Alerta

Para especialistas, diálogo é caminho para orientar sobre "Jogo do Enforcamento"

Na noite de sábado, um menino de 13 anos morreu ao participar do desafio, em São Vicente, no litoral de São Paulo

Por: Estadão Conteúdo
18/10/2016 - 10h00min | Atualizada em 18/10/2016 - 10h05min
Para especialistas, diálogo é caminho para orientar sobre "Jogo do Enforcamento" Reprodução / Facebook/Facebook
Gustavo Riveiros Detter, 13 anos, morreu ao participar do jogo Foto: Reprodução / Facebook / Facebook

O diálogo sem intimidação é a principal recomendação de especialistas para orientar crianças e adolescentes sobre os riscos do "Jogo do Enforcamento", que pode causar danos no cérebro e levar à morte. Na noite de sábado, Gustavo Riveiros Detter, 13 anos, morreu ao participar do jogo, online, com outros três amigos, em São Vicente, no litoral de São Paulo. 

— Isso já estava acontecendo nos Estados Unidos há muito tempo. Os pais devem abrir espaço para o diálogo para criar um vínculo de confiança. Com ações punitivas e castradoras, eles se afastam dos filhos — diz Ricardo Monezi, especialista em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em 2008, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, publicou levantamento de mortes por estrangulamento acidental entre jovens de 6 a 19 anos no período de 1995 a 2007. Com base em informações de noticiário, os pesquisadores chegaram a 82 casos e constatam que 86% dos registros ocorrem entre meninos. A idade média das vítimas era de 13 anos, a mesma de Detter.

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Professora do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), a psicanalista Gabriela Malzyner diz que os pais não precisam ser invasivos, mas devem acompanhar hábitos dos filhos. 

— São os responsáveis pela criança e devem ficar atentos, perguntar o que o filho está fazendo, com quem está falando. Ao identificar um comportamento arriscado, devem procurar espaços para a conversa, que também pode ser feita por um tio ou primo mais velho. É importante colocar o jovem na comunidade e fazer uso dela para o bem.

Gabriela explica que é importante verificar se o jovem está com algum problema e, por isso, resolve participar de brincadeiras perigosas.

— Sabemos que tem o comportamento que faz parte do jovem, que é de querer se inserir em um grupo. Mas há casos em que o jovem está em sofrimento e acaba errando ao participar de uma brincadeira. Uma coisa é colocar a mesma calça que um amigo usa e outra é se colocar em risco.

Em sua conta no Facebook, que estava fora do ar na noite de segunda-feira, Detter costumava colocar informações sobre o universo dos games. Em julho, escreveu: "Meu sonho é morar num cemitério". A publicação não causou preocupação entre seus amigos. Uma página lamentando a morte do jovem foi criada e já contava com mais de 400 seguidores na segunda-feira.

Danos

Monezi explica que, ao se enforcar, há uma obstrução do fluxo sanguíneo que vai para o cérebro e o desmaio é causado por essa falta de oxigenação.

— A obstrução do fluxo sanguíneo prejudica o sistema nervoso e pode causar a morte ou causar sequelas. Dependendo do tempo da obstrução, a pessoa pode ter paralisia cerebral, lapsos de memória e perda de função cognitiva. Isso está longe de ser uma brincadeira — diz. 

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