Estímulo à acessibilidade

Em Canoas, exposição provoca a ver com os ouvidos e ouvir com os olhos

Dentro do período do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, Canoas Shopping recebe mostra interativa até o dia 25

Por: Vanessa Kannenberg
17/09/2016 - 18h52min | Atualizada em 20/09/2016 - 10h54min
Em Canoas, exposição provoca a ver com os ouvidos e ouvir com os olhos Pedro Molnar/Agencia RBS
Foto: Pedro Molnar / Agencia RBS

Uma instalação formada por paredes brancas, preenchidas por telas, fones de ouvido, obras de arte e fotografias, chama a atenção de quem passa pelo térreo do Canoas Shopping .

— Você consegue ouvir a paisagem? — pergunta um letreiro, sobre a foto borrada de uma paisagem.

Diante da imagem, o funcionário de logística Eduardo Nunes Lopes, 37 anos, fica na dúvida. Titubeia e chuta:

— A sombra de uma plataforma?

Convidado por um monitor a colocar os fones, ele houve a audiodescrição da imagem. E então tem certeza: escuta barulho de vento, de um trem chegando e identifica a paisagem que está acostumado a transitar todos os dias para se locomover ao trabalho — uma estação de trem.

Essa é uma das sete estações da exposição "O que você vê?", que celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado no dia 21 de setembro. Idealizado por Fernando Schmitt, em conjunto com a audiodescritora Letícia Schwartz e a produtora Magali Hochberg, a mostra interativa fica disponível no shopping até domingo, dia 25.

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A iniciativa não é voltada a portadores de deficiência, mas também não se dirige exclusivamente a quem ouve, fala, enxerga e anda.

— Cada um vê de um jeito diferente. A exposição mostra isso, ela acaba sendo uma experiência totalmente diferente pra cada pessoa — conta a produtora Magali. — Aqui, todos são convidados a ver com os ouvidos e ouvir com os olhos.

Foto: Pedro Molnar / Agencia RBS

Flávia Dias, técnica em química de 26 anos, deparou com o vídeo de uma mulher gesticulando sinais. Não entendeu nada. A seu lado, a atriz surda que interpretou as imagens em libras, Brenda Artigas, pediu que Flávia colocasse os fones de ouvido. Foi então que ela ouviu a descrição de uma fotografia que nunca foi revelada.

— Essa é uma brincadeira de se colocar na lugar do outro. Quem não entende a língua dos sinais, não vai entender nada sem ouvir ou ler o texto. E vai compreende o que acontece com os surdos e mudos no cotidiano, pois não entendem a linguagem verbal — esclarece Magali.

Na estação ao lado, outra provocação: as pontas dos dedos podem revelar a fotografia? É o que acontece com os cegos, que enxergam pelo sistema Braille. Ali, o visitante é convidado a "ver" através de uma gravação, que narra em áudio uma paisagem.

Foto: Pedro Molnar / Agencia RBS

Outra obra simula a visão de alguém que não consegue ver o todo, chamada de túnel. Uma imagem está dividida em 12 telas e, tocando nelas, pode ver apenas uma por vez, nunca o todo. É possível, ainda, ouvir a descrição de cada pedaço. A estudante Julia Baú, 17 anos, se impressionou com a experiência.

— É difícil. É bem difícil de entender — comentou ela. — Tenho uma tia que é muda, então tenho contato com as dificuldades do dia a dia que ela tem. Mas é bem diferente sentir na pele como é.

Assim seguem as demais estações, com experiências interativas e resultados inusitados envolvendo as diferentes formas de comunicação. Vale à pena conferir e se surpreender.

A EXPOSIÇÃO
O que você vê?

Período: 16 a 25 de setembro
Horário: de segundas a sábados, das 10h às 22h, domingos e feriado das 11h30min às 22h
Local: primeiro piso do Canoas Shopping

As sete estações:
— Observar e contar. Como tornar visível para outra pessoa o seu ponto de vista?
— Para ver com os ouvidos. Você sabe usar os olhos da imaginação?
— E se o fotógrafo não fez o 'clic'? Você consegue ler uma imagem que não se vê, contada em uma língua que não precisa de som?
— Sons que clareiam a visão. Você consegue ouvir a paisagem?
— Um pedaço de cada vez. Se guardar os retalhos na memória, você completa a imagem? 
— Se a imagem esconde a paisagem, as pontas dos dedos podem revelar a fotografia?

Ficha técnica
Conceito artístico e expositivo: Fernando Schmitt, Letícia Schwartz e Magali Hochberg
Ideia original, concepção e produção das obras: Fernando Schmitt
Expografia: Patrick Fontes
Cenotécnica: Arte Nova Produções

Obras/Experiências
Desenvolvimento de aplicativo e jogo digital: Gabriel Bohrer Schmitt e Michel Fontes
Paisagem sonora: Gabriel Bohrer Schmitt
Direção de fotografia do vídeo: Daniel De Los Santos
Tradução em Libras para vídeo: Angela Russo
Direção cênica para vídeo: Adriana Somacal
Atuação: Brenda Artigas

Acessibilidade
Coordenação: Mil Palavras Acessibilidade Cultural
Roteiro e narração de audiodescrição: Letícia Schwartz
Consultoria de audiodescrição: Marilena Assis, André Campelo e Luis D. Medeiros
Edição de áudio: Gabriel Bohrer Schmitt
Braille, maquete e piso tátil: Igualla Soluções em Acessibilidade
Produção Executiva
Coordenação: Magali Hochberg
Assistência de Produção: Luciana Buksztejn Gomes e Fernanda Luz Moraes


 






 
 
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