The New York Times

Voltando à Oscar De La Renta

Por: The New York Times
13/09/2016 - 21h12min | Atualizada em 13/09/2016 - 21h12min

Quando Oscar de la Renta morreu, em outubro de 2014, o mundo da moda ficou abalado, especialmente seu atelier na West 42nd Street. Sua empresa era familiar – seu genro, Alex Bolen, é o executivo-chefe – e muitos empregados de longa data também se sentiam em família.Laura Kim, a diretora de design, trabalhara com de la Renta durante mais de uma década; Fernando Garcia, jovem assistente de design e quem de fato lidava com as celebridades (além de ser noivo de Laura na época), tinha essa função desde 2009. 

De la Renta foi um mentor e, em muitos aspectos, uma figura paterna para eles.Mas a dor rapidamente deu lugar ao pragmatismo: sua coleção pré-outono de 2015 tinha que ser apresentada às lojas e à imprensa apenas seis semanas depois.E foi exibida como previsto, com Bolen insistindo que Laura assumisse seu papel habitual na de la Renta, reunindo-se com os participantes e explicando a coleção. Ela apareceu para enfrentar a multidão, assustada e com os olhos inchados.Não precisava. A coleção, uma homenagem a de la Renta, "com os grandes vestidos de baile, como ele gosta" no final, foi bem recebida e viria a ser a mais comercialmente bem-sucedida da casa em anos. Foi também a última feita por ela.

Cerca de dois meses antes, Bolen e de la Renta contrataram o experiente designer britânico Peter Copping, então diretor artístico de Nina Ricci, para suceder o estilista lendário. Laura, que estava na de la Renta desde 2003, esperava conseguir a posição, mas foi preterida. Ela prometeu a de la Renta ficar até a chegada de Copping, mas anunciou sua decisão de sair logo depois.De la Renta esperava trabalhar ao lado de Copping há meses, para facilitar a transição. Mas o primeiro dia do novo contratado acabou sendo o mesmo do funeral do estilista. 

Sua nomeação foi recebida com entusiasmo pela imprensa, mas suas coleções, a primeira das quais foi apresentada no mês de fevereiro seguinte, tiveram uma recepção morna.Enquanto isso, Laura e Garcia aproveitaram o momento e começaram um negócio por conta própria. Fundaram a Monse, cujo nome foi inspirado no da mãe de Garcia, Monserrat, com investimento dos pais dos dois e de um amigo da família dele. 

A primeira coleção tinha algumas das características coquetes pelas quais as produções de de la Renta eram conhecidas, mas com um lado mais selvagem e elaborado.Foi um sucesso imediato, primeiro entre as celebridades, cujos estilistas Garcia conhecia de seus dias com Oscar. Mesmo antes de seu primeiro desfile, Sarah Jessica Parker, grande fã da casa de la Renta, foi fotografada em um vestido da Monse ("o nosso público duplicou naquele dia", disse Garcia). 

O mesmo aconteceu com Amal Clooney, que havia se casado em um vestido de Oscar de la Renta.Logo, suas roupas estavam sendo usadas por Lady Gaga, Selena Gomez, Kerry Washington, Jessica Chastain e Lupita Nyong'o em talk shows e palcos, em festas e estreias. Sarah Jessica Parker colaborou com a Monse em um traje personalizado inspirado no musical "Hamilton" no Met Gala. Depois que Brie Larson ganhou o Oscar de melhor atriz este ano, apareceu na festa da Vanity Fair em um longo de veludo cor de rosa da dupla com a estatueta na mão.

A imprensa registrou cada situação e o setor começou a prestar atenção. Grandes lojas de departamento disputavam o direito de exclusividade da primeira coleção. O Conselho Americano de Estilistas de Moda, entidade organizadora da moda nos EUA, indicou a Monse para seu prêmio revelação; a Woolmark Co., que patrocina um prêmio internacional de design, fez o mesmo.Alguns meses depois, Carolina Herrera contratou os dois estilistas como consultores para várias coleções. "O olho, o talento e a energia: acho que eles têm tudo", disse. (Eles já não trabalham mais com ela, que anunciou abruptamente a nomeação de um novo estilista, Raffaele Ilardo.) Investidores os procuravam.

Em menos de um ano, eles se tornaram a nova dupla de estilista mais badalada da cidade. Dá para adivinhar o que aconteceu depois.Em julho, após menos de dois anos, Copping foi demitido da Oscar de la Renta, e a busca por um novo sucessor trouxe Bolen rapidamente de volta aos estilistas que inicialmente descartara.Laura e Garcia em breve serão os próximos diretores criativos da casa, e sua primeira coleção será apresentada em fevereiro. Eles continuarão a desenhar as coleções da Monse e dividirão seu tempo entre as duas marcas. Suas contratações foram confirmadas por Bolen.

"Hoje vejo que pisei na bola. Queria que Laura tivesse entrado e batido na mesa dizendo: 'Quero esse cargo. Falamos sobre isso, mas não fui determinado o bastante, e deveria ter sido", disse Bolen em uma entrevista no estúdio da Monse.Bolen se recusou a discutir a breve temporada de Copping ou as razões para sua partida, dizendo apenas que "empresas de moda funcionam melhor quando a equipe criativa e a equipe de negócios falam a mesma língua". (Copping preferiu não comentar.)

O anúncio de que Laura e Garcia estariam voltando triunfalmente à Oscar de la Renta veio antes da Semana da Moda de Nova York, enquanto sua equipe organizava e se agoniava com o desfile de primavera 2017 da Monse, cheio de detalhes.A jornada vertiginosa de um ano de Laura e Garcia – de talentos por trás dos bastidores a aspirantes de startup a queridinhos de celebridades até diretores de criação da casa onde começaram como estagiários – é incomum mesmo no veloz mundo da moda.Com três coleções, eles duplicaram o escritório. 

Mudaram-se do apartamento de Garcia para um estúdio pequeno e depois, em julho, para um grande loft em Tribeca, onde a mãe de Laura se instala antes de cada desfile para preparar pratos coreanos e ajudar com a costura.Apesar do sucesso inicial, o caminho teve complicações. A equipe de projeto em tempo integral da marca era formada somente pelo casal, e Laura, acostumada a uma equipe grande na Oscar de la Renta, encontrou dificuldades para administrar uma empresa com um orçamento apertado. Aceitou a consultoria para Carolina Herrera para garantir uma renda extra.

"A coleção de outono foi muito difícil. Estávamos passando por muitas mudanças, em nossa maneira de trabalhar, nosso modo de vida, nosso jeito de ver as coisas." Ela gerenciava a produção da coleção, além de fazer o design. Nesse meio tempo, o casal terminou seu relacionamento romântico, mas manteve a parceria profissional, uma mudança que ambos descrevem como positiva.Na sede da Monse, todos estão animados e o retorno à casa Oscar de la Renta promete aliviar algumas das pressões logísticas. 

Bolen disse que os termos do acordo incluíam o apoio de sua empresa à Monse através de assistência com produção e distribuição.Laura afirmou que é muito cedo para começar a discutir sua visão para a Oscar de la Renta, mas reconheceu que tem seu ex-chefe em mente."Lembro-me sempre que Oscar queria inovação. Acho que ele queria que fôssemos em frente, mas mantendo tudo muito Oscar. Ele nos incentivava, queria que víssemos as ideias e os materiais mais novos e mais jovens."

Por Matthew Schneier do NYT.

 






 
 
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