Religião

Milhares de fiéis participam do Encontro de Zeladoras de Capelinhas em Caxias

Evento ocorre há 36 anos no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida

Por: Pioneiro
12/10/2016 - 14h59min | Atualizada em 12/10/2016 - 16h51min
Milhares de fiéis participam do Encontro de Zeladoras de Capelinhas em Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Evento foi realizado no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Caxias. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Cerca de mil fiéis da diocese de Caxias do Sul participaram nesta quarta-feira da 36ª edição do encontro de zeladoras e zeladores de capelinhas da região. No evento, realizado no Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, moradores de diversos municípios de abrangência da Diocese estiveram presentes para homenagear o Imaculado Coração de Maria, além de renovar a fé. 

O momento de reflexão também serviu para reafirmar a grandeza da missão de levar a presença de Nossa Senhora aos lares de centenas de famílias. A programação iniciou às 9h, com acolhida das caravanas e um momento de reflexão. Uma missa, com bênção encerrou o encontro às 14h30min. 

— As zeladoras são muito importantes para a igreja. São elas que facilitam a presença da fé em todas as famílias e cuidam da casa de Nossa Senhora com amor e carinho. Somente pessoas especiais assumem essa missão — disse o bispo Dom Alessandro Ruffinoni.

Tradição que perdura por anos, zelar pela capelinha e possibilitar que a união e a oração façam parte da rotina dos fiéis requer persistência. A dona de casa Maria Noskoski Ilher, 65 anos, é zeladora há 17 anos na comunidade São Roque, em Bento Gonçalves, e sempre participa dos encontros anuais. A função dela, como a própria Maria define, é levar alegria para as famílias, através da presença da "santinha". Hoje, ela é responsável por duas capelinhas, que são entregues mensalmente em 60 moradias.

— Quando a capelinha chega na minha casa eu sinto uma felicidade enorme. Facilitar que outras pessoas sintam isso me realiza, mesmo diante dos obstáculos que muitas vezes enfrentamos — conta ela.

Para seguir firme nesse trabalho, Maria conta com o apoio do marido, o marceneiro Ereni Ilher, 65. 

— Não sou zelador, mas também me sinto responsável por cuidar da capelinha. A missão não é tão simples, por isso ajudo como posso e gosto de ver as famílias felizes quando recebem a visita da Nossa Senhora — afirma Ilher, que acompanhou a esposa no evento. 

Para o Diácono Elton Marcelo Aristides, que será ordenado padre no dia 13 de novembro, a zeladora é quem cuida, quem acolhe e quem também consegue unir comunidades inteiras através da fé.

— Encontrar desafios pelo caminho é normal, mas todas essas pessoas que estiveram reunidas no Seminário acreditam no poder da fé. Desistir não faz parte do vocabulário delas, tenho certeza. 

Símbolo de fé e união

A zeladora Neusa Salvador Machado, 56 anos, preserva a tradição das capelinhas no bairro Salgado Filho, em Caxias do Sul. Ela coordena a visita de Nossa Senhora para cerca de 28 famílias do bairro, desde 1983. A missão foi herdada da mãe, que por muito tempo também desenvolveu esse trabalho. 

Durante os anos em que zela pela capelinha, Neusa já encontrou diversos pedidos na gaveta que fica abaixo da imagem da santa. Para ela, essa forma de demonstração de carinho e confiança fortalece cada vez mais a fé. 

— A visita de Nossa Senhora é especial e possibilita momentos de harmonia e fé para as famílias. Por isso, muitas pessoas enxergam nesse momento a única forma de agradecer ou pedir mais proteção. Eu sempre falo que todos os meses recebemos uma visita de luz.

A capelinha inicia o trajeto nas mãos de Neusa e durante todo o mês passa por lares especiais, como o de Andiara Paim de Abreu, 35. Casada há 11 anos e mãe de dois filhos, ele separou um lugar de destaque na sala da residência.

Neusa (dir), entrega mensalmente a capelinha para cerca de 28 famílias do bairro Salgado Filho. Andiara (esq) é uma das pessoas que optaram por receber a visita. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

— Temos um ritual aqui em casa: quando recebo a santinha, passo por todos os cômodos, além de separar uns minutinhos com meu marido e as crianças para rezar, refletir e agradecer a presença dela — conta Andiara.

Famílias jovens, como a de Andiara, são raras nas comunidades. Por isso, a ideia da zeladora Neusa é fazer com que a tradição permaneça sendo repassada de pais para filhos. Daqui alguns anos, quando não puder mais realizar essa função, ela pretende passar o cargo para a filha Nicole, 20, que desde pequena convive com a presença da capelinha dentro de casa.

— Eu faço isso em forma de agradecimento por tudo que já recebi e ensino minha filha a ser grata, sempre. Quero muito ver os jovens dando sequência a essa linda tradição da igreja católica. 

VIDA DE ZELADORA

- Unir as famílias pela oração, pois a família que reza unida permanece unida.
- Aprofundar e esclarecer a fé pela leitura e meditação da Bíblia, principalmente na ocasião da visita.
- Unir as famílias pelo mesmo ideal para formar verdadeiras comunidades, onde todos se conheçam, se amem e se ajudem.
- Rezar, promover e amparar espiritual e materialmente as vocações sacerdotais e religiosas.
- Cada capelinha visita, no máximo, 30 famílias.
- A zeladora é responsável saber sempre onde está a capelinha e cuidar para que as famílias cumpram com o calendário proposto.


 






 
 
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