Ensino Superior

Após protesto de estudantes, sessão que votaria mudanças no ingresso por cotas na UFRGS é cancelada

Manifestantes bloquearam a entrada da Reitoria, local onde ocorrem as reuniões do Conselho Universitário. Votação ficou para terça-feira

Por: Eduardo Rosa
23/09/2016 - 12h35min | Atualizada em 23/09/2016 - 18h09min
Após protesto de estudantes, sessão que votaria mudanças no ingresso por cotas na UFRGS é cancelada Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A sessão do Conselho Universitário (Consun) que votaria uma proposta de mudança no ingresso por cotas na UFRGS, na manhã desta sexta-feira, foi adiada para terça-feira, 27 de setembro. Desde a tarde anterior ocupando o saguão da Reitoria, estudantes bloquearam a entrada do prédio, impedindo a passagem dos conselheiros e devem permanecer lá até a nova reunião do Consun.

Pouco após as 9h, um grupo de manifestantes contrários às alterações foi recebido por representantes da universidade. Eles apresentaram a reivindicação de retirada do parecer favorável ao novo sistema de ingresso, mas não foram atendidos.

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Desde o início da manhã, integrantes do movimento estudantil, do movimento negro e indígenas protestavam em frente ao prédio, no Campus Central. Mesmo com o cancelamento da reunião, a Reitoria não foi desocupada. Os estudantes afirmam que a UFRGS deve fazer uma proposta — ZH tentou contato com a assessoria de imprensa da universidade, mas não teve sucesso.

— É uma intransigência da Reitoria (não retirar o parecer). Estamos mostrando a necessidade de fazer esse tipo de ação para que haja um diálogo — afirma a estudante de Enfermagem Negralisi Da Rosa, integrante do movimento Balanta. — A mobilização segue até a abertura do diálogo — acrescenta.

Os manifestantes afirmam que o ofício que trata das mudanças foi enviado ao Consun, em julho, sem debate com a comunidade acadêmica. Após apreciação na Comissão de Legislação e Regimentos, a proposta recebeu parecer favorável do relator, o professor Celso Loureiro Chaves. Quando foi submetido ao plenário, houve um pedido de vistas, que adiou a votação para a sessão desta sexta-feira.

— Os estudantes não estão sozinhos neste momento. Isso está sendo discutido em casa, no terreiro, no quilombo, na aldeia. Para nós, formar um filho é romper com o ciclo vicioso do racismo recorrente ao longo de 516 anos. Não podemos caminhar para trás — disse o advogado Onir Araujo, da Frente Quilombola do Rio Grande do Sul.

A proposta da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) é estruturada em três pontos principais: impossibilidade de vestibulandos disputarem as vagas destinadas à ampla concorrência e as reservadas a egressos de escola pública concomitantemente; ingresso de cotistas nos dois semestres e não apenas no segundo; e não-remanejamento de classificados no segundo semestre para o primeiro quando houver desistências.

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