Às margens da lagoa

Em Pelotas, arqueólogos encontram o registro mais antigo de um cão domesticado no Brasil

Dentes do animal estavam em sítio arqueológico. Primeiras investigações apontam que ele mantinha uma alimentação marinha

10/10/2016 - 19h34min | Atualizada em 10/10/2016 - 21h40min
Em Pelotas, arqueólogos encontram o registro mais antigo de um cão domesticado no Brasil Revista del Museo de Antropología, do Peru/
Imagem é baseada em remanescentes escavados no Peru, mas dá ideia de como poderia ser o cão em termos de tamanho Foto: Revista del Museo de Antropología, do Peru

Arqueólogos registraram as primeiras evidências de cães domésticos no Brasil. Dois dentes do animal foram encontrados em um sítio arqueológico conhecido como cerrito, em Pelotas, no sul do Estado. O local, às margens da Lagoa dos Patos, teria sido ocupado por grupos de caçadores-coletores.

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O primeiro e segundo molares esquerdos da maxila de um cão doméstico datam de cerca de 1,6 mil anos atrás e foram encontrados durante uma escavação na região costeira do município, de acordo com artigo publicado no International Journal of Osteoarchaeology. 

Grupos humanos parecem ter ocupado o local entre 2 mil e 1 mil anos atrás sobrevivendo da caça e da pesca. Os pesquisadores realizaram uma série de exames microscópicos e comparações anatômicas com outras espécimes de cão para confirmar que estes remanescentes eram de um cão domesticado.

Embora haja evidência de cães domésticos em outros sítios arqueológicos na América do Sul entre 7,5 mil e 4,5 mil anos atrás, esse material está principalmente nos Andes. Há poucas evidências da presença de cães antes do contato com o europeu nas áreas mais ao sul e ao leste. Existem apenas três outros locais no Uruguai e seis na Argentina, com evidências pré-colombianas de cães domésticos e nenhuma até então havia sido registrado no Brasil.

As datas são semelhantes aos dos cães domésticos encontrados no leste do Uruguai, e anteriores aos vestígios encontrados mais a oeste do Rio Uruguai, no Rio Paraná e norte da Patagônia. Há ainda algumas evidências sobre o que o cão costumava comer: análises indicaram uma dieta potencialmente marinha, embora os cientistas estejam realizando mais investigações para confirmar esses resultados iniciais. 

 






 
 
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