Solidariedade

Casa de Apoio Madre Ana completa um ano de operação e mais de 600 pessoas atendidas em Porto Alegre

Instituição oferece hospedagem e cinco refeições diárias gratuitas a pacientes em tratamento na Santa Casa e seus familiares

15/05/2017 - 15h45min | Atualizada em 15/05/2017 - 15h57min
Casa de Apoio Madre Ana completa um ano de operação e mais de 600 pessoas atendidas em Porto Alegre Tadeu Vilani/Agencia RBS
Edvânia e o filho Alisson, da Paraíba, estão no residencial há nove meses: menino passou por transplante de rim Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

Edvânia Amâncio da Silva se prepara para enfrentar o segundo inverno longe de sua Paraíba natal. Para o frio que até pouco tempo atrás nem conhecia, a dona de casa de 27 anos compôs seu guarda-roupa, com casaco, meias e luvas, graças a doações. Já são nove meses ininterruptos longe do filho caçula, hoje com um ano e quatro meses, que vê apenas pelas chamadas em vídeo feitas pelo celular. Todo o esforço é empreendido em nome do primogênito, Allisson, 12 anos, que se submeteu recentemente a um transplante de rim. 

Mãe e filho estão entre os hóspedes mais antigos da Casa de Apoio Madre Ana, que abriga famílias de baixa renda em atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e completa um ano de funcionamento neste mês. Apesar da saudade, Edvânia agradece pelo conforto do lar improvisado no Rio Grande do Sul:

– Eu me sinto em casa aqui. 

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Uma missa na capela anexa à casa e a apresentação da Orquestra Jovem do Estado marcarão, nesta quarta-feira (17), a partir das 11h, as comemorações do primeiro aniversário da Madre Ana. Pacientes e familiares atualmente hospedados no local participarão da celebração. Nos últimos 12 meses, mais de 600 pessoas vindas do interior gaúcho e de 18 outros Estados já foram recepcionados gratuitamente no local. Edvânia e Allisson aguardam o resultado de uma biópsia para poder retornar a Itabaiana, no interior paraibano. 

– Vim sem previsão de volta. Chorei, mas pensei: "Se eu não for, ele vai morrer" – recorda Edvânia, feliz com os amigos de vários pontos do Brasil que conquistou aqui. 

"A casa é que nem coração de mãe", diz Simone, mãe de Yasmin, que faz sessões de químio e radioterapia na Capital Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A maior parte dos hóspedes da casa vem à Capital em busca de atendimento em três especialidades pediátricas: cardiologia, transplantes e oncologia. O prédio de quatro andares na Rua Vigário José Inácio, no Centro, doado por irmãs franciscanas, dispõe atualmente de 30 leitos. Todos os quartos têm banheiro privativo. São oferecidas cinco refeições diárias, além de itens de higiene, roupa de cama e de banho e material de limpeza – há famílias em situação tão precária que chegam sem nem mesmo uma escova de dentes. Cada um é responsável pela manutenção do quarto e pela lavagem das suas roupas e louças. A gestão administrativa e operacional do residencial fica a cargo da Santa Casa. As despesas mensais da Casa de Apoio Madre Ana somam, em média, R$ 65 mil, custeados exclusivamente a partir de doações da comunidade. 

– A proposta é atender com qualidade e dignidade todas as necessidades dos nossos hóspedes para que façam o tratamento – diz Adriane Barboza, assistente social e gestora administrativa. 

Não fosse a Madre Ana, a dona de casa Simone Silva, 29 anos, e a filha Yasmin, 11, de Uruguaiana, não teriam como comparecer às sessões de químio e radioterapia para um tumor que já exigiu mais de uma cirurgia na cabeça da menina. 

– A casa nos recebeu de braços abertos. É que nem coração de mãe. Vem gente de todos os lados – descreve Simone, que deixou outros quatro filhos na cidade fronteiriça. 

Mirlei, que acompanha o tratamento do filho Athos, sente saudade da Madre Ana quando retorna para Santo Ângelo Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Mirlei de Fátima Duarte Gomes, 36 anos, de Santo Ângelo, acompanhante do filho Athos, 13, também em tratamento oncológico, completa: 

– É um hotel de luxo. Quando eu estava em casa, senti falta daqui. 

Antes da abertura da casa de apoio, muitos tinham de improvisar pernoites na recepção, nos corredores ou até mesmo no estacionamento do hospital. Para o cirurgião cardiovascular Fernando Lucchese, presidente do Conselho Gestor da Casa de Apoio Madre Ana, a garantia de ter um lugar adequado para ficar impacta inclusive na recuperação dos pacientes. 

– Os resultados das cirurgias são melhores, as crianças não sofrem com a ansiedade das mães, que antes transferiam toda a sua ansiedade para elas. Está todo mundo mais tranquilo. A casa melhorou a vida de muita gente que antes ficava numa situação extremamente adversa. As pessoas estão felizes lá dentro. É uma casa carinhosa – afirma Lucchese. 

Até o final de 2017, a capacidade da casa deve ser ampliada em 50%, totalizando 45 leitos. Também está em estudo a possibilidade de se passar a acolher pacientes atendidos em outras instituições de saúde da cidade. 

Celebração 

– A comemoração que marca o primeiro ano de funcionamento da Casa de Apoio Madre Ana será nesta quarta-feira (17), com uma missa na Capela Sagrado Coração de Jesus (Rua Vigário José Inácio, 741, Centro), anexa à casa, e apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, entre outras atividades.

Como ajudar

– A instituição se mantém exclusivamente a partir de doações da comunidade. São aceitas contribuições em dinheiro via depósito bancário, pagamento de boleto e diretamente na tesouraria da Santa Casa. Interessados em ajudar podem obter mais informações pelo telefone (51) 3214-8978 e no site santacasa.org.br/casadeapoiomadreana.

– No dia 13 de junho, às 19h, no átrio do Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Avenida Independência, 75, Centro), será realizado o Leilão do Bem, com cerca de 40 obras de arte e outros itens. A renda será totalmente revertida à Casa de Apoio Madre Ana. 

 
 
 
 
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