Vida marinha

Tartarugas mortas chamam a atenção de veranistas no Litoral Norte

Em apenas um quilômetro de extensão de areia, era possível encontrar quatro carcaças ontem, entre a Praia do Barco e Capão Novo

02/01/2017 - 20h11min | Atualizada em 02/01/2017 - 20h11min
Tartarugas mortas chamam a atenção de veranistas no Litoral Norte Anderson Fetter/Agencia RBS
Especialistas acreditam que animais estejam morrendo afogados, depois de ficarem presos em redes de pesca Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS  

O aparecimento de tartarugas marinhas mortas à beira-mar vem chamando a atenção de veranistas em praias como Capão da Canoa. Em uma extensão de apenas um quilômetro de areia, entre a Praia do Barco e Capão Novo, havia ontem quatro carcaças desses animais. A concentração dos bichos em um espaço tão curto despertou preocupação entre quem passava pelo local.

A presença das tartarugas, com cascos que mediam aproximadamente 70 centímetros de comprimento, provocou surpresa até em pescadores experientes como José Roberto Daitx, 52 anos, com duas décadas de profissão.

— Fazia tempo que não via tantas assim. Não sei o que pode estar havendo — observou Daitx.

A algumas centenas de metros dali, havia duas carcaças de tartaruga próximas uma da outra. O cenário atraiu a curiosidade do veranista e designer gráfico André Alcântara, 35 anos. Morador do Rio de Janeiro, ele conta que está habituado a ver tartarugas marinhas — mas vivas. Aproximou-se dos animais para tentar observar sinais que indicassem a razão da mortandade.

— A gente fica curioso para saber o que pode ter ocorrido com elas — explicou, logo depois de encostar o dedo em um dos cascos.

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Alcântara viu as manchas vermelhas feitas com spray por especialistas do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), órgão ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a fim de contabilizar os animais que morrem na costa gaúcha. As marcas evitam o risco de dupla contagem.

Após analisar fotos enviadas por ZH, a bióloga do Ceclimar Cariane Campos Trigo concluiu que são animais de uma espécie chamada tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). Eles costumam se aproximar da costa do Rio Grande do Sul nos períodos mais quentes para se alimentar e acabam presos em redes de pesca.

— Esses espécimes morrem afogados ao se prender nas redes. Há uma outra espécie, menor, que costuma morrer pela ingestão de lixo lançado ao mar. Isso ocorre com frequência neste período do ano — explica.

No ano passado, ZH publicou reportagem sobre o aparecimento de uma tartaruga-cabeçuda morta na praia de Remanso, em Xangri-Lá. A hipótese aventada também era de afogamento provocado por redes de pesca em alto-mar. O animal chegou à praia já morto.

A orientação do Ceclimar é entrar em contato com a prefeitura de cada balneário para solicitar a remoção das carcaças. ZH procurou a prefeitura de Capão ontem, mas, como já havia se encerrado o expediente, não foi possível confirmar se tinha sido protocolado um pedido de retirada dos bichos, que exalam mau cheiro — o celular da assessoria de imprensa não atendeu.


A TARTARUGA
Status no Brasil: ameaçada
Distribuição: ocorre nos mares tropicais e subtropicais de todo o mundo e também em águas temperadas
Habitat: variável ao longo do ciclo de vida. Os filhotes e jovens vivem em alto-mar. Os adultos, em áreas de alimentação situadas a profundidades entre 25m e 50m
Peso: média de 140 kg
Dieta: são carnívoras, alimentando-se de caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados triturados com ajuda dos músculos da mandíbula.

Fonte: Projeto Tamar e Ceclimar

 
 
 
 
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