Transplantes

Órgãos de surfista gaúcho que morreu afogado vão para quatro pessoas 

Pacientes entre 16 e 65 anos receberam o coração, o fígado e os rins de Lucas Arsego Zuch, que se afogou no mar da Barra da Tijuca no dia 7

17/03/2017 - 14h54min | Atualizada em 17/03/2017 - 15h22min
Órgãos de surfista gaúcho que morreu afogado vão para quatro pessoas  Arquivo Pessoal / Facebook/Facebook
Foto: Arquivo Pessoal / Facebook / Facebook  

A decisão da família de Lucas Arsego Zuch de doar os órgãos do surfista de 27 anos beneficiou pelo menos quatro pessoas. Pacientes de 51, 65, 16 e 39 anos que estavam em acompanhamento médico no Rio Grande do Sul receberam, respectivamente, coração, fígado e rins – pele e córneas ainda poderão ser transplantados. Idealizador do projeto Surfari, que produz conteúdo exaltando a prática do surfe, Lucas se afogou na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no dia 7 deste mês. Transferido para Porto Alegre em UTI aérea, em estado crítico, ele teve a morte cerebral confirmada na última terça-feira, no Hospital Moinhos de Vento. 

No final de semana, a divulgação da notícia equivocada de sua morte encefálica, enquanto ainda estava internado em uma instituição de saúde carioca, causou intensa comoção nas redes sociais. Em mais de uma oportunidade, a família informou que respeitaria o desejo de Lucas de se tornar um doador. 

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"Estamos fazendo todos os esforços, com a dedicação imprescindível do corpo médico, para manter a possibilidade de doar todos os órgãos do nosso filho tão amado e tão saudável, a quem deles necessite. É a maneira que encontramos de agradecer ao universo toda a grandeza que nosso Lucas sempre nos proporcionou", disse Paulo Zuch, pai do esportista, em comunicado enviado à imprensa. 

Cristiano Franke, coordenador da Central de Transplantes do Estado, saudou a iniciativa da família de Lucas. No Brasil, é responsabilidade de cônjuges e familiares de até segundo grau do paciente (pais, filhos, irmãos, avós, netos) autorizar ou não a doação. A não concordância dos parentes é um dos maiores entraves para as cirurgias. 

– São as famílias que vão responder pelo falecido. Esse desejo deve ficar bem claro para a família poder respeitá-lo. Conversar sobre isso é muito importante – afirma Franke. 

O Rio Grande do Sul teve 284 doadores de órgãos e 786 órgãos transplantados (rim, fígado, pulmão, coração e pâncreas) em 2016 – em média, são transplantados três órgãos por doador. No ano anterior, foram 245 doadores e 783 órgãos transplantados. Outro aspecto fundamental para aumentar o número de doações, segundo Franke, é o investimento na capacitação dos profissionais envolvidos e no aprimoramento logístico do processo. 

Em nota encaminhada a ZH na quarta-feira, enquanto eram realizados os procedimentos para efetivar as doações, familiares e amigos do surfista mencionaram as "várias vidas" que ele poderia salvar. "A vida de Lucas sempre foi e continuará sendo uma alegria permanente e contagiante, e nossa família já ganhou e ainda ganhará muitos outros filhos, que são os amigos de Lucas", diz o texto. 

 
 
 
 
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