Do luxo ao lixo

Nos tempos de rico, até jipe Eike Batista produziu no Brasil. Confira

Veículo criado para as atividades de mineração do então milionário foi fabricado de 1993 a 2001 

09/02/2017 - 18h46min | Atualizada em 09/02/2017 - 18h46min
Nos tempos de rico, até jipe Eike Batista produziu no Brasil. Confira Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação  

Investigado na Lava a Jato por corrupção e hoje na cadeia, o empresário Eike Batista, antes de cair em desgraça, produziu um jipe por meio da empresa JPX, criada por ele, de 1993 a 2001. O objetivo do então milionário e playboy era fabricar um veículo apto às atividades de mineração do seu conglomerado industrial, o Grupo EBX, e que também pudesse atender ao mercado nacional de utilitários.

Em 1992, o então investidor do comércio e mineração de ouro e diamantes na Amazônia comprou os direitos para produção do francês Auverland A-3, pois precisava de um veículo para usar nas plantas mineradoras. No ano seguinte, nascia o JPX Montez, com poucas mudanças no projeto original, em uma fábrica em Pouso Alegre (MG). Durante o primeiro ano, foram desenvolvidas cerca de 120 unidades mensais – a meta de 400 veículos por mês nunca foi atingida.

O jipe tinha carroceria de aço produzida pela Brasinca, que também teve parceria com a Chevrolet. O chassi e parte da suspensão eram fabricados pela própria JPX. O motor 1.9 diesel de  71cv (90,5cv e 17,4 mkgf com turbo adaptado) e o câmbio eram da Peugeot. As caixas de redução e transferência Auverland também vinham da França, enquanto os eixos e diferenciais eram Carraro e os freios, italianos. Mais ou menos a fórmula que o empresário brasileiro João Amaral Gurgel usou para desenvolver seus veículos, da marca Gurgel, poucos anos antes.

Foto: Divulgação / Divulgação

Conforme a empresa, 70% do carro era nacional. Havia versões picape e militar, sempre com suspensão de molas helicoidais e eixos rígidos e tração 4×4. Os opcionais eram ar-condicionado, guincho elétrico e quebra-mato e capota de lona. 

Melhor que o japonês

Em 1996, foi comparado ao Toyota Bandeirante, seu principal concorrente. A imprensa especializada, na época, o considerou melhor que o veículo japonês – era 11% mais barato, mais forte e bem equipado. Levava vantagem no fora-de-estrada, principalmente pela suspensão.

Mas o tempo tratou de provar que havia problemas sérios. O motor com turbo superaquecia com facilidade. Para resolver a questão, foram inseridos radiador maior e duas ventoinhas em 1995. Porém, o problema só foi resolvido em 2000, com a adesão de intercooler instalados pela Peugeot.

Os defeitos do jipe, o baixo número de concessionárias, acabaram afastando os consumidores. E, claro, a abertura do Brasil à entrada de concorrentes importados também prejudicou a iniciativa do brasileiro. Em 2001, a produção acabou. Foram produzidos aproximadamente 2,8 mil carros durante oito anos, 450 deles adquiridos pelo Exército. Especula-se que o prejuízo do empresário chegou a 40 milhões de dólares. Nos sites de vendas de usados pode-se encontrar o jipe JPX Montez por cerca de R$ 20 mil.

 






 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.