The New York Times

Não aceite a osteoartrite sem combatê-la

05/10/2016 - 16h08min | Atualizada em 05/10/2016 - 16h08min

Eu tenho aquela que talvez seja a doença mais comum entre mulheres de meia-idade e idosos: osteoartrite (artrose), mas ao contrário de muitos que sofrem desse mal, eu não a aceito sem reagir. E você também não deveria.

De fato, você e seu médico deviam prestar atenção ao problema antes mesmo que ele ocorra porque, se tiver uma vida razoavelmente longa, certamente a desenvolverá em uma das principais articulações – e há muitas coisas que se pode fazer para preveni-la, minimizar os sintomas e superar a deficiência em que resulta.

Até o que você come ou deixa de comer, se faz exercícios ou não e como os pratica podem afetar o risco de desenvolver osteoartrite e sua capacidade de lidar bem com ela, apesar dos efeitos nas juntas.

Evidências recentes dão conta de que a artrose não é só o resultado de anos e anos de desgaste da cartilagem em articulações importantes como o joelho e o quadril; na verdade, pode se desenvolver, e talvez seja causada inicialmente por um processo inflamatório crônico de baixa intensidade que agora está ligado a outras doenças graves como os problemas cardíacos e o mal de Alzheimer, nas quais a dieta e os exercícios exercem uma função protetora.

Um dos maiores erros que as pessoas cometem é limitar os movimentos da junta afetada, o que acaba levando à rigidez e à fraqueza que só fazem piorar o quadro. O declínio resultante da função neuromuscular, principalmente o equilíbrio e a rapidez no caminhar, é um dos principais riscos para quedas e lesões causadas por elas, que acabam levando a cirurgias caríssimas e deficiências duradouras.

Uma pesquisa nacional feita em 2012 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças concluiu que, entre as pessoas com artrose, a incidência de duas ou mais quedas no ano anterior era 137 por cento – e a de lesões causadas por quedas, 149 por cento – maiores que as das pessoas da mesma idade livres do mal.

Em 2011, osteoartrite respondeu por 95 por cento das 757 mil cirurgias de prótese de quadril e 80 por cento das 512 mil artroplastias de joelho realizadas no país, de acordo com a Iniciativa de Ossos e Articulações dos EUA.

Muito se sabe a respeito dos fatores que aumentam as chances do desenvolvimento da artrose, sendo que vários estão relacionados ao estilo de vida. Os mais importante deles – o sobrepeso e/ou a obesidade – são prenúncio de doenças para milhões de norte-americanos adultos, metade dos quais já pesa hoje muito mais do que deveria.

"Cada quilo a mais aumenta de seis a dez vezes o estresse na articulação do joelho. Pesquisadores noruegueses acompanharam mais de 1.600 pessoas com joelhos saudáveis durante dez anos; aqueles que estavam acima do peso ou obesos provaram ter o dobro ou triplo de chances de desenvolver artrose do que os que estavam dentro do peso normal", disse o Dr. Roland Moskowitz, reumatologista do University Hospitals Case Medical Center, em Cleveland, à Nutrition Action Healthletter, publicada pelo grupo de defesa Centro para a Ciência pelo Interesse Público.

Mesmo um emagrecimento mínimo, entre 4,5 a 5,5 kg para uma pessoa que pesa por volta de 113 kg, já reduz a dor e a deficiência associada com o problema.

Lesões e cirurgias, como a de reparo do menisco rompido, são outro fator no desenvolvimento da artrose. A inflamação que ocorre quando uma articulação está lesionada pode ter um peso considerável nessa relação. Quem passa por uma operação desse tipo, inclusive os atletas, tem de cinco a dez vezes mais probabilidades de desenvolver a doença do que quem não fez.

As pesquisas em animais de laboratório e pessoas, feitas pelo Dr. William Robinson e o Dr. Mark Genovese, especialistas em Imunologia e Reumatologia da Universidade de Stanford, sugerem que lesões e o desgaste natural da idade causam uma inflamação de baixa intensidade que afeta ainda mais as juntas. Os dois estão procurando formas de deter seletivamente o efeito inflamatório na esperança de prevenir maiores danos.

A inflamação crônica pode explicar por que algumas pessoas desenvolvem artrose em articulações não sobrecarregadas, como as dos dedos. Os danos causados por ela também podem explicar a influência da dieta na doença. Segundo a Fundação da Artrite, os elementos que estão ligados a esse processo são o açúcar, as gorduras saturadas e trans, os carboidratos refinados e as bebidas alcoólicas.

Entre as 54 mil mulheres acompanhadas pelo Nurses' Health Study durante 16 anos, as que consumiam mais legumes e verduras, frutas, grãos integrais, nozes, ômega-3 e gorduras poliinsaturadas e menos bebidas açucaradas, sucos de fruta, carne vermelha e processada, gorduras trans, sódio e bebidas alcoólicas tinham menos chances de se verem limitadas na execução das tarefas diárias.

Os exercícios podem ser uma benção e uma maldição em relação à osteoartrite; em excesso, podem causar lesões e acelerar o desgaste, mas em doses insuficientes podem resultar em redução da flexibilidade e fraqueza muscular para suporte inadequado das articulações, aumentando assim os riscos de lesões.

Uma vez que a osteoartrite se instaura, as atividades a que a pessoa está acostumada podem se tornar problemáticas. Quando arrebentei os joelhos (depois de três lesões esquiando, uma intervenção cirúrgica e muitos anos de corridas e jogos de tênis), fiz a cirurgia de reposição e adotei uma nova rotina de exercícios que inclui caminhadas diárias, bicicleta e natação.

Exercícios na água são uma excelente opção para quem tem juntas doloridas, principalmente os que estão acima do peso, porque minimizam o estresse articular. Porém, atividades mais exigentes, como a caminhada, continuam importantes, mesmo com a doença avançada. Especialistas canadenses descobriram que andar de 30 a 50 minutos pelo menos três vezes por semana alivia a dor do joelho afetado. A prática diária de tai chi tem o benefício duplo de melhorar o equilíbrio e aliviar a dor e diminuir a rigidez nos joelhos e quadril.

O treino de força é igualmente importante porque os músculos fracos não podem suportar adequadamente as juntas comprometidas. Pedalar, em ambiente interno ou externo, pode reforçar os músculos que suportam o quadril e os joelhos, bem como vários exercícios de chão.

Porém, mesmo com a dieta e a rotina de exercícios mais eficiente, a artrose pode comprometer significativamente as atividades diárias, incluindo abotoar a roupa, usar a agulha de costura e manusear utensílios na cozinha. Há opções que facilitam essas e outras tarefas em sites como arthritissupplies.com e aidsforarthritis.com (em inglês).

Abrir frascos e potes parece ser uma das atividades mais frustrantes para quem sofre do mal e aqueles que sentem a perda de força consequente da idade – mas antes de chamar um jovem ou o vizinho para ajudá-lo, permita-me oferecer a melhor solução que encontrei. Depois do fracasso com as versões de mão e a que se instala debaixo da mesa, uma amiga sugeriu o uso da trama de borracha, parecida com aquela que se usa debaixo do vaso para evitar que escorregue. Além de baratinhas, são eficientes – até hoje não teve um vidro que não deixei de abrir. Luvas de borracha também funcionam bem.

 






 
 
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