Inclusão

Estudantes de Nova York fazem roupas especiais para pessoas com deficiências

Alunos de uma escola de design fazem roupas especiais para atender às necessidades de pessoas com limitações e aprendem sobre processo colaborativo 

Por: The New York Times
18/05/2017 - 14h29min | Atualizada em 21/05/2017 - 21h29min
Estudantes de Nova York fazem roupas especiais para pessoas com deficiências Hilary Swift/NYTNS
Irene Park, paralisada por lesão na medula espinhal, foi beneficiada por ideia de um dos times do Open Style Lab Foto: Hilary Swift / NYTNS  

Escolher e comprar roupas é algo tão desafiador que toda uma indústria de estilistas, editores de revistas e blogueiros de moda foi criada para ajudar na tarefa. Mas imagine se seus parâmetros incluíssem mais do que encontrar um suéter que combine com a cor dos seus olhos ou uma mochila que vá bem com seu par de tênis.

Imagine que você não pode usar os braços para nada (muito menos para se vestir sozinho), que está em uma cadeira de rodas e precisa ter acesso rápido a um cateter, que tem uma curvatura convexa significativa na espinha que faz com que qualquer pressão sobre uma superfície reta seja dolorosa ou que tenha espasmos musculares.

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Essas são as condições reais de quatro pessoas que se tornaram "clientes" de 15 alunos da Escola de Design Parsons, em Nova York, neste ano. Os alunos, que vêm de cursos diferentes, foram divididos em equipes e passaram um semestre criando roupas para atender às necessidades específicas de seus clientes. A tarefa foi parte de um curso dado pelo Open Style Lab, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é projetar roupas funcionais e elegantes para pessoas com deficiências. Os estudantes apresentaram seus projetos finais no começo de maio.

— As deficiências se sobrepõem ao envelhecimento e ao design universal — diz Grace Jun, diretora executiva do programa. — Temos de ver isso como uma parte do nosso ciclo de vida. É algo que precisamos enxergar não apenas do ponto de vista de direitos humanos, mas também por seu valor econômico.

Quase 40 milhões de americanos, cerca de 12% da população dos Estados Unidos, têm algum tipo de deficiência.

— Como uma mulher com deficiência, sempre acho que eu sou o problema e que as roupas são OK — afirma Kieran Kern, que sofre de paralisia cerebral espástica quadriplégica e usa uma cadeira de rodas.

Quando Kern entrou em contato com o Open Style Lab, estava procurando um casaco que pudesse ser colocado com facilidade apesar das limitações de seu corpo enfraquecido e dos músculos que podem sofrer espasmos. A equipe fez uma espécie de capa de lã e seda vermelha com uma haste circular em torno do pescoço que permite que Kern balance o casaco e cubra as costas com uma só mão.

Casaco feito com um tipo de haste circular em torno do pescoço permite que pessoa com limitações possa cobrir as costas com uma mão Foto: Hilary Swift / NYTNS

Vocabulário inclusivo faz parte do aprendizado

Para Christina Mallon, que tem o que os médicos imaginam ser uma rara forma de esclerose lateral amiotrófica, também conhecida pela sigla ELA ou doença de Lou Gehrig, qualquer tarefa pode se tornar um desafio:

— Não consigo me vestir nem me alimentar, escrever ou andar de metrô sem equipamentos de assistência ou ajuda de um amigo.

Assim, sua equipe na Parsons criou um casaco de duas peças de lã preta com uma parte de cima parecida com uma capa para cobrir os braços e o peito, e uma peça mais estreita para o dorso.

— Dividimos o processo de vestir em duas partes para que seja mais fácil para ela identificar os pontos de entrada — explica Claudia Poh, que cursa Belas Artes com especialização em Moda.

O casaco tem braços amplos para tornar mais fácil a colocação, um estreitamento no decote para impedir que caia quando Mallon passa a cabeça e uma malha na nuca para deixar a parte de cima mais bem ajustada, assim ele não desliza.

Um terceiro grupo trabalhou em um colete para Douglas Balder, que tem vértebras comprimidas que causam uma curvatura em sua coluna, e outro time criou calças para Irene Park, que sofreu uma lesão na medula espinhal que deixou paralisada a parte de baixo de seu corpo e faz com que ela precise usar um cateter.

— Acho que a coisa mais importante que eles aprenderam nas primeiras três semanas foi o vocabulário inclusivo — diz Grace Jun sobre as equipes. — E os desafios que precisaram encarar tinham muito a ver com comunicação interpessoal. Eles conseguiram entender que pessoas com deficiência não são iguais. Precisa ser um processo colaborativo. Estamos desenhando com eles, não para eles.

Por Valeriya Safronova

 
 
 
 
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