Um roteiro pela Índia

Calcutá, a dura cidade indiana adotada pela santa Madre Teresa

Nossa repórter foi à Índia realizar o sonho de decifrá-lo e, depois de 30 dias, voltou ainda mais intrigada com esse lugar cheio de peculiaridades

Por: Janaína Kalsing
13/09/2016 - 03h01min | Atualizada em 13/09/2016 - 03h01min
Calcutá, a dura cidade indiana adotada pela santa Madre Teresa Ariel Camargo/Arquivo Pessoal
É possível cortar o cabelo na calçada de Calcutá Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Não vamos falar de um destino fácil, glamuroso. A Calcutá que tocou Madre Teresa ainda choca: é uma cidade de tamanha pobreza que, muitas vezes, pessoas e lixos parecem se confundir. Nas ruas, barbeiros e dentistas trabalham nas calçadas, usando água de hidrantes públicos. 

Um ponto de diversão é à beira do Hooghly, onde passeei em um lindo entardecer. Vale também circular no maior parque da cidade, o Maidan. Nesse amplo espaço recreativo, as pessoas fazem piquenique, soltam pipa e praticam esportes, na sua maioria críquete. Com um enorme estádio esportivo, jardins, construções históricas e um planetário, é um espaço para dar uma pausa da correria na terceira maior área metropolitana da Índia. E não estranhe se deparar com pastores e seus rebanhos e mulheres a lavar roupas. O local é multiuso.

Confira o roteiro completo:

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Perto dali, se encontra o Victoria Memorial, uma grande construção de mármore dedicada à rainha Vitória, junto ao Fort William, construído no século 18. Vale dedicar um tempo extra para conhecer melhor a história da Índia e a influência da cultura britânica. A estrutura, que levou 15 anos para ser concluída, mistura cúpulas em estilo mughal e estátuas com design italiano. Construído em 1921, é circundado por um bonito jardim e espelhos d´água. Vale lembrar que Calcutá foi fundada em 1690, pela Companhia Inglesa das Índias Orientais, e tornou-se, de 1833 a 1912, a capital da Índia britânica.

Em Calcutá, moradores jogam críquete nos parques Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal
Pelas ruas de Calcutá, táxis amarelos circulam de cima para baixo, em meio aos frenéticos tuk-tuks Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal
Em Calcutá, há mictórios masculinos espalhados pelas ruas Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Outro lugar interessante de visitar é a "Mother House", a casa de Madre Teresa. Ali se encontram a tumba e um pequeno museu com o quarto no qual a religiosa trabalhou de 1953 a 1997, além de alguns de seus pertences. Seguindo algumas quadras, há um orfanato das freiras da mesma missão católica que a madre participava. Bem solícita, uma simpática freirinha me apresentou o orfanato. Foi uma experiência intensa, pois, ainda que seja um ambiente de cuidado e lazer, são crianças abandonadas.

Pelas ruas, táxis amarelos circulam de cima para baixo, em meio aos frenéticos tuk-tuks. Quatro dias na cinzenta e densa cidade faz a gente sentir o "espírito" indiano e esquecer um pouco da espiritualidade do país. Ainda assim, Calcutá é instigante. Um permanente contraste de sensações. Uma cidade para refletir a cerca da subcondição humana e dos nossos valores de consumo.


 






 
 
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