Papo com Veterano

Orientação vocacional antes de escolher o curso de Psicologia

Reunimos três indecisos e uma veterana para uma sessão de imersão. Eles aprendem que lidar com emoções, ainda mais com as dos outros, não é fácil

Por: Guilherme Justino
21/08/2014 - 05h31min
Orientação vocacional antes de escolher o curso de Psicologia Mauro Vieira/Agencia RBS
Na biblioteca da PUCRS, a veterana Barbara apresenta o curso aos estudantes do 3º ano Athos, Caroline e Natália Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS  

Três estudantes indecisos e uma futura psicóloga. Parece orientação vocacional? Bem, não deixa de ser, mas eles estão ali porque podem, um dia, assumir a mesma posição da quase profissional.

Foi com muita curiosidade e uma pitada de hesitação que Caroline Marques, de Canoas, Athos Sartori e Natália Schuck, de Venâncio Aires, todos alunos do 3º ano do Ensino Médio, conheceram por dentro a Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). E descobriram que o campo de atuação de quem lida com o comportamento humano é vasto.

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Enquanto conheciam o currículo do curso e as diferenças de abordagem em relação à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as principais dúvidas giravam em torno da atuação dos formados na área. Há espaço de trabalho nas empresas e em clínicas particulares, mas também para quem deseja lidar com diagnósticos em variadas instituições de saúde, jurídicas, infantis e até do esporte – sempre analisando cada indivíduo e sua personalidade. Ainda assim, o atendimento em consultórios permanece como o que mais atrai os futuros alunos.

– Vamos fazer uma enquete rápida aqui. Em que área vocês pretendem atuar? – perguntou Barbara Frare Greggianin, 21 anos, que cursa o 10º e último semestre, enquanto todos entravam no elevador rumo ao Serviço de Atendimento e Pesquisa em Psicologia (SAPP), clínica-escola da faculdade.

– Clínica – responderam os três, mas Caroline continuou com um “para psicopatologia”, mostrando que já tem uma ideia do que seguir.

Muitas tentativas antes de definir uma especialização
A própria Barbara já esteve no lugar deles. Indecisa entre Nutrição e Psicologia, por um “impulso adolescente” resolveu estudar ambos os cursos até se decidir pelo último. Descreve que a paixão por lidar com pessoas e problemas a motivou na decisão pela carreira. No caminho para a formação, que deve ser concretizada no final do ano, fez voluntariado e estágios em diferentes áreas da Psicologia. E não para por aí: concluído o curso, ela deve ainda tentar uma especialização ou mestrado.

A formação na PUCRS é generalista mas, em outras faculdades do Estado, o aluno deve escolher uma área para se especializar ainda durante a graduação. A veterana recomenda aos estudantes que busquem experiência na maior variedade de campos possível, até que definam aquele que pretendem seguir no futuro. A preocupação deriva da importância do trabalho, que trata diretamente do comportamento e relações das pessoas.

– É uma responsabilidade muito grande, você pode dar um diagnóstico capaz de mudar a vida de uma pessoa – sentencia Barbara.

O INÍCIO
No começo do curso, nada de sair atendendo pacientes. É necessário entender todo o processo de análise, as teorias e testes, antes de partir para lidar com as pessoas. A tarefa exige muita preparação, mas é o ponto fundamental do trabalho psicológico.

– A primeira palavra que se aprende em psicologia é “depende” – brinca a veterana Barbara. – Vocês vão aprender que é difícil dar um diagnóstico preciso, mas a experiência ajuda nesse sentido.

Ela explica que o aspirante fica nervoso quando faz os primeiros atendimentos. Para resolver isso, a solução é praticar e estudar: com embasamento teórico e experiência os diagnósticos se desmistificam. Na PUCRS, as aulas que preparam o aluno para a carreira ocorrem à tarde ou à noite, com espaço para estágio pela manhã.

EXTRACURRICULARES
Além dos estágios curriculares – dois, ao longo de um ano cada, no caso da PUCRS –, os estudantes podem optar por atividades fora da sala de aula que ajudam a acumular créditos e a adquirir experiência durante a formação. Entre as opções está o voluntariado. Barbara conta que a sua atuação como voluntária da Cruz Vermelha contribuiu para aprender a lidar com diferentes problemas.

ESTÁGIO
Opcionais ao longo da primeira metade da formação, os estágios passam a ser exigidos dos alunos do 5º semestre em diante. Há oportunidade de atuação em orientação vocacional, psicologia do esporte, nas áreas institucional e social, no atendimento infantil – frequentemente solicitado por escolas –, além dos setores de recursos humanos das empresas e em equipes multidisciplinares de hospitais. Há muitas vagas divulgadas nas próprias universidades, mas o aluno pode fazer estágios fora do ambiente acadêmico, como voluntariado, em clínicas e no atendimento à comunidade.

TEORIA X PRÁTICA
Os primeiros semestres são dedicados à compreensão das teorias que vão nortear a atuação profissional do psicólogo. Desde o início, os alunos podem conferir a aplicação de testes e acompanhar diagnósticos feitos por especialistas. Mais tarde, essas consultas passam a ser dadas por alunos, mas sempre com a supervisão de um professor. No final do curso, a prática se torna obrigatória, com atendimento ao público – tanto individual quanto em grupos – em clínicas, escolas e empresas, entre outros locais.

MERCADO
Psicologia clínica, esportiva, educacional, social, jurídica, da saúde, do trânsito... as opções são muitas e podem ir desde a atuação em comunidades até um consultório particular ou uma grande empresa. Em comum, o trabalho como agente de recuperação da saúde física e mental dos mais diversos tipos de pacientes.

Nas áreas de psicopatologia e psicodiagnóstico, que os alunos praticam por volta da metade do curso em diante, a análise, a decisão e a avaliação também transparecem como fundamentais para um diagnóstico psicológico que pode até salvar vidas.

PARTICIPE
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