Saúde

Não aceite a artrose sem combatê-la

Médicos e pacientes devem prestar atenção ao problema antes mesmo que ele ocorra

Por: The New York Times
05/10/2016 - 16h08min | Atualizada em 26/12/2016 - 09h41min
Não aceite a artrose sem combatê-la Paul Rogers/The New York Times
Foto: Paul Rogers / The New York Times  

A artrose é uma doença bastante comum entre homens e mulheres de meia-idade. Mas muitas pessoas que sofrem desse mal o aceitam sem reagir. E não deveriam.

Médicos e pacientes precisam prestar atenção no problema antes mesmo que ele ocorra. Isso porque quem tiver uma vida razoavelmente longa certamente desenvolverá artrose em uma das principais articulações — e há muitas coisas que se pode fazer para preveni-la, minimizar os sintomas e superar a deficiência em que resulta.

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Até o que você come ou deixa de comer, se faz exercícios ou não e como os pratica podem afetar o risco de desenvolver artrose e a sua capacidade de lidar bem com ela, apesar dos efeitos nas juntas.

Evidências recentes dão conta de que a artrose não é só o resultado de anos e anos de desgaste da cartilagem em articulações importantes como o joelho e o quadril. Especula-se que ela seja causada inicialmente por um processo inflamatório crônico de baixa intensidade que agora está ligado a outras doenças graves como problemas cardíacos e Alzheimer, nas quais a dieta e os exercícios cumprem uma função protetora.

Um dos maiores erros que as pessoas cometem é limitar os movimentos da junta afetada, o que acaba levando à rigidez e à fraqueza, que só fazem piorar o quadro. O declínio resultante da função neuromuscular, principalmente o equilíbrio e a rapidez no caminhar, é um dos principais riscos para quedas e lesões causadas por elas, que acabam levando a cirurgias e deficiências duradouras.

Uma pesquisa feita em 2012 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, concluiu que, entre as pessoas com artrose, a incidência de duas ou mais quedas no ano anterior era 137% maior que as das pessoas da mesma idade livres do mal. Já o índice de lesões causadas por quedas era 149% maior.

Excesso de peso (e de desgaste nos joelhos)

Muito se sabe a respeito dos fatores que aumentam os riscos do desenvolvimento da artrose, sendo que vários estão relacionados ao estilo de vida. O mais importante deles - o sobrepeso e/ou a obesidade - é prenúncio de doenças para milhões pessoas.

— Cada quilo a mais aumenta de seis a 10 vezes o estresse na articulação do joelho. Pesquisadores noruegueses acompanharam mais de 1,6 mil pessoas com joelhos saudáveis durante 10 anos. Aqueles que estavam acima do peso ou obesos provaram ter o dobro ou triplo de risco de desenvolver artrose do que os que estavam dentro do peso normal — afirma o reumatologista Roland Moskowitz, do University Hospitals Case Medical Center, em Cleveland, EUA.

Mesmo um emagrecimento mínimo, entre 4,5 e 5,5 quilos para uma pessoa que pesa por volta de 100 quilos, já reduz a dor e a deficiência associada ao problema.

Cirurgias também podem prejudicar

Lesões e cirurgias, como a de reparo do menisco rompido, são outro fator no desenvolvimento da artrose. A inflamação que ocorre quando uma articulação está lesionada pode ter um peso considerável nessa relação. Quem passa por uma operação desse tipo, inclusive os atletas, tem de cinco a 10 vezes mais probabilidades de desenvolver a doença do que quem não faz.

Dieta saudável é fundamental

As pesquisas em animais de laboratório e pessoas feitas pelos médicos William Robinson e Mark Genovese, especialistas em imunologia e reumatologia da Universidade Stanford, sugerem que lesões e o desgaste natural da idade causam uma inflamação de baixa intensidade que afeta ainda mais as juntas. Os dois estão procurando formas de deter seletivamente o efeito inflamatório, na esperança de prevenir maiores danos.

A inflamação crônica pode explicar por que algumas pessoas desenvolvem artrose em articulações não sobrecarregadas, como as dos dedos. Os danos causados por ela também podem explicar a influência da dieta na doença. Segundo a Fundação da Artrite, órgão dos EUA, os elementos que estão ligados a esse processo são o açúcar, as gorduras saturadas e trans, os carboidratos refinados e as bebidas alcoólicas.

Entre as 54 mil mulheres acompanhadas por uma pesquisa americana durante 16 anos, tinham menos risco de se verem limitadas na execução das tarefas diárias as que consumiam mais legumes e verduras, frutas, grãos integrais, nozes, ômega-3 e gorduras poli-insaturadas e menos bebidas açucaradas, sucos de fruta, carne vermelha e processada, gorduras trans, sódio e bebidas alcoólicas.

Exercícios são bênção e maldição

Os exercícios podem ser mocinhos e vilões quando o assunto é artrose. Em excesso, podem causar lesões e acelerar o desgaste, mas em doses insuficientes podem resultar em redução da flexibilidade e fraqueza muscular para suporte inadequado das articulações, aumentando assim os riscos de lesões.

Exercícios na água são uma excelente opção para quem tem juntas doloridas, principalmente os que estão acima do peso, porque minimizam o estresse articular. Porém, atividades mais exigentes, como a caminhada, continuam importantes, mesmo com a doença avançada. Especialistas canadenses descobriram que andar de 30 a 50 minutos pelo menos três vezes por semana alivia a dor do joelho afetado. A prática diária de tai chi tem o benefício duplo de melhorar o equilíbrio e aliviar a dor e diminuir a rigidez nos joelhos e no quadril.

O treino de força é igualmente importante porque os músculos fracos não podem suportar adequadamente as juntas comprometidas. Pedalar, em ambiente interno ou externo, pode reforçar os músculos que suportam o quadril e os joelhos, bem como vários exercícios de chão.

 
 
 
 
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