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Pensei em pegar minhas trouxinhas e me mudar para Vancouver. Sério.
A cidade de 800 mil habitantes tem uma vibe diferente, um estilo de vida que por aqui é o considerado "alternativo". Número 1: a população abraçou o desafio lançado pelo prefeito de, até 2020, tornar-se a cidade mais "verde" do mundo. Número 2: eles realmente acreditam nessa causa.
As pessoas têm uma postura mais aberta em relação à vida. Mas não ouse estragar a cidade! Segundo me contaram, por lá, casamento gay não é polêmica - polêmica é gente que não recicla o lixo.
Como Vancouver fica no litoral do Pacífico, o clima é um pouco mais ameno, mesmo no inverno. Chove bastante, mas raramente neva. Mas raramente não é nunca. Quando chegamos lá, estavam todos pasmos com a neve que caía sem parar. Como não está acostumada a tantos flocos, diferentemente de outros lugares do Canadá, a cidade estava um pouco caótica.
Minha impressão é de que Vancouver deve ganhar muito mais vida a partir da primavera. Ela é bem mais convidativa a atividades ao ar livre, no sol... Mas não se engane! O inverno mostra um lado diferente e não menos vibrante da cidade. Nesta página, sugiro alguns programas.
Granville Island
Antigamente uma área industrial, Granville Island (que, apesar do nome, é uma península) hoje é um dos centros de compras e entretenimento de Vancouver. Ali é tudo muito cool, porém simples. A começar pelo Mercado Público, onde o colorido, o aroma e o sabor dos produtos fresquinhos são de hipnotizar freguês. Prove um pouco de tudo e aproveite o conhecimento dos vendedores sobre salmão, a especialidade local.
Nas proximidades, visite o Net Lofts, um centro comercial de pequenas lojas com produtos locais bem descolados. Para as crianças, há um centro comercial com todo tipo de brinquedo. Site: granvilleisland.com
Grouse Mountain
Nas ruas do centro de Vancouver, eu achava muito estranho encontrar pessoas vestidas para esquiar, com seus equipamentos a tiracolo. Onde essa gente vai, pensei. Tive a resposta pouco depois: Grouse Montain. Quando saímos do teleférico, Vancouver era outra: uma montanha completamente coberta de neve, que caía forte e sem parar sobre as centenas de pessoas que esquiavam e faziam manobras nas pranchas de snowbording. Em um lago congelado, crianças se divertiam patinando no gelo. Em um cercado, vi pela primeira vez um alce (como são grandes!), embora nosso passeio de trenó tenha sido conduzido por um caminhão especial. Dá para ficar o dia inteiro lá serelepeando com todas as atividades de inverno possíveis. Tem até uma turbina eólica onde os visitantes podem subir, caso as condições climáticas permitam (infelizmente, não foi o meu caso). Um adulto paga 58 dólares canadenses para ter acesso à montanha durante o dia inteiro, e o equipamento pode ser alugado lá mesmo (veja em www.grousemountain.com)
Capilano Suspension Bridge
Quem tem medo de altura deve ficar longe desta ponte com 137 metros suspensos sobre o Rio Capilano. Atravessá-la parece coisa de filme do Indiana Jones. A sensação é de que, a qualquer momento, ela vai despencar (não por ser insegura, mas porque o nosso medo e a nossa memória cinematográfica nos condicionam a pensar assim). Chegando ao outro lado, há corredores suspensos conectando as árvores. Uma experiência bem próxima à natureza. Ingressos entre 12 e 34,95 dólares canadenses (ver em www.capbridge.com).
Vancouver Aquarium
Muita vida marinha, cobras, tartarugas, arraias, águas-vivas, tubarões e até uma mini Floresta Amazônica podem ser encontradas no Vancouver Aquarium. Do lado de fora, ocorre periodicamente um show com duas baleias beluga. Ótima opção para as crianças. Ingressos entre 19 e 30 dólares canadenses (abaixo de três anos, entrada franca). Confira em www.vanaqua.org
Christmas Market
No final do ano, você pode encontrar um pedacinho da Alemanha em Vancouver no Christmas Market. O tradicional mercado de Natal é realizado há três anos por iniciativa do alemão Malte Kluetz, há muitos anos morador da cidade canadense. Mesmo para uma pessoa avessa a eventos natalinos como eu, o lugar é encantador - pelo artesanato, pela comida, pela bebida, pelas apresentações de corais e pela tradição em si.
Neste ano, o Christmas Market ocorrerá de 22 de novembro a 24 de dezembro, e o ingresso custa até 6 dólares canadenses (ver mais em vancouverchristmasmarket.com)
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Compras
Além das grandes redes de lojas tradicionais, espalhadas por bairros e centros comerciais, o bairro de Gastown é um bom ponto de partida para encontrar produtos diferentes. No meio do caminho, você encontra o célebre relógio a vapor construído em 1977 para resolver o problema do vapor que era expelido no local. Virou ponto turístico.
Quem gosta de conhecer novos estilistas ou quer uma ajudinha para desbravar as lojas locais pode contratar a personal shopper Donita Dyer, que fundou a Shopabout Tours, para si ou para um grupo de pessoas. Saiba mais em www.shopabout.ca
Gastronomia
Os amantes de peixes e frutos do mar vão enlouquecer em Vancouver. É a especialidade local, e os ingredientes são excepcionalmente frescos. Afora isso, faço dois destaques:
- Food carts: sabe aquela carrocinha que vende comida na esquina? No Canadá, elas viraram mania, mas em versão gourmet. Há várias espalhadas pela cidade com todo tipo de comida. Vale a pena experimentar. Tem até um mapa com a localização de todos eles, aqui zhora.co/cartgourmet
- Edible Canada: na vibe sustentável de Vancouver, um dos lemas é "eat local", uma referência à prática de consumir produtos locais - não apenas por serem mais frescos, mas porque isso incentiva os produtores das redondezas e também significa menos transporte (e menos poluição). Nesta loja/bistrô, tudo é feito com produtos locais. Não se vende nem Coca-Cola e Pepsi, só refrigerantes canadenses. Conheça em www.ediblecanada.com
Sobre o Canadá
- Há duas línguas oficiais: inglês em francês. A população francófona, porém, está quase toda na província de Quebec.
- Ainda assim, é mais comum ouvir idiomas asiáticos nas ruas do que francês nas demais províncias. O Canadá absorveu muitos imigrantes de tudo que é parte do mundo, mas os vindos da Ásia parecem dominar as cidades.
- A moeda local é o dólar canadense, que ontem tinha cotação de 1 por R$ 2,15. Mas cuidado ao comprar: o preço anunciado não tem taxas. Elas serão acrescentadas ao finalizar a compra, e o valor depende da província (em British Columbia é 12% e em Ontario, 13%, por exemplo).
- Para entrar no país, é preciso um visto, que pode ser feito online.
Confira fotos do inverno no Canadá:
*A editora viajou a convite da Comissão Canadense de Turismo (CTC)