se mais de 52 milhões de cachorros e mais de 22 milhões de gatos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), índice que nos coloca no segundo degrau de maior população animal do mundo. Gastos com alimentação, comércio e serviços são os que mais movimentam o setor e devem responder a 67,4% e 17% do faturamento total previsto para este ano.

Dentro deste universo, um novo nicho dentro do segmento vem chamando a atenção: os produtos e serviços de luxo direcionados para os animais de estimação. Voltados especialmente para tutores de classe A, produtos grifados de marcas como Louis Vuitton e Prada, banhos com tratamento especial para os pelos e até joias ainda não são tão populares e representam menos de 1% do mercado nacional.

É dentro dessa linha que está a Pet Dreams Spa e Resort, um local para hospedar com toda a comodidade os melhores amigos do homem que foi inaugurado há dois meses. Construído em uma área de dois hectares em Itapuã, a pouco mais de 40 quilômetros do centro de Porto Alegre, o empreendimento foi totalmente pensado para receber os hóspedes de quatro patas: cercado por muros altos, com cinco pátios fechados individualmente, com brinquedos e espelho d'água para os dias quentes. Em 750m² de puro conforto, há 224 quartos individuais em ambiente climatizado por seis splits de 60 mil BTUs e telhado com isolamento térmico, espaço para banho e tosa e uma clínica veterinária.

Conheça o Spa Resort:


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A segurança dos donos dos animais é garantida pela presença da proprietária, a veterinária Claudia Baur — que está sempre por lá, inclusive nos feriados — e da técnica em enfermagem veterinária, que reside no resort. Fora isso, é possível acompanhar os filhos peludos com um clique de qualquer parte do planeta por meio de seis câmeras posicionadas nos locais em que os animais circulam.

— Em baixa temporada, estamos com dois profissionais. No verão, que a gente pretende ter uma lotação de 80% a 100%, terão mais quatro profissionais que estão em treinamento — garante a empresária.

Cliente frequente do resort, o shitsu Chopp, de seis anos, visita o local pelo menos uma vez por mês, aproveitando os dias que a dentista Gabriela Ferreira precisa viajar para dar aulas. No último final de semana, o cão teve, pela primeira vez, a companhia do irmão mais novo, Fred, de apenas quatro meses.

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— É uma colônia de férias para eles, por que ficam brincando — comenta a tutora, que não resiste a uma espiadinha na dupla pela internet.

Acostumados a visitar pet shop para banhos semanais e creche nos dias em que Gabriela precisa se estender no trabalho, os cães já têm data marcada para voltar para o Resort:

— Mês que vem vão de novo e, provavelmente, nas festas de final de ano também.

Para que os cães participem da brincadeira, é pré-requisito ser sociável com pessoas e estar com as vacinas da raiva, polivalente e traqueobronquite infecciosa canina em dia. Também é importante que estejam desverminados e com antipulgas. As diárias, a partir de R$ 50, incluem alimentação — duas ou três por dia —, infraestrutura e transporte até o local.

Mercado pet se especializa para atender às necessidades e aos luxos dos bichinhos de estimação

Marmitas naturais e até vegetarianas


Em São Paulo, cães podem comer marmita feita de cordeiro com grão de bico
Foto: La Pet Cuisine/ Divulgação

Juliana e Veri Noda apostaram na especialização em comida natural para cães e gatos — produzida com alimentos frescos, vitaminas, minerais e sem conservantes —, a empresa é uma opção para donos que não querem oferecer ração aos bichanos. Veterinária e chef de cozinha, as irmãs criaram, em 2012, a La Pet Cuisine, em São Paulo.

— Fazemos tanto pratos prontos quanto para dietas específicas para obesidade, diabetes, insuficiência renal ou alergias — lista Juliana.

No menu pronto, são quatro opções que agradam a todos os paladares e vão desde cordeiro com grão-de-bico até a opção vegetariana com arroz sete grãos e carne de soja. A comida é vendida congelada e tem serviço de entrega em São Paulo e Grande São Paulo. Em expansão para o resto do Brasil, a marca começou a produção com 30 quilos por mês e hoje já chega perto das duas toneladas.

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— No começo foi um trabalho muito difícil, por que ninguém conhecia e o mercado era muito voltado para ração. Tivemos de conversar com veterinários, proprietários de animais e de pets shop. Desde então, crescemos bastante — diz a veterinária garantindo que, além do retorno financeiro, as respostas dos proprietários de pets é extremamente positiva.

As marmitas para peludos custam entre R$ 14,90 (porção de 350 gramas) e R$ 27,90 (prato com 750 gramas).

Eles também têm ceia de Natal

Produção de SnackPapá está chegando a São Paulo, Rio, Minas e Bahia
Foto: Carlos Macedo

Aqui no Rio Grande do Sul, a PetPapá, de Novo Hamburgo, também se especializou na alimentação animal e hoje colhe frutos da ideia que saiu do papel em outubro de 2013.

— Minha mãe ia se aposentar, então, pensamos: "vamos fazer comida para cachorro" — relembra a química e sócia da empresa Aline Tais da Rosa, que, nas últimas semanas trabalha até as 2h para atender a demanda de pedidos de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Goiás.

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O produto que tem saído do Estado é o SnackPapá, biscoitos em sabores beterraba, cenoura, espinafre e maçã com canela produzidos com ingredientes orgânicos certificados e elaborados por uma médica veterinária doutora em nutrição animal.

— É um produto caro em comparação com as rações, mas em nenhum produto industrializado tu vais encontrar arroz orgânico, por exemplo. Isso tudo agrega valor e faz muito bem para os animais — avalia.

Fora as bolachinhas, a empresa também possui refeições completas como o Cãorreteiro, Cãolinhada e o VegPapá, procuradas, especialmente, por proprietários de cães com alergias aos corantes e conservantes presentes nas rações.

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Quem quiser preparar uma festa de aniversário para os pets também pode optar entre duas opções de bufê com preços que variam entre R$ 15 e R$ 20 por "cãovidado". No menu, são oferecidos biscoitos, petiscos assados como pasteis de frango, empada de carne, mini pizza, bolinha de arroz com fígado, cãoburguer, lembrancinhas e, claro, uma torta decorada. E para que os mascotes não percam nenhum momento dos festejos de fim de ano, a empresa desenvolveu uma ceia natalina para cães e gatos. Cada kit é vendido a R$ 38 (com entrega) e contém uma porção de risoto de peru, SnackPapá de Natal e um brinquedinho, tudo entregue em uma sacolinha personalizada.

Cuidado com a humanização

Foi-se o tempo em que "um dia de cão" era sinônimo de um dia terrível. Considerados filhos por muitas pessoas, os bichos de estimação vivem hoje um processo de humanização, em que usam roupas, sapatos e até joias. Apesar do comportamento carinhoso, tratar um cão como parente, por exemplo, pode ser negativo para ambas as espécies.

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— Podemos dizer que a relação é prejudicial quando o animal não consegue ficar tranquilo sem a presença das pessoas da família. Quando ele não consegue ter habilidades para interagir com animais da mesma espécie ou pessoas. Não é necessariamente o luxo que provoca isto e, sim, falhas importantes na relação com pessoas — ressalta a doutora em psicologia e médica veterinária Ceres Faraco.

Segundo a especialista, a humanização promove uma distorção sobre as necessidades dos animais, podendo prejudicar o seu bem-estar.

 
 
 
 
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