Biólogos da costa

Biologia marinha e costeira tem duas ênfases

Parceria entre UFRGS e Uergs forma profissionais que podem equilibrar desenvolvimento e conservação ambiental

11/07/2012 | 12h11
Biologia marinha e costeira tem duas ênfases Mauro Vieira/Agencia RBS
O biólogo Matias Ritter destaca facilidade de acesso à praia: "Era nosso principal laboratório" Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Matias e Deise têm interesses em comum. São preocupados com o ambiente e almejam equilibrar progresso e preservação. Por esses e outros motivos, os dois se formaram em um curso novo e que promete futuro para os estudantes: Ciências Biológicas com foco no ambiente marinho e costeiro. Abaixo, confira parte da trajetória dos dois alunos, formados em uma parceria entre a UFRGS e a Uergs.

Ênfase em Biologia Marinha e Costeira

Matias do Nascimento Ritter, 26 anos, começou a faculdade com dúvidas sobre o curso que recém tinha sido criado. O passar do tempo e o contato com os professores fizeram com que ele adorasse estudar Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha e Costeira. Natural de Osório, ele foi morar em Tramandaí, com um amigo, assim que foi aprovado no vestibular. Na vivência no litoral, segundo ele, foi fundamental o gosto pelo curso e pela profissão.

Fora da sala de aula

— A costa era nosso principal laboratório — comenta Matias.

O contato direto com as peculiaridades do litoral é um ponto alto destacado pelo biólogo formado em 2012. Entre os momentos que mais o marcaram, está o dia em que uma baleia jubarte encalhou na areia e alunos e professores de ciências biológicas auxiliaram no salvamento. Muitas vezes, ele e os colegas saíam da aula e iam para a costa ver, ao vivo, o que tinham acabado de estudar.

Dedicação à pesquisa

Em março de 2010, Matias ganhou uma bolsa para trabalhar no Museu de Ciências Naturais. Além de auxiliar no contato direto com os animais, participava de projetos de educação ambiental. Em paralelo, decidiu fazer as cadeiras da outra ênfase, gestão ambiental, e participar de um projeto de pesquisa. Para ele, a iniciação científica foi fundamental:

— Quero fazer mestrado e doutorado para ser professor universitário.

Bolsa diferente no mestrado

A graduação terminou no final do ano passado e, em março deste ano, Matias já começou o mestrado na UFRGS. Seu estudo, na Geociências, analisa fósseis de moluscos.

Matias é bolsista por meio de um programa de formação de Recursos Humanos da Petrobras, uma parceria da empresa com a UFRGS. Por isso, tem encontros anuais para avaliação e integração no Rio de Janeiro e, além disso, cursa cadeiras focadas na área de petróleo.

Vestibular para Biologia Marinha

As inscrições para o vestibular específico para o curso de Biologia Marinha (UFRGS e Uergs) ainda estão abertas. Até o dia 15 de julho, domingo, é possível se inscrever pelo site www.ufrgs.br/coperse/pse. O ingresso será no segundo semestre deste ano, e a prova, no dia 29 de julho. As aulas serão realizadas no Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS), em Imbé e na unidade da Uergs no município de Cidreira.

Ênfase em Gestão Marinha e Costeira

Preocupada com a preservação ambiental, Deise Rodrigues Barcellos, 23 anos, fazia cursinho em Porto Alegre quando o novo curso de ciências biológicas, com ênfase em Biologia Marinha, uma parceria entre a UFRGS e a Uergs, foi lançado. Ela, que pensava em cursar Geologia ou Engenharia Ambiental, decidiu prestar a prova. Foi aprovada em 2007 e mudou-se para o litoral.

A ênfase escolhida por Deise, Gestão Ambiental Marinha e Costeira, possibilitou que a aluna transformasse suas preocupações com a natureza em trabalho. O fato de o curso ser em Imbé, junto ao Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), fez com que a costa fosse um grande laboratório a céu aberto. Hoje, ela coordena o Departamento de Meio Ambiente da prefeitura de Xangri-Lá.

Estudos na praia

Encantada com as dunas, Deise começou a estudar o impacto que sofreram e formas de protegê-las. O estudo transformou-se em seu trabalho de conclusão de curso, uma pesquisa feita durante mais de dois anos.

— Eu estudava as dunas e podia vê-las quando quisesse. Isso faz diferença — comenta.

Por isso, entre as atividades que ela mais gostou durante a graduação, estão as saídas em campo.

Estágio e trabalho

Em dezembro de 2010, Deise começou a estagiar na prefeitura de Xangri-Lá. Logo que se formou, no início deste ano, foi chamada para coordenar o Departamento de Meio Ambiente da prefeitura, que emite licenças ambientais. Hoje, a bióloga de 23 anos é responsável por analisar projetos e verificar possíveis compensações ambientais para emitir a licença.

— Tentamos equilibrar crescimento com pouco impacto ambiental.

Futuro como consultora

Deise acredita que o mercado cresce para quem está focado na gestão. Nos próximos anos, planeja abrir a própria empresa de consultoria na área de licenças ambientais.

— As empresas precisam de apoio na hora de projetar e construir de acordo com as regras que protegem o ambiente. Porém, poucas pessoas fazem isso.

 
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