Família

Dicas para divertir as crianças durante as férias de julho

Não é preciso gastar muito dinheiro para entreter as crianças no recesso escolar. Confira algumas sugestões para as próximas semanas

Por: Eduardo Rosa
18/07/2016 - 04h04min | Atualizada em 18/07/2016 - 04h04min
Dicas para divertir as crianças durante as férias de julho Gabriel Renner/Arte ZH
Foto: Gabriel Renner / Arte ZH  

Para que sejam proveitosas, as férias de inverno da gurizada não precisam envolver, necessariamente, uma grande viagem, uma extensa programação e muitos gastos. Pelo contrário: é nas atividades simples que pode estar o maior barato. É o período para abrir mão da rotina cheia de compromissos e dos horários rígidos, comuns também às crianças de hoje.

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O hábito de brincar — que faz parte do desenvolvimento infantil — têm sido deixado em segundo plano com a correria do dia a dia, que não atinge apenas os adultos. Por isso, a receita básica para os momentos de descanso precisa contemplar diversão. A psicóloga e psicanalista Eluza Nardino Enck explica que as férias são uma oportunidade enorme para que se resgate o velho hábito:

— Hoje, as crianças têm, cada vez mais, compromissos. Que bom se, nas férias, elas puderem brincar de forma espontânea, com atividades livres, diferentemente do resto do ano, em que tudo é programado. Que elas possam usar brinquedos, criar coisas, fazer o que não fazem nos outros dias.

A tentativa dos pais que conseguirem afrouxar o ritmo nesta época é válida para que a família fique mais tempo junta. Ir mais tarde ao trabalho ou chegar em casa mais cedo possibilita um período extra para brincar ou preparar uma refeição, como um lanche ou um piquenique.

— Depois, as crianças e os adolescentes voltam para a escola com a cabeça descansada, renovados. Eles terão coisas legais para contar para a professora e para os colegas, além da vontade de retornar — acrescenta Eluza.

Professora do curso de Pedagogia da Unisinos, Regina Urmersbach segue na mesma linha, ao dizer que os pais não devem se preocupar em reproduzir o que a escola oferece. E, se possível, também não devem terceirizar a tarefa de pensar o recesso das crianças.

— As férias podem ser vistas como um momento de família, em que se conversa o que poderia e o que se gostaria de fazer. Podem ser atividades bem simples, como convidar um amigo para ir em casa, visitar um museu ou fazer um programa ao ar livre — salienta Regina.

A professora diz ainda que não é preciso inventar atividades a todo o momento — para ela, o mais importante é que os pais ofereçam espaço e segurança para que a criança crie o que tem vontade de fazer. Esta é, inclusive, uma forma de desenvolver a autonomia dos pequenos.

— Que os pais ouçam as crianças, para saber o que elas querem para este momento, e que tenham poder de negociação. Às vezes, é preciso dizer "não" ou "isso não vai dar" — ressalta a professora.

Tanto Eluza quanto Regina entendem que as crianças também precisam de liberdade para fugir da "hora certa" para acordar e dormir, assim como assistir à TV sem pensar que é uma perda de tempo.

— É o momento para poder ficar um dia de pijama, sem fazer nada. Deixar dormir, fazer aquilo que não dá para fazer quando não têm férias — diz Eluza.

Mão na massa

Foto: Gabriel Renner / Arte ZH

Para fugir da rotina, um programa barato é levar a gurizada para a cozinha: experimentar receitas novas ou simplesmente fazer o lanche tradicional de uma forma diferente.

— Para que seja divertido e desperte o interesse, o legal é que as crianças possam colocar a mão na massa, mexer nos ingredientes. Pode ser uma receita de biscoito ou uma pizza, que por natureza é da preferência deles. Dá para aproveitar e colocar um tomatinho, um brócolis — ensina a nutricionista Joseane Ruschel Mancio, do Colégio Farroupilha, de Porto Alegre.

Além de não envolver grandes despesas, a compra dos ingredientes no supermercado e na feira acaba sendo uma atividade significativa para as crianças. O importante é que as receitas não sejam demoradas demais, para que não fiquem cansativas.

Para os pais que não têm dotes culinários, inventar um sanduíche diferente, cortando de outra forma e decorando com os próprios ingredientes, já é uma tentativa interessante.

— Daqui a pouco, pode fazer uma vitamina em que a criança vai misturar as frutas que mais gosta, ver se fica bom, qual é o gosto, a cor. Isso acaba aguçando a curiosidade — acrescenta Joseane.

Ir para a rua

Foto: Gabriel Renner / Arte ZH

Um dos contrapontos à rotina pode ser, simplesmente, as brincadeiras ao ar livre. O dia a dia com escola e atividades extracurriculares acaba preenchendo manhãs e tardes das crianças, não sobrando tempo para aproveitar parques, pracinhas e até o playground do prédio.

— É interessante fazer atividades mais soltas, que as crianças possam curtir junto à natureza — afirma Regina Urmersbach, professora de Pedagogia da Unisinos.

Juntar um pequeno grupo de amigos para fazer um piquenique (inclusive, com os alimentos preparados por eles), jogar bola e fazer bolha de sabão são exemplos de ideias simples e divertidas. Para quem tem pátio, outra possibilidade é fazer uma hortinha ou um pequeno jardim, em que as crianças possam mexer na terra e, depois, acompanhar o desenvolvimento das plantas. Como férias é tempo de não se preocupar com a sujeira na roupa, as brincadeiras com tinta são uma boa pedida.

Envolvimento dos pais

Foto: Gabriel Renner / Arte ZH

Com a filha em férias desde o fim de junho — a menina de cinco anos estuda em uma escola americana —, Mariana Magalhães Chang e as mães das coleguinhas de Olivia fazem um revezamento para que, uma ou duas vezes por semana, as gurias possam fazer uma atividade bacana: uma ida ao cinema em grupo, uma tarde na pracinha em dia de tempo bom ou uma incursão pelo Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Com o revezamento, é possível que as mães participem dos passeios e das brincadeiras.

No dia em que a dentista ficou encarregada de cuidar do grupinho de sete meninas, a programação foi uma aula de culinária. Uma professora foi até a casa dela, e a meninada preparou cookies, mini-pizzas e tortinhas de bolacha.

— Elas adoraram, se divertiram, aproveitaram muito. Algumas guardaram os biscoitos para dar de presente para o papai ou para a mamãe.

Foi uma atividade que encheu a tarde — diz Mariana, 37 anos.

Eluza Nardino Enck, coordenadora do Núcleo de Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, vê como positivo o fato de o colegas de aula poderem se reunir fora do ambiente escolar, ainda mais se os pais puderem estar juntos:

— Quando o pai e a mãe podem se articular, conseguem aumentar o convívio.

Leitura com prazer

Foto: Gabriel Renner / Arte ZH

Para as férias, o escritor e crítico de literatura infantil Celso Sisto sugere uma atividade divertida que envolve adultos e crianças. A brincadeira é chamada de pais que contam histórias.

O professor explica do que se trata:

— Reunir as crianças numa maneira de rodízio, cada dia na casa de um, com um adulto encarregado de contar histórias. Depois de uma bela sessão,

pode-se encená-las, distribuir objetos e roupas (criança adora roupa grande de adulto!) e organizar a "releitura" em forma de teatro. É uma delícia.

Outra ideia de Sisto, que ele coloca em prática com os alunos, é recontar uma narrativa mudando o final, ou personagens, ou o tempo. A nova versão pode ser construída em um livro tridimensional com caixas e sucatas, e o novo texto inserido nessa versão.

— Um grupo de alunos recontou a história da Branca de Neve, que eles chamaram de Branca de Neve e os sete gosméticos. O livro era uma caixa de maquiagem com sete potinhos e, dentro de cada um deles, havia um pedaço da história — exemplifica.


 
 
 
 
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