O enigma da TRI

Conheça a Teoria da Resposta ao Item, usada no cálculo da pontuação do Enem

Conhecer como funciona o sistema, que costuma confundir os candidatos, pode ser o primeiro passo para você não se atrapalhar na prova

01/10/2013 - 02h22min
Conheça a Teoria da Resposta ao Item, usada no cálculo da pontuação do Enem fabrizio turco/stock.xchng
De origem egípcia, mito da esfinge costuma ser associado a enigmas em razão da tradição grega Foto: fabrizio turco / stock.xchng  

Dois estudantes terminando o Ensino Médio prestam o Enem juntos e ambos querem entrar para o mesmo curso. Alguns dias depois, as notas são calculadas por um computador. O primeiro acertou a metade mais fácil da prova, mas errou todas as questões difíceis. O segundo fez o contrário — errou todas as fáceis e acertou a metade mais difícil.

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Como as perguntas têm pesos diferentes, de acordo com o grau de dificuldade, o candidato que acertou as mais complicadas tirou uma nota mais alta, correto? Errado. Aquele que acertou as mais fáceis é quem deve se dar melhor. Ficou confuso? Então, saiba que isso não ocorre apenas com você. Está diretamente relacionado à Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Na prática, as questões mais difíceis valem mais. Aquelas que todos acertam somam menos pontos. Por isso é importante acertar muitas questões difíceis, mas desde que você acerte as fáceis também. Do contrário, as difíceis perdem peso devido à inconsistência das respostas.

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Gaste um pouco de atenção nas questões que parecem simples à primeira vista, este é o segredo para ficar entre os primeiros. Se você tem facilidade com Matemática, lembre-se também que as médias desta área costumam ser mais altas, justamente por ser a disciplina com menos acertos entre os alunos. Só não se esqueça que ainda existe um outro fator complicador: não estão indicadas nas provas do Enem quais são as questões que valem mais.

— O que o candidato precisa fazer é passar por toda a prova, escrever a redação com a cabeça leve e ir resolvendo as questões que parecem fáceis. Depois, é preciso voltar para o começo e gastar o tempo restante com as mais complicadas — explica Mateus Prado, especialista em Enem e presidente de honra do Instituto Henfil.

As impressões de especialistas

A nota é calculada em cima de muitas variáveis, e essa operação exige um cálculo complexo que o aluno não consegue fazer em casa. Não há como saber o grau de dificuldade das questões porque elas são todas relacionadas entre si. É impossível separar uma questão e dizer 'essa é difícil' ou 'aquela é fácil'.

Dalton Francisco de Andrade, professor do Departamento de Informática e Estatística da UFSC

A dificuldade muda de um ano para o outro, apesar de não ser essa a intenção. A prova disso é a variação das notas. O que mantém o nível mais ou menos linear são as orientações do MEC para os autores da questão: não pode incluir 'pegadinhas' e há um tamanho aconselhável para os enunciados, por exemplo.

Mateus Prado, especialista em Enem e presidente do Instituto Henfil

Todos os acertos contam positivamente, com diferentes impactos na nota. Todos os erros também contam, mas negativamente, variando conforme o grau de dificuldade daquela questão.

Tadeu da Ponte, diretor da empresa de avaliações educacionais Primeira Escolha

 
 
 
 
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