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Fabro Boaz Steibel: o algoritmo de Anitta

O segredo da cantora passa por compreender como as mídias sociais funcionam. É um modelo de negócio que vai além da música

Por: Fabro Boaz Steibel
08/09/2017 - 18h00min | Atualizada em 08/09/2017 - 18h00min

Em 1991, Michael Jackson lançou o videoclipe Black or White, exibido no Brasil pelo Fantástico, em horário nobre de domingo, e por conglomerados internacionais como MTV, Fox e BBC. Michael Jackson fez história nos anos 1990, e se Anitta tivesse que competir com ele provavelmente seria mais uma desconhecida.

Em julho de 2017, Anitta lançou não na TV, mas na internet, o videoclipe Sua Cara. No mesmo dia, a cantora cravou a marca de vídeo mais assistido em menos tempo no YouTube no mundo. Anitta todo mês é a estratégia recomendada pelo YouTube, como diria Chico Barney. Isso porque Anitta aprendeu a misturar o mundo blockbuster de Michael Jackson com o mundo dos algoritmos dos millenials.

Um algoritmo é uma fórmula, uma sequência de instruções feita para gerar um resultado esperado. Quem entender como o algoritmo funciona sai na frente. Um algoritmo pode ser desenhado para te sugerir uma compra desejada, como faz a Amazon, ou alguém que você queira conhecer, como no caso do Tinder.

O algoritmo não entende qualidade, pelo menos não como nós, humanos. Qualidade, para o algoritmo, é conteúdo mencionado por influenciadores ou consumido rapidamente por um grupo diverso de pessoas. Coisas que o videoclipe da Anitta soube atrair.

Em um mundo sem internet, sem celular, sem influenciadores mirins, Michael Jackson reinava. No mundo de Black or White, a fama do artista, somada a um budget milionário de efeitos especiais e a uma temática provocativa (a mistura de brancos e negros, de raças e religiões), era suficiente para garantir o sucesso. É a fórmula blockbuster: poucos títulos, grandes investimentos.

Anitta consegue, com pouco, fazer muito. Ela gerencia com maestria a frequência com que cria conteúdo nas mídias sociais.

O canal Veritasium, criado em 2011, explica com ciência empírica como gradativamente o YouTube tem preferido quantidade a qualidade. Vídeos clássicos, mais trabalhados, memoráveis, geram cada vez menos visualizações, enquanto vídeos novos, logo que lançados, são mais vistos.

Anitta, que consegue misturar produções caríssimas no deserto do Marrocos com Instagram Stories e celular na mão acaba aproveitando os algoritmos nos dois lados. Anitta produz em quantidade, com qualidade.

Por trás da grande Anitta há uma indústria da economia criativa e uma artista inovadora. Sem dúvidas. Mas, mais do que tudo, existe um algoritmo. O segredo de Anitta passa por compreender como as mídias sociais funcionam e tirar o melhor disso. Mais vídeos, com mais frequência, com mais citações de influenciadores, significa um modelo de negócio que vai além da música.

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