Paleontologia

Pesquisadores anunciam descoberta do maior dinossauro brasileiro

Pertencente ao grupo dos titanossauros, nova espécie revelada hoje tinha 25 metros de comprimento

05/10/2016 - 13h02min | Atualizada em 05/10/2016 - 22h32min
Pesquisadores anunciam descoberta do maior dinossauro brasileiro divulgação/divulgação
Foto: divulgação / divulgação

Cientistas brasileiros apresentaram nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, o maior dinossauro já descoberto no país. Batizado como Austroposeidon magnificus, ele integrava o grupo dos titanossauros e media 25 metros de comprimento.

Os fosseis que permitiram descrever a nova espécie foram encontrados seis décadas atrás, na região de Presidente Prudente (SP), pelo paleontólogo Llewellyn Ivor Price (1905-1980), e pertenciam ao Museu de Ciências da Terra. A demora na avaliação do material teve relação com a necessidade de criar uma estrutura adequada para o estudo e com a escassez de recursos.

— Apenas quando tivemos que financiar uma pesquisa contínua é que pudemos fazer essa preparação. Também não é um material fácil de manusear — afirmou Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional.

Durante décadas, um acervo composto principalmente de vértebras do pescoço e da coluna vertebral (material mais comum quando se trata de dinossauros de grande porte), foi conservado em prateleiras de madeira, com temperatura controlada e a retirada cuidadosa de sedimentos de terra e rocha.

Com base nas características anatômicas, pesquisadores do Museu de Ciências da Terra, do Museu Nacional, da Petrobras e da Universidade Federal de Pernambuco classificaram a nova espécie como parte do grupo dos titanossauros, herbívoros de pescoço e cauda longos, com crânio comparativamente pequeno. Outras oito espécies desse grupo já haviam sido identificadas no Brasil, mas o porte era bem menor. Até o anúncio feito ontem, o mais imponente era o Maxakalisaurus topai, que tinha 13 metros de comprimento — aproximadamente a metade do Austroposeidon magnificus. O novo dinossauro aproxima-se mais das espécies argentinas gigantes, como o Mendozasaurus e o Futalognkosaurus.

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Conforme as informações divulgadas pela equipe de pesquisadores, a descoberta do Austroposeidon não apenas contribui com novas informações anatômicas e evolutivas sobre os dinossauros, mas também mostra que espécies gigantes também reinavam no Brasil há milhões de anos. Os titanossauros tiveram bastante êxito durante o Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás, aproximadamente), principalmente no supercontinente do Gondwana, que reunia América do Sul, África, Índia, Antártica e Austrália.

Parte do material da nova espécie foi analisada com auxílio de um tomógrafo, para estudo da parte interna dos ossos, o que revelou presença de características nunca antes vistas em titanossauros, como anéis de crescimento intercalados com um tecido ósseo mais denso, cujo significado ainda não é bem compreendido.

A partir desta quinta-feira, o material encontrado e uma reconstrução do braço do animal, em tamanho natural, estarão expostos para visitação pública no Museu de Ciências da Terra.

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