Região da Campanha

Euforia e frio "absurdo": a história dos estudantes que flagraram neve granular em Pinheiro Machado

Trio que estuda Meteorologia instalou estações na cidade para analisar o clima na região

17/07/2017 - 15h46min | Atualizada em 17/07/2017 - 15h54min
Euforia e frio "absurdo": a história dos estudantes que flagraram neve granular em Pinheiro Machado Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
 Fernando (à esquerda), Allef (no centro) e Luiz Gabriel (à direita) ao lado de uma das estações, horas antes de registrarem a neve granular em Pinheiro Machado Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal  

A afinidade entre os três jovens entusiastas da meteorologia, apaixonados por fenômenos como neve, chuva congelada, geada e tempestades, surgiu antes mesmo que se encontrassem na faculdade. Conheceram-se interagindo nas redes sociais, trocando fotos e informações em grupos de discussão. No curso de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), a amizade se consolidou, abrindo caminho para um projeto que incluiu a compra, com recursos próprios, de três estações meteorológicas e que no último domingo (16) alcançou seu ponto mais emocionante até aqui. Allef Patrick Caetano de Matos, 23 anos, Luiz Gabriel Cassol Machado, 22, e Fernando Rafael Batista Ribeiro Junior, 19, captaram em fotos e vídeos a queda de chuva congelada e neve granular em Pinheiro Machado, na Campanha, em um final de semana marcado por uma virada espantosa do tempo, de um dia para o outro, no Rio Grande do Sul.

Allef, formando do oitavo semestre, e Luiz Gabriel, aluno do terceiro, são naturais de Mato Grosso. Mudaram-se para o extremo sul gaúcho para frequentar um curso bem conceituado e observar de perto as atrações de um inverno "de verdade". Fernando, também do terceiro semestre, é de Taquara, no Vale do Paranhana. Ao longo de um ano, os amigos economizaram dinheiro para comprar as estações, num investimento total de R$ 6 mil. Providos de diversos sensores, os equipamentos registram temperatura, umidade, precipitação, velocidade e direção do vento. Duas das estações foram instaladas em Pinheiro Machado, uma cidade alta, com muito frio e vento, o que a torna especialmente interessante ao olhar dos aprendizes de intérpretes do clima. O terceiro aparelho está em Pedras Altas. O objetivo do trio é produzir um zoneamento climático, um amplo panorama do clima na região, o que poderá ser útil para os setores da agricultura, da pecuária e do turismo — este último é considerado pouco explorado no município.

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Atentos à entrada de ar frio no Estado, os amigos anteviram a possibilidade de um momento especial no domingo.

— A gente sabia que nevar em flocos seria mais difícil. Era mais provável chuva congelada ou neve granular. Se não fôssemos nós para registrar aqui, ninguém iria registrar — comemora Allef.

A temperatura caiu a 3,2ºC na hora da neve granular, no final da tarde, o frio mais intenso até então na vida de Allef, que vestiu uma calça de moletom por baixo da calça jeans, um casaco bem grosso, touca, luva e cachecol — em sua Cáceres natal, nos dias de inverno, muito secos, o calor costuma ultrapassar os 30ºC. Hospedados no Sindicato Rural de Pinheiro Machado, onde está uma das estações meteorológicas, os guris entravam e saíam a todo instante, observando o que acontecia na rua e voltando para se abastecer de dados no computador.

— Estava absurdamente frio. Só que na hora da empolgação a gente nem estava sentindo — conta Allef. — Ficamos muito felizes. É o primeiro grande resultado desse projeto e está tendo uma repercussão muito grande — completa.

O trio de aventureiros planeja esticar a estadia na cidade para curtir outras emoções que a semana reserva. Na madrugada desta terça-feira, a expectativa é de que a temperatura chegue a 2ºC negativos. Há chance de ocorrência de geada negra, o tipo mais nocivo, capaz de queimar as plantas.

— Vai ser a primeira vez que vou ver — vibra Allef.

Na madrugada de quarta-feira, o frio pode ser ainda mais intenso, com os termômetros encostando nos 5ºC negativos — outro recorde para o mato-grossense habituado a invernos com cara de verão. 

 
 
 
 
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