Papo com Veterano

Quer cursar Medicina? O vestibular é só o começo da trilha de muita determinação

Três estudantes, de olho no curso, fizeram perguntas a um universitário. Confira as respostas!

Por: HELOISA ARUTH STURM
15/05/2014 - 15h10min
Quer cursar Medicina? O vestibular é só o começo da trilha de muita determinação Léo Cardoso/Agencia RBS
Alexandre recomendou aos futuros bixos muita dedicação e paciência depois da aprovação Foto: Léo Cardoso / Agencia RBS  

Dedicação aos estudos e muitas oportunidades para colocar o conhecimento em prática: essa é a rotina básica de um estudante de Medicina. No segundo encontro da série Papo com Veterano, levamos os vestibulandos Cássia Luisa Lorscheiter, 17 anos, Taynara Meirelles, 18, e Emerson de Senna Diogo, 22, para conversar com o universitário Alexandre Moraes Bestetti, 23, que cursa o 10º semestre de Medicina na UFRGS.

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O trio conheceu o prédio da faculdade, a biblioteca e o centro acadêmico. Também visitou o Laboratório de Habilidades Clínicas, onde os alunos aprendem a fazer diagnósticos com ajuda de moldes de diferentes órgãos humanos e de um boneco que até parece gente, carinhosamente chamado de Bob.

No bate-papo com Alexandre, que foi o primeiro colocado da turma no vestibular de 2009 e vem de uma família de médicos de Ijuí, os vestibulandos aproveitaram para tirar dúvidas sobre a rotina universitária, a prática médica e as diferentes especializações.

Para o veterano, que pretende se especializar em cardiologia, o fascínio de cursar Medicina reside na possibilidade de conversar com o paciente, intervir em sua condição e ajudá-lo.

– A medicina é uma carreira muito gratificante. Não pela questão financeira, mas por podermos estar ao lado das pessoas, fazer parte da vida delas e sermos reconhecidos por isso. O esforço que vocês estão fazendo esse ano vai render frutos no final – incentivou.

Se você também quer bater um papo com um veterano do curso que você pensa em fazer, entre em contato conosco! Acesse zhora.co/carreirasvestibular, preencha um formulário com seus dados e informe que perguntas você faria ao veterano do curso escolhido. Selecionaremos as questões mais pertinentes e, se a sua for selecionada, a gente te liga.

O INÍCIO

O conselho de Alexandre para o começo do curso: tenha paciência! Os primeiros anos têm muita teoria, com aulas de anatomia, fisiologia, farmacologia e micriobiologia. Aproveite para se ambientar dentro da faculdade. De prática, só olhar no microscópio, mexer em tubos de ensaio e ver um ou outro cadáver.

– O início da faculdade é muito chato, para falar a verdade. São cadeiras ótimas, professores ótimos, mas para quem quer entrar na pratica médica, é preciso um pouquinho de paciência. A gente passa por várias decepções no decorrer do curso. É difícil, é cansativo, tem noites em claro estudando, algumas cadeiras não correspondem àquilo que tu pensas, não é tudo prática médica. Mas vale a pena aguentar os primeiros anos – garante.

TEORIA X PRÁTICA

A partir do quarto semestre começam as disciplinas práticas mesmo, onde se tem contato com os pacientes. Atende-se no ambulatório, entra-se em campo no bloco cirúrgico, em pequenos procedimentos. Mas até lá, tem muito estudo pela frente. Vestibulandos que acham que estudam muito, preparem-se: Alexandre ressalta que a carga de conteúdo para estudar é ainda maior durante o curso.

– Mas não tem a pressão de fazer uma prova no final do ano que vai definir o teu futuro. Tu está estudando aquilo que gosta. Na faculdade não tem obrigação de tirar nota mais alta que os outros. Tu tem de estudar para ti, para adquirir conhecimento e se tornar um bom médico no futuro.

HORÁRIO DE AULA

O curso é integral, então considere a faculdade sua segunda casa. Nos primeiros semestres há um ou dois turnos livres por semana, explica Alexandre.

– Na quinta a gente atende 10, 12 pacientes numa manhã no ambulatório, tem a tarde livre e de noite vai para o bloco cirúrgico. Assim, podemos acompanhar toda a trajetória da pessoa, do ambulatório à cirurgia. É muito interessante.

EXTRACURRICULARES

O curso exige pelo menos seis créditos em atividades complementares, que podem ser preenchidas com pesquisa, monitoria, participação em congressos e no ambulatório. Ao exercer estas atividades, o estudante geralmente consegue algum tipo de auxílio financeiro, por meio de bolsas da própria universidade e de instituições de incentivo à pesquisa.

INTERNATO

Após seis anos de curso, o estudante faz a residência médica. A seleção para a vaga inclui uma prova objetiva (90% da pontuação), análise do currículo (5%) e entrevista (5%). Com a criação do Provab (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), há bônus na nota para quem trabalhar durante um ou dois anos em zonas remotas do Interior antes de fazer a prova de residência.

Mas, antes da residência, Alexandre explica que o estudante passa pelo internato médico: quatro semestres em contato com cinco áreas principais: ginecologia, pediatria, cirurgia, medicina interna e medicina de família e comunidade. Ele também realiza estágios optativos durante três meses, para atuar na área e no hospital que quiser.

Formado médico, tem a opção de se especializar por meio da residência, atendendo consultas, participando de cirurgias, sempre sob orientação. É avaliado frequentemente por um supervisor, que dá notas de acordo com vários critérios: desempenho do aluno, conhecimento demonstrado, relação com o paciente, pontualidade, entre outros. No fim, sai especializado em uma área da medicina.

 
 
 
 
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