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O sobrenome influencia no sucesso profissional de um brasileiro?

Pesquisador Leonardo Monasterio classifica a origem dos sobrenomes existentes no Brasil e cruza com a renda e a escolaridade dos trabalhadores. Os resultados, a um só tempo, reforçam um senso comum e levantam uma coleção de perguntas a serem respondidas 

09/06/2017 - 12h00min | Atualizada em 11/06/2017 - 15h55min
O sobrenome influencia no sucesso profissional de um brasileiro? Edu Oliveira / Arte ZH/Arte ZH
Foto: Edu Oliveira / Arte ZH / Arte ZH  

Digamos que você tenha um problema cardíaco e precise passar por uma operação delicada. Deve escolher entre dois cirurgiões, sobre os quais sabe apenas o nome. Um deles se chama João da Silva. O outro, Werner Metzger. Nas mãos de qual você colocaria sua vida?

Nos últimos dias, apresentei esse dilema a uma série de pessoas, e a reação geral foi a de admitir, com algum espanto e sentimento de culpa, uma propensão pela escolha do médico com nome de ressonância estrangeira, por transmitir mais credibilidade – mesmo que "Metzger", em alemão, signifique "açougueiro".

Existe uma extensa literatura demonstrando que ser homem, ser branco, ser alto, ser bonito ou ser rico representa uma vantagem competitiva nas mais variadas esferas – a distribuição de cargos de chefia, por exemplo. É uma forma de discriminação positiva que ocorre, muitas vezes, até de forma inconsciente.

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Será que o sobrenome de uma pessoa, com todas as informações sobre origem que ele costuma carregar, também tem esse tipo de influência? Até que ponto, sem perceber, avaliamos alguém de forma diferente, quando ele se chama Santos, Yamamoto ou Rabinovitz?

Essas são algumas das questões que perpassam, ainda que de forma marginal, um estudo publicado no mês passado, na Public Library of Science (Plos), pelo doutor em desenvolvimento econômico Leonardo Monasterio, professor da Universidade Católica de Brasília e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Monasterio colocou-se o desafio de classificar e mapear a origem dos sobrenomes existentes em solo nacional.

Em diferentes bancos de dados, brasileiros e estrangeiros, ele levantou mais de 70 mil sobrenomes, classificados em cinco origens: ibérica (10.142), italiana (26.191), alemã (22.502), japonesa (5.375) e europeia do leste (7.581). Também preparou algoritmos baseados em padrões linguísticos que permitiam, quando um nome não constava na listagem, identificar com boa dose de precisão qual a sua origem, das cinco classificações usadas.

Depois disso, o pesquisador cruzou com essa base as informações de 46,8 milhões de trabalhadores formais brasileiros, totalizando cerca de 150 mil sobrenomes, listados em 2013 na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um rico banco de dados mantido pelo Ministério do Trabalho. Dessa forma, conseguiu radiografar a ancestralidade dos sobrenomes de uma parcela muito significativa da população brasileira. Descobriu que 88,1% dos trabalhadores tinham um último nome de origem ibérica:

Foto: Edu Oliveira / Arte ZH

Monasterio também rastreou a distribuição geográfica da totalidade dos sobrenomes dos 46,8 milhões de indivíduos estudados, apresentando o resultado em um mapa no qual os municípios aparecem com uma coloração diferente conforme a maior ou menor presença de nomes de origem não ibérica. Uma cor mais escura identifica predominância de nomes de outras origens – alemã, italiana, europeia do leste ou japonesa. Esse mapa convenceu o pesquisador de que seu método estava bem calibrado. Apareceram com coloração negra justamente as áreas coloniais, como a metade norte do Rio Grande do Sul.

– Fiquei feliz com o mapa porque ele bateu com as coisas que eu esperava, as regiões coloniais, os gaúchos subindo para o Centro-Oeste, a imigração europeia para o Espírito Santo, tudo isso apareceu – enumera Monasterio.

Em conversa com ZH, o economista do Ipea contou que não pretendia ir muito além disso no trabalho em questão. Por insistência dos pareceristas que avaliaram o artigo, providenciou também um levantamento sobre a renda e a escolaridade dos trabalhadores, segundo a ancestralidade do sobrenome.

O resultado faz pensar. Evidencia que a desigualdade, no Brasil, não é só uma questão de gênero ou cor. Também aparece quando pelo critério onomástico.

Levando em consideração os trabalhadores do mercado formal, com idade entre 23 e 60 anos, empregados no setor privado, a remuneração mais alta é a dos brasileiros de nome japonês (salário bruto médio de R$ 73 por hora). Em seguida vêm, pela ordem, italianos, alemães e europeus do leste. O caso dos sobrenomes de origem ibérica é mais complicado. Indígenas e negros receberam, no Brasil, nomes de origem portuguesa, mesmo sem ter nenhuma ancestralidade europeia. Monasterio resolveu separar esse grupo, por isso, em quatro categorias, conforme a declaração de raça: negros, pardos, nativos e ibéricos (que seriam aqueles declarados brancos).

O economista reconhece que essa divisão não é isenta de dificuldades. A declaração de raça no Brasil tem caráter subjetivo, e com enorme frequência pessoas com alguma ascendência africana ou indígena se definem como brancas. Uma outra particularidade é que, enquanto sobrenomes japoneses, alemães, italianos e do leste europeu estão ligados a processos migratórios relativamente recentes (dos séculos 19 e 20), os sobrenomes ibéricos ligam-se em larga medida à colonização do país. Nesse sentido, representam no estudo não apenas imigrantes portugueses e espanhóis, mas principalmente o que se poderia chamar de um substrato original "brasileiro".

Levando em conta a subdivisão, os sobrenomes ibéricos de pessoas definidas como brancas foram associados a um remuneração média de R$ 34 por hora. Depois vieram, em ordem decrescente, pardos, indígenas e negros, todos abaixo dos R$ 30.

Foto: Edu Oliveira / Arte ZH

A desigualdade por sobrenome também apareceu no quesito escolaridade, em um ranking que coincide parcialmente com o da renda. Os japoneses tinham mais anos de estudo, seguidos por italianos, europeus do leste e alemães, ibéricos, indígenas, pardos e negros. Apesar de receberem salários significativamente menores, ibéricos brancos tinham apenas um ano a menos de estudo, na comparação com italianos, alemães e europeus do leste.

Foto: Edu Oliveira / Arte ZH

Monasterio não investigou a razão da desigualdade – esse é o seu objeto de pesquisa no momento. Uma hipótese merece ser descartada de cara, por preconceituosa e racista: a de que a diferença poderia ser explicada pela superioridade de umas etnias sobre as outras.

– Risco de fazerem uma interpretação errada sempre tem. Mas de jeito nenhum existe superioridade inata, pois o próprio conceito biológico de raça não faz sentido. Pode ser simplesmente que esteja acontecendo uma discriminação de certos grupos, sem qualquer motivo objetivo. Quando fazemos pesquisas parecidas sobre homens e mulheres, também se encontra essa diferença. O salário do homem é maior – observa Monasterio.

Restam, no entanto, muitas outras hipóteses para explicar o fenômeno. Uma delas salta à vista no próprio mapa traçado pelo pesquisador.

O mapa revela que a região com predominância de sobrenomes não ibéricos é centro-sul do Brasil, onde os salários e a escolaridade tendem a ser mais altos. Da mesma forma, o domínio de nomes de origem portuguesa e espanhola é quase total no Nordeste e no Norte, onde renda e anos de estudo ficam para trás. Nesse caso, a desigualdade estaria relacionada com a distribuição geográfica dos sobrenomes. O economista Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, levanta essa possibilidade:

– O Sul e o Sudeste são mais desenvolvidos, têm desenvolvimento humano maior. Nessas regiões, há uma predominância de colonização alemã, italiana. Pode ser que, pensando estar medindo o sobrenome, esteja-se medindo a região do país.

Uma outra explicação possível para alguns sobrenomes estarem associados a salários maiores seria a educação. Grosso modo, os mais escolarizados aparecem, na pesquisa, como os mais bem remunerados também. Mas por que pessoas com determinados sobrenomes somam mais anos de estudo? Uma vez mais, para desgosto de eventuais supremacistas, isso não tem nada a ver com indivíduos de determinadas origens serem mais estudiosos ou inteligentes.

– Os imigrantes que vieram para o Brasil, apesar de pouco educados pelo padrão europeu, eram muito mais escolarizados do que os nativos brasileiros. Em 1910, só 12% das crianças estavam na escola aqui. Na Europa, no mesmo período, o índice já era de 60% a 80%. Então os imigrantes vieram para o Brasil com uma vantagem familiar, que foi sendo repassada de uma geração para outra e bate na escolaridade de hoje. Esses caras já vinham com habilidades diferentes das dos brasileiros, já tinham uma experiência urbana, provavelmente tinham uma experiência comercial maior. Já sabiam fazer alguma coisa de siderurgia, de ferramentas simples. E esse conhecimento cria as bases para uma indústria local. É o caso do Rio Grande do Sul, é o caso de São Paulo, que deslancha e vira a locomotiva do país – avalia Monasterio.

Ele também aventa que a desigualdade de hoje possa ser consequência da circunstância de algumas etnias terem recebido subsídios para estabelecerem-se no Brasil, e outras não.

– É melhor vir com subsídio do que com uma mão na frente e outra atrás. Pode ser que estejamos vendo na verdade um efeito de longo prazo de uma coisa que aconteceu no passado, por causa de uma vantagem inicial que tiveram. O trabalho mais coloca perguntas do que respostas – diz o pesquisador.

A própria chegada de imigrantes a determinado local cria ali uma massa de consumidores e produtores que naturalmente leva ao surgimento de novas atividades econômicas e a demanda por educação – contribuindo para rendimentos e escolaridade mais elevados. Haveria ainda a questão do timing: os imigrantes chegaram no momento certo, em um instante chave da economia brasileira, para substituir a mão de obra escrava. A natureza da imigração não deve ser desprezada. O usual é que imigrantes mudem-se para regiões promissoras, não para áreas em decadência, com poucas perspectivas econômicas. Se tivessem ido para o sertão nordestino, talvez alemães e italianos estivessem hoje em situação educacional e econômica bem inferior.

Dito tudo isso, existe ainda a possibilidade de que pessoas com determinados sobrenomes estejam simplesmente sofrendo discriminação. O pesquisador do Ipea investiga essa hipótese no momento. Ele quer saber se o sobrenome sozinho produz algum efeito.

– A questão é se, levando em conta pessoas que estão no mesmo lugar, no mesmo setor e com mesma escolaridade, existe algum prêmio ou não, alguma punição, por ter um sobrenome não ibérico. Isso não está no trabalho que publiquei. Mas eu já fiz isso. Existe. E o problema é saber por que existe. Pode ser discriminação em favor de quem tem determinado sobrenome. Ou então, porque quem tem sobrenome germânico, por exemplo, é de pele mais clara e portanto é favorecido. Pode ser que os brasileiros estejam discriminando a favor dos japoneses e contra os negros, sem motivo nenhum, por uma imagem qualquer ligada à etnia. Estou tentando decompor essas coisas para descobrir. Não dá para saber por enquanto – diz Monasterio.

Não há muitos estudos associando onomástica e renda, mas em 2008 pesquisadores da Universidade Carlos III de Madri concluíram que, na Espanha, pessoas com sobrenomes raros apresentavam nível socioeconômico superior ao da população com nomes comuns. Isolando o grupo formado pelos 10% da população com nomes mais invulgares, os cientistas descobriram que essas pessoas tinham chance 45% maior de exercer profissões de prestígio (como a advocacia ou a medicina), na comparação com os 10% de sobrenomes mais frequentes.

"O que eu ia fazer só com Oliveira e Silva? chorar"

Os autores do trabalho especulam que a origem dessa desigualdade, que na Espanha de hoje permite fazer ilações sobre o status pessoal de determinado indivíduo apenas pela leitura do sobrenome, possa estar em uma prática usual até o século 19: a possibilidade de criar sobrenomes novos, geralmente compostos. Pessoas de sucesso usariam esse expediente para se diferenciar da escumalha. Como a mobilidade social é pequena, seus descendentes continuariam nos estratos sociais mais altos.

No caso brasileiro, ainda que seja difícil aquilatar se decisões discriminatórias são tomadas com base na origem do sobrenome de alguém, vê-se com bastante frequência, em situações cotidianas, que se atribui aos nomes de família um valor, que pode ser negativo ou positivo. O universo da imprensa, por coincidência, é um bom termômetro desse fenômeno. Em Zero Hora, por exemplo, vigora a prática de que cada jornalista assine seus trabalhos com apenas um de seus sobrenomes. Cabe a ele escolher qual, entre os dois, três ou até quatro que tiver.

Folheando o jornal, o leitor vai concluir que a redação tem raros "Silva", "Santos", "Oliveira" ou "Silveira" e que está repleta de pessoas com origem germânica, italiana ou do leste europeu. Um levantamento informal com colegas, feito recentemente, revelou que isso está longe de ser verdade. A redação de ZH é, ainda que de forma clandestina, um formigueiro de sobrenomes de origem ibérica – aqueles sobrenomes tipicamente brasileiros –, mas escondidos, como esqueletos no armário. Acontece que, na hora de escolher como seriam conhecidos, os profissionais preferiram deixá-los de lado – talvez por intuírem que têm um valor social inferior.

Um colega, por exemplo, resolveu alterar o sobrenome de origem lusa, mexendo na sua grafia de forma a que ele ganhasse um ar exótico, estrangeiro, com predominância de consoantes. Outro, que herdou de pai e mãe dois sobrenomes supercomuns, resolveu ir à Justiça para alterar o registro e resgatar um outro nome de família, incomum, com consoante dobrada, pelo qual todos o conhecem hoje:

– O que eu ia fazer só com "Oliveira" e "Silva"? Chorar – justificou.

Por sua vez, questionada sobre por que escolheu ser conhecida pelo sobrenome alemão que herdou da mãe, em lugar de adotar o ¿da Silva¿ recebido do pai, uma jornalista respondeu sem rodeios:

– Porque não quero ser um joão-ninguém!

Outra reação reveladora foi a de uma editora que, confrontada com a inquirição sobre possíveis nomes "pelos-duro" ocultos, empertigou-se, estufou o peito e pôs-se a declamar um rosário de sobrenomes, todos de profunda pureza germânica, aos quais sua árvore genealógica dava direito. Ela mostrava-se radiante, orgulhosa dessa condição, como se contar apenas com sobrenomes alemães fosse um ativo. E talvez seja mesmo.

A tendência de preferir ser identificado por um sobrenome de ar estrangeiro, ou ao menos pouco frequente, parece indicar uma crença de que a forma como nos chamamos não é algo inócuo. Afinal, nomes e sobrenomes fornecem algo tipo de informação. Não são totalmente neutros. É de se esperar, por exemplo, que um Fujita ou Matsumoto sejam automaticamente associados a estereótipos atribuídos aos japoneses: seriam estudiosos, entendidos em tecnologia, ordeiros. Da mesma maneira, um nome alemão pode evocar características como pontualidade e seriedade.

A questão é se tais estereótipos e ideias preconcebidas podem trazer vantagem a pessoas que tenham sobrenomes de determinadas origens, com prejuízo para quem não os tem. Não é uma possibilidade descartada por especialistas entrevistados por Zero Hora.

– Há uma valorização disso, mas em um nível inconsciente. A pessoa fica presa nessas representações culturais, que valorizam aquele que saberia mais, que tem fama de ser de determinado jeito. Não sei até que ponto isso tem influência no mercado de trabalho. Talvez seja tênue. Mas acredito que se alguém tem de escolher às cegas, é capaz de escolher pelo nome, como se aquilo fosse uma garantia de qualidade, de melhor produto. Infelizmente funciona assim, eu acho – afirma o psicanalista Mario Corso.

Para Samy Dana, a discriminação onomástica, em termos de mercado de trabalho, depende muito do contratante. Ele lembra que empregadores de minorias – de origem judaica ou japonesa, por exemplo – tendem a privilegiar pessoas de sua própria etnia.

Usando uma abordagem diferente, a psicóloga e psicopedagoga Sônia Azambuja Fonseca descortinou o quanto a onomástica é um elemento valorizado pelos indivíduos durante a sua pesquisa de mestrado, realizada em 2002 na Faculdade de Educação da UFRGS. Instigada por relatos sobre o papel dos signos de identidade nas classes baixas, ela resolveu investigar os nomes próprios em duas turmas de alfabetização da Escola Municipal Dr. Loureiro da Silva de Porto Alegre. De forma geral, as 48 crianças vinham de lares pobres. Os pais exerciam profissões humildes, como pedreiro, babá, empregada doméstica, vendedor. Os sobrenomes que tinham eram daqueles banais e tipicamente brasileiros: "Silva", "Santos", "Souza".

Se os nomes de família eram comuns, compartilhados por quase todos, identificou Sônia, parte expressiva dos prenomes escolhidos pelos pais tinha a marca da peculiaridade. Extrapolava o alfabeto e as sonoridades típicas da língua portuguesa e evidenciava um gosto arraigado por consoantes duplas. As listas de chamada continham espécimes como Susan, Steffannie, Maymme, Keni Roger, Keila, Jeniffer, Jacson, Guibson, Francielen, Erika, Ellen, Alyne, Allan, Adrienne (enquanto isso, talvez para marcar um diferenciação de classe e de status, os mais ricos passaram a preferir nomes megatradicionais: João, Maria, Pedro, Lucas).

– O sobrenome não é uma escolha. Já se nasce com ele. Mas o primeiro nome é. Quis fazer uma coleta de dados para saber da realidade na classe popular. É muito comum a busca de um nome que possa marcar a singularidade, que possa marcar uma diferença, ou através da grafia, ou da sonoridade, ou de ambas. Notei a incidência relativamente significativa de letras que não seriam usuais no português. Por que isso? Por que usar letras duplas, letras estrangeiras? Porque tu não podes correr o risco de ser um joão-da-silva. Na classe popular, os sobrenomes são comuns, e a diferença se dá é pelo primeiro nome. Muitos de nós não precisamos fazer essa diferenciação, porque nosso sobrenome já basta – observa Sônia.

A escola em questão servia bem aos propósitos da psicóloga porque utilizava o nome das crianças como ferramenta do processo de alfabetização – e passava aos pais a tarefa de explicar, por escrito, a razão de os terem escolhido. A mãe de uma aluna chamada Jeniffer enviou uma justificativa que resume bem a generalidade das respostas: "Porque achou um nome muito bonito e diferente, não muito rotineiro". "É possível que, pelo fato de possuírem níveis de letramento menos desenvolvidos, vejam na complexidade ortográfica a expressão concreta do incomum, do que pode personalizar e produzir diferença", registrou a psicóloga em um artigo.

Essa diferença, observa o psicanalista Mario Corso, costuma ter como norte dar ao prenome a aparência de uma palavra estrangeira. Seria, talvez, a forma que os "Silva" encontram de se aproximar, de alguma maneira, dos Schumacher.

– É uma tentativa de fazer o nome. Se o meu sobrenome não vale, eu vou tentar que o meu primeiro nome valha alguma coisa. O português não vale, o que vale é a língua estranha, na cabeça dessas pessoas. Por isso a preferência por essas letras que nem existem no nosso alfabeto, como "y" e "w". Elas são colocadas em qualquer lugar, para parecer estrangeiro e, logo, melhor. Isso mostra que as pessoas percebem que os nomes têm um valor, que têm influência. E têm mesmo. Por mil razões.


 
 
 
 
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