Europa

Um roteiro pelo interior da Inglaterra, de Sul a Norte, em nove dias

Ainda quando estudante, a jornalista Rafaela Ely aproveitou um intercâmbio para conhecer o interior inglês. Confira o relato a seguir

24/02/2015 - 09h01min
Um roteiro pelo interior da Inglaterra, de Sul a Norte, em nove dias Pawel Libera,VisitBritain/Divulgação
Oxford é uma das cidades visitadas por Rafaela Ely Foto: Pawel Libera,VisitBritain / Divulgação  

Sempre fui apaixonada pela Inglaterra, talvez pela música, talvez pelo sotaque, talvez pelo charme. Nunca soube direito de onde veio essa atração, mas, quando surgiu a oportunidade de morar fora por seis meses, em 2010, sabia exatamente para qual país queria ir. Optei pela cidade de Bournemouth, principalmente pelo custo, menor do que em Londres, e por acreditar que poderia conhecer mais o estilo de vida inglês por não estar em uma cidade tão cosmopolita quanto a capital britânica (engano meu, há milhares de estudantes internacionais por lá, e, como um deles, acabei me enturmando mais com os estrangeiros).

Bournemouth fica na costa ao sul da Inglaterra, a cerca de duas horas de Londres. Morei lá por seis meses para estudar inglês. Cidade universitária, cheia de jovens, atrai muitos turistas durante o verão por causa da sua praia, que é de areia, e não de pedra, como muitas na Europa. Bournemouth é adorável, mas sem grandes atrativos turísticos: tem um belo jardim, um píer e ruas comerciais charmosas.

De lá, resolvi fazer uma viagem de nove dias por nove cidades, de Sul a Norte. Foi um roteiro bem em conta, planejado com pouco mais de um mês de antecedência, o que proporcionou descontos nas passagens de ônibus (em média, 5 libras pela National Express) e nas diárias dos hostels (cerca de 15 libras, quase todos na Youth Hostel Association). Dentro das cidades, o deslocamento foi principalmente a pé para descobrir os segredos de cada uma delas.

Oxford. Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

Oxford

A primeira parada foi em Oxford, para conhecer a lendária universidade. Uma visita guiada me levou por algumas das 36 faculdades e outros prédios históricos da instituição: a rotunda Radcliffe Camera, salão de leitura da Bodleian Library, é uma das belas obras arquitetônicas da cidade. A biblioteca recebe um exemplar de cada livro publicado no país, pois é um dos órgãos responsáveis pelo controle do direito autoral.

A Ponte dos Suspiros (foto acima), copiada da estrutura veneziana, tem uma história interessante: diz-se que a passarela ganhou esse nome por causa dos estudantes que por ali passavam, apreensivos, a caminho dos exames da Hertford College.

Na maior faculdade, a Christ Church College, pode-se passar por escadarias e por um salão onde foram gravados os filmes da série Harry Potter (abaixo). Os vitrais da sala de jantar apresentam imagens dos personagens da história de Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho. Seu criador, Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Dogson), entrou no curso de Matemática de Christ Church, em 1851. Lá, conheceu os filhos do reitor — Alice entre eles —, começou a contar histórias e acabou criando uma das narrativas mais conhecidas da literatura infantil.

Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

Bath

O próximo destino foi Bath e suas famosas termas romanas. O Roman Baths Museum (foto), no centro da cidade, é um complexo romano com uma grande piscina termal no centro. O terraço da construção é decorado com estátuas de personalidades romanas.

Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

A poucos metros dali fica a Bath Abbey, a grandiosa abadia da cidade, e sua praça movimentada. Não muito longe está o Royal Crescent, um conjunto de casas em forma de arco com um lindo parque na frente.

Bristol

No dia seguinte, tomei o rumo de Bristol. No centro da cidade fica o Floating Harbour do Rio Avon, também chamado de Lower Avon ou Bristol Avon. Nessa região, encontram-se espelhos d'água com chafarizes, o belíssimo teatro Hippodrome, o At-Bristol, um centro científico com uma enorme esfera de aço inoxidável na frente, o convidativo parque College Green e a catedral iniciada em 1140.

Mais afastada, sobre o Rio Avon, está a ponte suspensa de Clifton (foto abaixo), um dos símbolos da cidade. A estrutura fica a impressionantes 76 metros acima da superfície da água.

Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

Uma das duas únicas câmeras escuras ainda abertas ao público na Inglaterra fica perto dali, no Clifton Observatory. Não poderia perder a oportunidade de conhecer este aparelho tão importante para a invenção da fotografia.

O quarto escuro fica dentro de uma torre que servia originalmente como moinho. As imagens são projetadas em uma superfície clara no centro da peça e mostram uma vista panorâmica dos arredores. Do observatório, pode-se descer pela caverna de St. Vincent até um mirador de onde se tem uma vista magnífica do vale do Rio Avon.

Stratford-upon-avon

De lá, parti para a cidade de William Shakespeare. Fica às margens de outro Rio Avon, conhecido como Upper Avon ou Shakespeare's Avon. O Bardo teria nascido lá em 23 de abril de 1564 e morrido, também em Stratford, em 23 de abril de 1616. A pequena cidade cheia de casas no estilo Tudor é uma das mais visitadas do país.

Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

Para economizar um pouco, pode-se comprar um passe para as cinco casas da família do escritor abertas ao público e para a Holy Trinity Church, onde ele está enterrado. Dois destaques entre as atrações desse pacote são a Casa de Shakespeare, local onde o dramaturgo nasceu, cresceu e morou cinco anos após seu casamento, e o Chalé de Anne Hathaway (foto acima), sua esposa, uma adorável casa rústica com um lindo jardim.

A The Royal Shakespeare Company apresenta peças durante as temporadas de verão e inverno no Royal Shakespeare Theater, no Swan Theater e no Other Place.

Birmingham

A escala seguinte foi em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido. Importante centro industrial, é um lugar cinzento e com poucas atrações turísticas. Uma delas é o shopping Bullring: com uma arquitetura moderna e design ousado, a parte exterior da construção tem mais de 15 mil painéis de alumínio. Um touro de bronze decora o centro do complexo de compras.

Um dos belos prédios históricos é o da prefeitura. Ele fica na Victoria Square, praça decorada com uma fonte e esculturas, considerada o ponto central de Brum (apelido de Birmingham). Um passeio de barco tranquilo pelos charmosos canais mostra um outro lado da cidade, com barzinhos, cafés agradáveis para se passar o fim de tarde. À noite, decidi assistir a um filme no Imax, divertimento inexistente em Porto Alegre naquela época.

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Manchester

Manchester veio depois, o celeiro de bandas e artistas do rock inglês, como Oasis, Smiths, Stone Roses, The Verve, Joy Division e outras mais. O deslocamento dentro da cidade é bem fácil com o uso do bonde Metrolink. Passei boa parte do dia admirando os belos prédios do centro, principalmente o da prefeitura, Manchester Town Hall. Lá, foram gravadas cenas do filme Sherlock Holmes, de 2009, com Robert Downey Jr., pois o interior do edifício se parece com a Câmara dos Comuns do Parlamento, em Londres.

Um pouco mais afastado do centro está o Etihad Stadium. Não acompanho o futebol inglês — nem o brasileiro —, mas já que eu estava lá, aproveitei para visitar a casa do Manchester City.

Liverpool

Então, cheguei a uma das minhas cidades inglesas preferidas, Liverpool. Como todo fã dos Beatles, estava ansiosíssima para conhecer o berço dos Fab Four e fiz uma viagem de quatro dias para lá logo que cheguei à Inglaterra. Eu me surpreendi com a cidade, pois ela tem muitos aspectos interessantes para além da história do quarteto.

Foto: Rafaela Ely, arquivo pessoal

Na hora de montar este roteiro de sul a norte do país, percebi que era uma ótima oportunidade de voltar a este lugar. Como já conhecia as partes mais centrais da cidade, decidi explorar as atrações mais afastadas relacionadas à banda, como o Casbah Club, as casas de George e Ringo e o bairro Kensington, onde ficam as ruas Paul McCartney Way, John Lennon Drive, George Harrison Close e Ringo Starr Drive.

Na primeira vez em que estive na cidade, visitei lugares mais clássicos. Passei quase um dia inteiro na Beatles Story, me encantando com cada objeto, cada história e cada ambiente dali, e passeando pela Albert Dock, na beira do Rio Mersey. Depois fui para a Mathew Street, no Cavern Quarter, onde está o imperdível Cavern Club (não o original onde os Beatles tocavam, que ficava a poucos metros dali, mas uma réplica), os bares Cavern Pub, White Star e The Grapes, as estátuas de John Lennon e Eleanor Rigby, entre outras atrações.

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Afastados do centro, estão outros pontos importantes, como a Rua Penny Lane, os portões de Strawberry Fields, o salão da igreja St Peter's, a escola Quarry Bank e as casas de John e Paul.

Dois locais não relacionados ao quarteto de Liverpool, mas que valem a pena a visita, são as catedrais católica e anglicana.

Blackpool

Balneário popular do norte da Inglaterra, Blackpool (foto abaixo) foi a próxima cidade. Essa praia é famosa pelos três píeres, North, Central e South Pier. São cerca de 2,5 quilômetros de caminhada pela Promenade, à beira-mar, para ir do píer mais ao sul até o mais ao norte.

Foto: Pawel Libera, VisitBritain, divulgação

Eles são cheios de cafeterias, bares, parques de diversão e fliperamas. A Blackpool Tower, com 158 metros, destaca-se entre o North e o Central Pier. A construção de 1894 abriga cinco atrações: The Blackpool Tower Eye, The Blackpool Tower Circus, The Blackpool Tower Ballroom, The Blackpool Tower Dungeon e Jungle Jim's.

Newcastle-upon-tyne

Foi a última cidade do roteiro. Diversas pontes cruzam o Rio Tyne e são a marca de Newcastle, principalmente a Tyne Bridge, com 162 metros e um arco de aço que virou cartão-postal da cidade.

Newcastle era uma das localidades pelas quais passava a Muralha de Adriano. Hoje declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, essa construção de aproximadamente 117 quilômetros de comprimento foi ordenada pelo imperador Adriano por volta de 120 a.C. e demorou seis anos para ser concluída.

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Ela se estendia de costa a costa, quase na fronteira com a atual Escócia, e tinha o propósito de proteger os domínios do Império Romano na Grã-Bretanha dos povos bárbaros que habitavam o norte da ilha.

Abandonada em 383, hoje tem torres e parte do muro em ruínas. Paradas de ônibus estão localizadas próximas aos locais mais interessantes ao longo da muralha para aqueles que optam por não fazer a popular trilha pela região.

 
 
 
 
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