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Número de gaúchas que praticam atividade física é o menor da Região Sul, revela pesquisa

Já os homens gaúchos se mostraram mais ativos do que os vizinhos

17/05/2017 - 13h29min | Atualizada em 17/05/2017 - 13h29min
Número de gaúchas que praticam atividade física é o menor da Região Sul, revela pesquisa Bruno Alencastro/Agencia RBS
Soeni Zuchetto, 66 anos, sente mais ânimo por retomar a caminhada diária Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

Aos 66 anos, a aposentada Soeni Zuchetto retomou a caminhada diária após alguns meses sem praticar exercício físico. Como prefere atividades ao ar livre, ela dispensa a academia e só a chuva a impede de percorrer as quatro voltas em torno do Parque da Redenção, em Porto Alegre.

O exercício escolhido por ela é o mais comum entre as mulheres, segundo pesquisa nacional por amostra de domicílios sobre a prática de esporte e atividade física divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na manhã desta quarta-feira. Segundo o levantamento, o número de mulheres que pratica alguma atividade física no Rio Grande do Sul é o menor da Região Sul. Soeni está entre os 31,4% das mulheres que estão na ativa no Estado. Em Santa Catarina, o percentual chega a 43,2% e, no Paraná, a 43,7%.

— Ficar só em casa não dá. Eu me sinto melhor quando caminho, sinto mais ânimo — revelou a aposentada.

Já os homens gaúchos se mostraram mais ativos do que os vizinhos da Região Sul. Pelo menos 68,6% dos homens praticaram alguma atividade física no ano da pesquisa (de setembro de 2014 a setembro de 2015). Em Santa Catarina e no Paraná, os percentuais foram de 56,8% e 56,3%, respectivamente.

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Entre os gaúchos que se exercitam, está o gestor de esportes Felippe Marchetti, 29 anos. Ele está acima da média dos homens da pesquisa, que pratica normalmente uma atividade por semana e tem o futebol como esporte de preferência. Marchetti dá um jeito de conciliar os horários para praticar corrida, natação, academia, tênis e pedalada. Não é à toa que o jovem é formado em Educação Física e mantém o ritmo acelerado há dez anos. A irmã dele, Julia Marchetti, 20 anos, o acompanha há cinco anos nos mesmos esportes.

— Tem que fazer isso virar um hábito de vida. Se tu te acostuma, vai sentir falta quando parar, acaba se tornando um prazer — incentiva Marchetti.

Júlia e Felippe praticam corrida juntos Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Diferenças entre homens e mulheres

Jussara da Costa, que é profissional de Educação Física e integrante do Conselho Regional de Educação Física, percebe em sua rotina que as mulheres têm mais dificuldade de manter uma atividade física em função do tempo e das tarefas que acumulam como mãe, mulher e profissional. Por causa da correria, elas acabam optando pelas atividades individuais. O clima do inverno gaúcho também é um fator de influência.

Já os homens, na avaliação da especialista, conseguem preservar o hábito de se desligar das tarefas diárias e manter a atividade física, principalmente se for coletiva, como o futebol. Quando um colega falta, os outros cobram.

— Os homens não faltam ao futebol e não deixam de ter essa relação. Mas quando a mulher consegue ter isso, em grupo, ela também consegue. É preciso conciliar questões profissionais com pessoais — sugere a profissional.

Segundo o levantamento, as regiões Sul e Centro-Oeste foram as que apresentaram proporções maiores do que a média nacional de pessoas ativas. Em 2015, o País tinha 161,8 milhões de pessoas de 15 anos ou mais, das quais 61,3 milhões (37,9%) praticaram algum esporte ou atividade física, enquanto o Sul registrou 40,8% e o Centro-Oeste 41,1%.

A pesquisa identificou ainda que a pratica de atividade física aumenta conforme é elevado o nível de instrução, embora tenha constatado que 76% da população não praticou nenhum tipo de exercício ou esporte no ano da amostra. Entre os motivos para não praticar, estão a falta de tempo, falta de gosto pelo esporte, problemas de saúde e idade.

A dica da especialista em Educação Física para começar a se exercitar e fazer isso virar uma rotina é escolher uma atividade que gosta. Dentro disso, é importante identificar um horário disponível. Disciplina e atitude também são fundamentais.

— Muitas academias permitem que o aluno faça uma aula experimental. Você pode ir até lá ver como é uma aula de yoga, pilates, dança e outras coisas. Tem que encontrar uma atividade que gosta. Muita gente consegue reduzir o uso de medicamentos e a depressão em função do exercício físico — destacou Jussara.


 
 
 
 
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