Sedã grande

Accord é ótimo em tudo, menos para ostentar

Em equipamentos, veículo da Honda encara de igual para igual os concorrentes alemães, mas vende muito menos por não agregar status

02/01/2017 - 15h01min | Atualizada em 02/01/2017 - 15h01min
Accord é ótimo em tudo, menos para ostentar Renato Gava/Zero Hora
Discreto, veículo reúne ótimas características Foto: Renato Gava / Zero Hora  

É necessário elogiar o propulsor de 280cv, o ótimo espaço interno e o consumo satisfatório para um sedã grande. Porém, ao se andar no Honda Accord, o fenômeno mais notável é outro: a ausência de barulho. Com os vidros fechados, é como se os ocupantes estivessem em outro mundo. Ônibus, caminhões e motos passam ao lado e dão a impressão de fazerem parte de um filme mudo. Apesar de vários predicados, a fábrica japonesa traz (e comercializa) apenas 120 unidades anuais. Mas por que não vende mais? Simples: alemães como BMW 320, Mercedes Classe C e CLA 200 e Audi A4 garantem aos donos mais status, algo valorizadíssimo no país.

Não fosse isso, o Accord tinha tudo para abocanhar o público que, hoje, investe mais do que o dobro para ter veículos que entregam basicamente os mesmos recursos. Até o fechamento de novembro, haviam sido vendidas 119 unidades do sedã japonês, cujo preço é de R$ 162 mil. É quase quatro vezes menos (437) que o Jaguar XE, que apesar do motor turbo, tem 240cv e parte de R$ 182 mil. O luxuoso Audi 6 custa a partir de R$ 265 mil e vende 50% a mais (174 unidades) que o Accord. Ou seja, endinheirados no Brasil há, mas a Honda não tem conseguido chamar a atenção deles. Nem mesmo as mudanças da última geração do Accord, trazida este ano ao país, fizeram efeito.

Painel é prático e conta com acabamento cromado Foto: Renato Gava / Zero Hora

Parece ficção

Uma delas, exclusiva entre os veículos importados pelas montadoras que atuam no Brasil, é o Active Noise Control e Active Sound Control (ANC). O dispositivo capta ruídos e vibrações na cabine (mesmo que venham de fora) por meio de um microfone e, pelos alto-falantes, emite ondas contrárias que abafam o som. Parece coisa de filme de ficção, mas funciona muito bem.

Outro ponto marcante é o Lane Watch, que monitora o ponto cego do lado direito – uma câmera abaixo do espelho retrovisor reproduz as imagens na tela central, permitindo uma visão segura da faixa de rodagem lateral e evitando colisões, sobretudo com motos. A central multimídia também é nova e agora permite espelhamento com Android e Apple CarPlay. Há ainda GPS integrado com informações de trânsito por meio de radiofrequência (sem necessidade de conexão com celular) nas principais capitais, acesso à internet (com o veículo estacionado), bluetooth, HDMI, USB e auxiliar, além de DVD Player.

A tela touch de 7 polegadas tem boa resolução, mas não é tão prática quanto a de alguns rivais.

Com quase 5m, não falta espaço no sedã  Foto: Renato Gava / Zero Hora

Visual melhorado

No visual, a dianteira foi redesenhada e traz faróis principais e de neblina em LED. As rodas eram de 17¿ e passam a ter 18¿. Fabricado no Japão, o Accord passou a contar este ano com paddle shift atrás do volante. Na parte mecânica, a Honda manteve seu V6 3.5 inteligente, capaz de funcionar com apenas três cilindros – no teste, com cerca de 500 quilômetros rodados, a 120km/h o carro fez 14,5km/l na estrada. O câmbio de seis marchas é suficiente para fazer o veículo trabalhar em baixos giros, mas no trânsito urbano, mesmo quem não pisa forte dificilmente consegue mais que 8,5km/l.

Saídas de ar e ótimo espaço garantem conforto aos passageiros no banco de trás Foto: Renato Gava / Zero Hora

Os freios a disco progressivos funcionam muito bem, e as suspensões são feitas para garantirem grande conforto – nas curvas, são um pouco molengas em uma tocada mais esportiva. Os sensores de estacionamento na frente e atrás, além da câmera de ré, tornam fácil a tarefa de estacionar o grandalhão de 491cm e 1.632kg, cujo entre-eixos de 277,5cm é o maior da categoria e um dos trunfos para o carro estar há anos entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos. 

Honda incorporou aerofólio no porta-malas traseiro  Foto: Renato Gava / Zero Hora

FICHA TÉCNICA

Motor: V6, 3¿471cm3, 16V, transversal, 280cv a 6¿200rpm e torque de 34,6kgf.m a 4¿900rpm
Câmbio: automático de seis marchas
Tração: dianteira
Suspensões: McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios:disco ventilado (diant.) e disco sólido (tras.)
Rodas:liga leve, R18
Dimensões (cm): comprimento, 491; altura, 147,5; largura, 185; entre-eixos, 277,5
Peso: 1¿.632 quilos
Tanque: 65 litros
Itens de série: ar digital bizona, direção elétrica, piloto automático, ESP, controle de tração, revestimento em couro e multimídia com tela dupla

 






 
 
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