The New York Times

Assistência digital para cabelos texturizados

Por: The New York Times
05/01/2017 - 19h40min | Atualizada em 05/01/2017 - 19h40min

Parece coisa de louco sair do cabeleireiro com um visual pior do que quando chegou.

"É quando você prende o cabelo em um coque depois de tê-lo feito no salão e diz para si mesma: 'Será que ela usou chapinha? Ainda está tão armado!'. Muitas vezes saí com a sensação de ter desperdiçado meu dinheiro", disse Jihan Thompson, ex-editora de revistas e uma das fundadoras do aplicativo de beleza Swivel.

Jihan e sua amiga de longa data, Jennifer Lambert, criaram um aplicativo para facilitar o processo de escolha de salões para negras e latinas, um grupo amplamente ignorado pela mania que surgiu em torno de sotwares de beleza.

"Algumas vezes você tem sorte, depois de onze horas de pesquisa no Yelp, mas estamos tentando agilizar esse processo", disse Jennifer.

As usuárias do Swivel selecionam o serviço desejado e indicam o tipo de cabelo. A lista de serviços inclui penteados tradicionalmente afros, tratamento de cabelos cacheados ou pixaim e transição dos fios com relaxamento para o natural. Com base em informações e na localização da usuária (o Swivel está disponível apenas em Nova York no momento), o aplicativo oferece uma lista de salões selecionados pelo nível de prática e qualidade do serviço. Jennifer ou Jihan visitaram cada um dos salões incluídos nele.

"Percebemos que há muita gente talentosa por aí. É só uma questão de conectar as pessoas a ele", contou Jennifer.

O cabelo é parte integrante da expressão cultural negra, portanto, não é de surpreender que os tratamentos e penteados muitas vezes sejam feitos em salões dentro da comunidade negra, mas a habilidade para cuidar de cabeleiras negras também é moldada por uma indústria de beleza que não educa seus profissionais.

"Uma das nossas cabeleireiras disse que toda vez que aprendia uma nova técnica em seu curso, perguntava à instrutora: 'Tá, agora me diz como você faria isso no meu cabelo?'", disse Jihan.

Produzir e promover o Swivel e buscar financiamento implicou em descobrir o modo correto para explicar o vazio que o aplicativo preencheria. "A não ser a comunidade negra ou as mulheres negras, ninguém para um pouco e pensa nesse tipo de cabelo, nem mesmo consideram se temos necessidades especiais. O momento de descoberta ocorre quando dizemos às pessoas que as escolas de beleza simplesmente não treinam profissionais para cuidar do cabelo das negras", disse Jennifer.

Em novembro, as duas formalizaram Anthony Dickey como o assessor estratégico da empresa. Seu salão em Midtown Manhattan, o Hair Rules, e sua linha de produtos de mesmo nome são pilares do movimento que defende o cabelo natural. Dickey observou: "O setor de varejo respondeu a essa comunidade com alguns produtos, mas é meio que pôr o carro à frente dos bois; aprender a cuidar desse tipo de cabelo não acontece só tendo novos produtos. E eles não vão funcionar se você não souber como usá-los corretamente".

O número de salões que atende esse segmento diminuiu nos últimos anos, pois as mulheres adotaram o estilo natural e hoje confiam na internet para obter conselhos. Dickey espera ser capaz de ensinar cabeleireiros e donos de salão de beleza na rede do Swivel a cuidar do cabelo natural corretamente, além de trazer essas clientes de volta aos salões de beleza.

"Agora estou em um momento de transição. E o que todo mundo quer é ter o cabelo mais cheio, mais saudável, mais longo. Uma parte importante disso é ter um bom profissional que possa ajudá-la. O YouTube é ótimo para orientar as mulheres para que saibam o que podem fazer sozinhas, mas ter um cabeleireiro ajuda bastante", disse Jihan.

O cabelo dela muitas vezes chama atenção, afinal parece ter a quantidade certa de volume, de brilho e de cachos. Porque comandam um negócio ligado ao cabelo, Jennifer e Jihan sentem que suas próprias madeixas precisam estar perfeitas o tempo todo. "Não fazia parte da minha vida antes", disse Jihan.

As duas se dão muito bem, algo que vem com uma amizade de longa data. (Elas se conheceram há 22 anos, ainda no primário.) "Existe um vínculo, por isso uma não vai deixar a outra na mão se as coisas ficarem difíceis", disse Jihan.

Ela acrescentou que também haviam encontrado apoio na comunidade de tecnologia: "É incrível como quando você começa a dizer o que está fazendo, as pessoas querem ajudar".

Por Crystal Martin

 






 
 
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