Crise?

Mercado consumiu R$ 22 bilhões para compra de carro 0km no ano

Números apontam que, com a redução da taxa Selic e momento menos turbulento da economia, consumidor, voltou a comprar a prazo

16/05/2017 - 15h53min | Atualizada em 16/05/2017 - 15h53min
Mercado consumiu R$ 22 bilhões para compra de carro 0km no ano Jessé Giotti/Agencia RBS
Liberação de verba para compra de veículos cresceu mais de 18% no primeiro trimestre Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS  

A redução da taxa Selic e a aparente estabilidade da economia parecem estar tendo reflexos no mercado. Montadoras, bancos outras instituições liberaram R$ 22,4 bilhões para financiar a compra de veículos no primeiro trimestre deste ano. O montante é 18,4% superior ao registrado no mesmo período de 2016. De acordo com dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) foi responsável por 50% dos negócios no período. Consórcio (5%) e leasing (1%) completaram as compras a crédito, e as compras à vista atingiram 44%.


Na avaliação do presidente da Anef, Gilson Carvalho, o consumidor ainda mantém sua cautela:

– A confiança está voltando aos poucos. Precisamos que as pessoas recuperem sua renda e voltem a ter crédito. Esses são os três pilares que impactam o setor.

No segmento dos veículos pesados, o Finame respondeu por 62% dos negócios. Na sequência vieram os financiamentos (16%), compras à vista (13%), consórcio (6%) e leasing (3%). 

O consórcio, que desde 2014 era a modalidade de crédito mais procurada pelos compradores de motos, caiu para o segundo lugar, com 33% dos negócios fechados no primeiro trimestre. Nesse período, o consumidor preferiu optar pelo financiamento (direto ou com financiadoras), responsável por 36% dos contratos. Em terceiro lugar vieram as compras à vista, com 31%. 

No pesados, a cada três vendas, praticamente duas são feitas com a Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame) Foto: Mercedes-Benz / Divulgação

– A redução das taxas de juros e o aumento do Índice de Confiança do Consumidor que, em março de 2017, atingiu seu maior patamar desde dezembro de 2014, contribuíram diretamente para este resultado. Já o consórcio apresentou uma queda maior no volume de emplacamentos, impactado principalmente pela redução da carteira ativa nos últimos anos. No entanto, a modalidade se mantém como um importante pilar para o segmento, principalmente pela sua estabilidade nas entregas, variando menos que o financiamento ao longo dos ano – avalia o vice-presidente setorial de motocicletas da Anef, Ricardo Tomoyose.

Crescimento

Os bancos liberaram, em março, R$ 8,3 bilhões em financiamentos, o maior volume de recursos registrado nos últimos dois anos – só foi superado por  janeiro de 2015, quando foram liberados R$ 8,4 bilhões.  Na comparação com fevereiro, a alta foi de 28,5% e, em relação ao mesmo período do ano passado, 23,9%. Para as pessoas físicas foram destinados R$ 7,4 bilhões, enquanto para as jurídicas, R$ 919 milhões.


Inadimplência

Ainda em março, a taxa de inadimplência nas operações de CDC foi de 4,5% tanto para pessoas físicas como para jurídicas. Para o primeiro grupo, houve recuo de 0,1 ponto percentual na comparação com fevereiro. Essa também foi a redução registrada em doze meses. No segmento das empresas, foi registrado recuo de 0,2 ponto percentual na comparação com o mês anterior e de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.

Na carteira de leasing, o índice de pessoas físicas que deixaram de quitar seus compromissos foi de 3,7%, redução de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 0,9 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2016.  Entre as pessoas jurídicas, a taxa foi um pouco menor: 3,6%, mesmo índice registrado em março do ano passado.

As taxas praticadas pelos bancos ligados às montadoras continuam mais atraentes na comparação com as adotadas pelas instituições independentes. Em março, as entidades associadas à Anef cobraram juros de 22,42% ao ano e 1,7% ao mês, enquanto os independentes trabalharam com índices 24,8% e 1,83%, respectivamente. O prazo médio das concessões é de 41,9 meses. Já o prazo máximo oferecido pelos bancos é de 60 meses..

 
 
 
 
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