Novos tempos

Com tecnologia antiga, Nissan cria sistema que veta celular ao volante

Uma espécie de Gaiola de Faraday impede que o smatphone receba mensagens e realize outros serviços que atraem a atenção do condutor

10/05/2017 - 15h36min | Atualizada em 10/05/2017 - 15h36min
Com tecnologia antiga, Nissan cria sistema que veta celular ao volante Divulgação/Nissan
Compartimento usa a técnica da Gaiola de Faraday, criada em 1836 Foto: Divulgação / Nissan  

O número de pessoas que insiste em dirigir e ao mesmo tempo mexer no celular para trocar mensagens e analisar as mídias sociais é tão grande que a Nissan criou um compartimento que, embora mantenha o aparelho ligado e conectado, impede que ele vibre ou emita sons típicos de chegada de mensagens e outras ações. Para executar o serviço, os japoneses usaram uma técnica criada há mais de 180 anos.

Por enquanto, só será usado na Inglaterra, mas a tendência é que se expanda para todos os mercados onde a fábrica atua. O conceito Nissan Signal Shield tem agora um compartimento embutido no apoio de braço de um Nissan Juke. Ele é revestido com sistema denominado Gaiola Faraday, invenção datada de 1836 na própria Inglaterra (leia mais ao final).

Quando o dispositivo móvel é colocado dentro do compartimento e a tampa é fechada, uma zona de silêncio é criada e bloqueia todas as conexões de celular, bluetooth e wi-fi do telefone, tanto para envio como para recebimento. Clique aqui para ver seu funcionamento em vídeo.

O conceito foi projetado para que os motoristas possam escolher se querem eliminar as distrações causadas pelas inúmeras mensagens de texto, notificações de redes sociais e alertas de aplicativos, que disparam constantemente nos aparelhos. Isso tem se tornado um problema crescente, pois o número de motoristas que admite manusear o celular ao dirigir aumentou de 8% em 2014 para 31% em 2016, de acordo com o Automóvel Clube Britânico (RAC).

Em pesquisa, os usuários disseram que sentem-se constantemente tentados a checar mensagens de texto e notificações assim que elas aparecem na tela do celular, mesmo quando estão dirigindo. Pesquisas realizadas pela própria Nissan mostraram que praticamente um a cada cinco motoristas (18%) admite já ter enviado mensagens de texto enquanto dirigia.

Celular ao volante é passíveld e multa em quase todos os países Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

A exemplo da grande maioria das fábricas de automóveis, a Nissan equipa seus veículos com bluetooth e outras formas de conectividade, o que permite que os motoristas realizem e recebam ligações. Para restaurar as conexões sem fio do celular, basta abrir o compartimento do apoio de braço – o que pode ser feito sem tirar os olhos da via e sem precisar tocar no celular. O telefone será reconectado à rede móvel e ao sistema de bluetooth do veículo.

– O uso do celular ao volante é uma preocupação crescente tanto para a indústria automobilística como para a sociedade. O Nissan Signal Shield apresenta uma solução possível para que os motoristas tenham a opção de eliminar todas as distrações do smartphone enquanto dirigem – afirmou o diretor geral da Nissan Grã-Bretanha, Alex Smith.

Pete Williams, porta-voz do Automóvel Clube Britânico (RAC), comentou que, de acordo com pesquisa feita pela entidade, o uso de dispositivos móveis por motoristas "alcançou proporções epidêmicas": 

– Muitas pessoas acabaram se tornando viciadas em seu uso. Entretanto, constitui uma distração física e mental, sendo considerada infração desde 2003. O Nissan Signal Shield é um bom exemplo de tecnologia que pode ajudar os motoristas a fazerem uso mais racional do celular."

E por que não simplesmente desligar o celular ao enrtar no carro? De acordo com as pesquisas inglesas, os usuários disseram que não o fazem caso precisem fazer alguma ligação de urgência e, também, porque temem esquecer, ao sair do carro, de ligar o aparelho e, assim, ficarem desconectados do mundo.

Que gaiola é essa

Em 1836, Michael Faraday observou que a carga excedente em um condutor carregado ficava somente em seu exterior e não tinha influência em qualquer coisa em seu interior. Na frente de várias incrédulas testemunhas, ele fez uma gaiola de mais ou menos 2x2 metros e colocou nela um isolante. Dentro dela, colocou uma cadeira de madeira e sentou-se. Em seguida, um ajudante, com auxílio de um gerador, disparou várias descarga elétricas. Nada aconteceu ao cientista, que provou que um corpo dentro da gaiola poderia permanecer lá, isolado e sem levar descarga elétrica, pois os elétrons se distribuem somente na parte exterior da superfície.

Chamado na época de maluco, seu invento até hoje é útil em diversas áreas. Inclusive em shows de música, para que os instrumentistas não sejam "fritados" no palco.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.