Argentina 

Nevasca cancela voos em Bariloche e impede volta de brasileiros: "Está o maior caos" 

Com suspensão de decolagens, muitos passageiros tiveram de dormir no aeroporto ou procurar estadia em hotéis da cidade 

Por: Zero Hora
18/07/2017 - 20h44min | Atualizada em 18/07/2017 - 20h45min
Nevasca cancela voos em Bariloche e impede volta de brasileiros: "Está o maior caos"  Raul Pelegrin/Divulgação
Estacionamento do aeroporto de Bariloche no último sábado (15) Foto: Raul Pelegrin / Divulgação  

Em meio à onda de frio que atinge a Argentina, brasileiros e turistas de outras localidades enfrentem dificuldades para sair de Bariloche em razão da paralisação dos serviços do aeroporto da cidade, afetado pela força da nevasca. No domingo, os termômetros da cidade marcaram -25,4 °C — menor temperatura registrada no local nos últimos 50 anos.

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A neve, um dos principais atrativos para os turistas que visitam Bariloche, complicou a vida de quem precisava sair da cidade argentina. Com os voos cancelados desde a última sexta-feira (14), muitos passageiros tiveram que dormir no aeroporto ou procurar estadia nos hotéis da cidade. A tempestade que atingiu a região no último fim de semana é a maior em 27 anos.

Nesta terça-feira (18), a situação começou a voltar ao normal, gradativamente. A Secretaria de Turismo de Bariloche afirmou, em nota, que "os voos começaram a se normalizar" e que esperava nas próximas horas "que todos os passageiros fossem realocados". Durante a tarde desta terça, as viagens voltaram a ser canceladas em razão de neblina na região, mas o aeroporto voltou a operar parcialmente no fim da tarde.

Desde a madrugada desta terça-feira, dois voos já decolaram com destino a Buenos Aires. Estão programados ainda outros 22 voos. A fila de espera supera 300 metros de extensão. Nem todos os passageiros que aguardam poderão embarcar nessas viagens.

O empresário paulista Raul Pelegrin, 34 anos, é um dos brasileiros que enfrentam dificuldades para voltar ao Brasil. Sua saída de Bariloche estava prevista para ocorrer na sexta-feira (14), dia em que a nevasca na região ganhou força, impossibilitando o funcionamento do aeroporto.

Tentando resolver a questão, Pelegrin, sua mulher e seu filho, de nove anos, passaram a madrugada de sábado (15) no aeroporto, utilizando cadeiras de um restaurante como cama.

— Está o maior caos. Todo mundo em busca de informação. Tem gente dormindo há quatro, cinco dias no aeroporto. Tudo inflacionado. Todo mundo sem informação. Quem tinha voo hoje (terça-feira) não conseguiu embarcar, porque o aeroporto fechou de novo em razão de neblina. A situação no local, que já estava lotado, deve ficar pior, porque os voos da tarde desta segunda não saíram e não tem previsão para retomada das operações.

Pelegrin disse que a previsão é de que sua conexão para Buenos Aires saia na quarta-feira (19). No entanto, o voo para São Paulo ainda é incerto, pois a companhia Latam, segundo ele, não teria concordado em abonar as passagens. O empresário afirmou que a conexão entre a capital Argentina e Guarulhos já estava reservada para segunda-feira (17), mas também foi cancelada devido à suspensão dos serviços aéreos na região.

Conforme Pelegrin, a companhia aérea afirma que ele deve pagar pela segunda viagem, pois ele "perdeu o voo" para Buenos Aires. O empresário afirma que já havia pago pelas passagens, mas não conseguiu manter o cronograma em razão da suspensão dos serviços no aeroporto local.

Desde sábado (15), a rotina de Pelegrin se divide entre a estadia em hotel na cidade e idas ao aeroporto para tentar resolver a situação e garantir o retorno de sua família ao Brasil. Conforme o empresário, outros turistas, que não têm condições de bancar acomodações em outros locais, usam o aeroporto como dormitório e sofrem com os preços elevados da alimentação no local.

— Tem pessoas que seguem dormindo no local, principalmente, quem veio com dinheiro contado. Tem muita gente que falou: "Estou com o cartão de crédito liberado até o dia 15, que era o dia de retorno da viagem, e o cartão foi bloqueado para gastos internacionais". Os preços estão inflacionados, começou a faltar comida lá (no aeroporto) e está cumulando voo e, cada vez mais, pessoas estão esperando — destacou.

Por meio de nota, a Latam informou que "está fazendo todo o possível para reacomodar os passageiros afetados por cancelamentos e reprogramações" causadas pelos eventos climáticos em Bariloche.

"Com a melhora das condições climáticas, as operações da empresa estão sendo retomadas gradualmente. Ainda assim, a companhia pede que os passageiros confiram a situação de seus voos na página Status de Voos. A empresa lembra ainda que passageiros com conexões para outras companhias aéreas devem checar com antecedência a situação destes voos", diz um trecho do comunicado.

*Zero Hora com informações de Agências

 
 
 
 
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