Encare a crise

Como tornar o cartão de crédito um aliado das finanças

Cartões são o principal gerador de dívidas para os gaúchos, mas podem trazer fôlego ao orçamento se bem utilizados 

13/03/2016 - 22h24min | Atualizada em 22/04/2016 - 18h55min
Como tornar o cartão de crédito um aliado das finanças Gabriel Renner/Arte ZH
Foto: Gabriel Renner / Arte ZH  

Nos últimos anos, o cartão de crédito passou a ocupar a posição de vilão do orçamento doméstico. Os juros estratosféricos, que podem multiplicar por quatro uma dívida ao longo de um ano, e a liderança entre os fatores que mais conduzem consumidores ao endividamento deram àquele objeto de plástico uma aura tão perigosa quanto sedutora, em razão dos limites generosos e da facilidade de uso. Entre os consumidores gaúchos endividados, 80% são reféns do cartão de crédito, que supera, com folga, carnês e empréstimos pessoais, conforme pesquisa de fevereiro da Fecomércio-RS.

– Com a crise e a queda na renda, muita gente acaba tendo de escolher quais contas irá pagar em dia e quais deixará para depois. E protela justamente o cartão de crédito, que tem o juro mais alto e deveria ser o primeiro a ser quitado – afirma o educador financeiro Jó Adriano da Cruz, do Instituto Dsop em Porto Alegre. 

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A penalidade para quem adia o pagamento é tombar no crédito rotativo, acionado quando é pago apenas uma parte da fatura. Os juros podem chegar a 14,7% ao mês, 420% ao ano, considerando o acúmulo das taxas, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) divulgada na semana passada. 

O que o senso comum tem deixado escapar é que os cartões, quando bem utilizados, podem se tornar um reforço no controle das despesas. Possibilitam, por exemplo, que se obtenha imediatamente um produto ou serviço que será pago só no mês seguinte. Também dão fôlego ao orçamento em meses de aperto – dispensando um empréstimo. Sem contar os programas de vantagens, como milhagem e descontos em programas culturais.

– Os cartões são um meio de compra altamente seguro e eficaz. O problema é a falta de educação financeira de muitos consumidores, que os leva à inadimplência – diz o consultor financeiro Reinaldo Domingos. 

Um choque de controle financeiro pode transformar o vilão em herói. A estratégia é manter controle estreito sobre o uso – monitorar quanto do limite já foi utilizado, evitar parcelamentos que pesarão demais nos meses seguintes e jamais pagar a fatura mínima e cair no rotativo. 

– As administradoras de cartões já oferecem ferramentas que facilitam esse controle, como alertas quanto a um limite de gasto pré-selecionado, ou restrição para usos específicos, como em supermercados – aponta Alexandre Brito, vice-presidente de Desenvolvimento de Aceitação e Negócios da MasterCard Brasil e Cone Sul. 

Pré-pagos surgem como opção

Uma alternativa mais restritiva a gastos tem ganho adeptos no Brasil: os cartões pré-pagos. Trata-se de uma modalidade que pode ser comprada em redes de varejo e é abastecida antes do gasto – ao contrário do cartão de crédito, em que a fatura é paga ao final do mês. Não é preciso ter conta em um banco ou passar por análise de crédito. 

– É uma alternativa que traz maior possibilidade de controle nas contas, já que não permite que se gaste mais do que o disponibilizado anteriormente – explica Paulo Kulikovsky, diretor-executivo da Acesso, uma das maiores empresas de cartões pré-pagos no país.

No ano passado, o número de cartões da Acesso cresceu 150%, chegando a 250 mil unidades em circulação no país. Kulikovsky afirma que a crise e o aumento do endividamento atraem clientes com dificuldade em abrir uma conta bancária ou obter empréstimo pessoal. Quem usa os cartões precisa pagar uma mensalidade e uma taxa a cada recarga – na acesso, são de R$ 5 e R$ 2,50, respectivamente.

O consultor financeiro Jó Adriano da Cruz avalia que os pré-pagos podem ser atraentes em razão da segurança ao dispensar o uso do dinheiro vivo, mas afirma que é preciso avaliar se o gasto com taxas vale a pena: 

– Se a pessoa já tem um cartão de débito, por exemplo, e o utiliza sem custo talvez seja desnecessário ter um pré-pago.


 






 
 
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