The New York Times

Diversão no set e na tela  

Por: The New York Times
03/01/2017 - 21h37min | Atualizada em 03/01/2017 - 21h37min

Beverly Hills, Califórnia – Um vídeo dos bastidores da comédia "Tinha Que Ser Ele?" está disponível no YouTube. Ele mostra um monte de abraços, os rostos sorridentes dos atores Bryan Cranston, James Franco e Keegan-Michael Key e, no geral, uma atmosfera feliz e brincalhona. Quando perguntado se o clima no set chegou alguma vez a se parecer com o de um circo, Key, sentado ao lado de Franco e Cranston, parou por um segundo. "Circo?", disse ele em tom pensativo, "hmm, sim, acho que é bem por aí."

No que é basicamente uma versão às avessas de "Entrando Numa Fria" (que foi escrito por John Hamburg, diretor do novo filme), "Tinha Que Ser Ele?" conta a história do que acontece quando Ned Fleming, um pai conservador (interpretado por Cranston) e a esposa (Megan Mullally) são forçados a passar o Natal com a filha (Zoey Deutch) e o novo namorado dela, Laird Mayhew (Franco), um bilionário do setor de tecnologia, todo tatuado e desbocado. Key se encontra entre esses dois mundos, o são e o insano, na pele de Gustav, que gerencia a casa de Laird, é seu instrutor de parkour e guru, e que tenta desesperadamente ajudar seu bem-intencionado chefe a cair nas graças da família da namorada.

Recentemente, Cranston, de 60 anos, Franco, de 38, e Key, 45, se reuniram no Hotel Four Seasons, em Beverly Hills, para falar sobre o filme, diálogos improvisados, e um pouco sobre Key, Cranston e o que acontece quando um homem fica preso em um banheiro high-tech. Aqui estão trechos editados da conversa.

P: Bom, vamos direto ao ponto: a cena onde o personagem de Bryan está sentado em uma privada sem papel higiênico que não funciona.

Keegan-Michael Key: A princípio, não íamos estar na mesma sala, mas aí eu disse para o John: "Ele está em uma posição comprometedora. Vamos fazer um pouco mais de humor à custa da desgraça alheia". Foram duas tomadas daquela cena, uma de 46 minutos, a outra, 23. E o John Hamburg, coitado, foi muito paciente porque, do total, apenas três minutos poderiam ser utilizados. Era impossível parar (de rir).

Bryan Cranston: Ele está sendo muito generoso quando diz "nós". Basicamente, foi só "eu". Mesmo que você leia no roteiro, "Gustav entra no banheiro e se inclina", não tem nada engraçado nessa descrição, mas, na hora de fazer? Eu vou falar na cara dele (aponta para Key): ele estava tentando me fazer rir.

P: James, a ideia de seu personagem estar sem camisa quando conhece os pais da namorada foi sua. De onde veio isso?

James Franco: O segundo trabalho que fiz na vida foi um pequeno filme com Craig T. Nelson. E me lembro dele dizendo (voz resmungona): "Minha filha levou um cara para casa, era um roqueiro. E ele se sentou para jantar sem camisa. E eu disse à minha filha: 'Você pode pedir para esse aí colocar uma camisa?'." (Risos) Eu queria fazer algo que deixasse o Ned de orelha em pé.

P: Você também conversou pelo Skype com um designer de videogames na vida real chamado CliffyB. Como foi isso?

James Franco: Ele é muito, muito inteligente, mas foi uma saraivada de palavrões, misturando coisas inteligentes e interessantes, tipo assim: "Procure fotos minhas na internet da época em que comecei a fazer sucesso". Fui lá e procurei. Quando começou a chamar atenção por causa de seu trabalho, ia para convenções vestido meio como um gigolô snowboarder. [Risos] E eu pensei: "Sim! Esse é o personagem". Ou pelo menos superficialmente. Mas o que Bryan, John e eu realmente achamos é que, mesmo Laird sendo como é, realmente amava a garota. Sem isso, seria só meu personagem e o do Bryan prejudicando um ao outro, apenas um filme do tipo "Spy vs Spy".

P: Você só representou homens héteros e outros totalmente perturbados. Qual é o mais difícil?

Bryan Cranston: Muitas vezes você vê alguns filmes e diz: "Um hétero? Esse deve ser o papel mais difícil".

Keegan-Michael Key: Sendo hétero, existe um maior grau de sutileza. Você é reação pura, faz a maior parte do trabalho em silêncio. As pessoas dizem: "Hamlet? É uma tarefa hercúlea". Hamlet pode ser o papel mais fácil da peça. Ele diz tudo o que está pensando e sentindo no momento, enquanto todo o resto vive na terra dos olhares furtivos. Então, James teve que ir na base do impulso e deixar que as pessoas hétero reagissem.

James Franco: (Tom defensivo gozador) Péraí, você está dizendo que foi fácil para mim? (Risos) Já representei um monte de homens heterossexuais. Em "Planeta dos Macacos", o macaco, ou melhor, Andy Serkis, passa por uma mudança muito maior do que a do meu personagem. Ou em "Milk: A Voz da Igualdade", em que faço o namorado. E me lembrei de ter visto o quanto um filme pode ser arruinado quando o homem hétero não quer ser o homem hétero. Quando há dois doidos, não há equilíbrio. Em "Milk", decidi que ia fazer só o namorado dedicado. Isso é o que sempre penso quando represento um homem hétero: "Faça seu trabalho".

Keegan-Michael Key: Fica na sua. Conte a história. Seja o melhor hétero possível e conseguirá o papel do palhaço da próxima vez. É apenas o fio condutor no qual as pérolas estão sendo colocadas. E você ainda é uma pérola. Só não pode ser o diadema nesse filme em particular.

Bryan Cranston: Uau! Diadema! Conseguiu! (Leva a mão ao bolso) Te devo US$ 20.

Keegan-Michael Key: (Risos) Eu tinha prometido a ele que na primeira entrevista do dia ia usar a palavra "diadema". Na próxima, vai ser "truculento".

Por Margy Rochlin

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.